Acidentes em Rodovias Federais Recuam em 2025, Mas Patamar É Alto

Economia

As estatísticas relacionadas aos acidentes em rodovias federais 2025 revelam uma redução no número de ocorrências, conforme apurado pela Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transporte (PILT) da Fundação Dom Cabral (FDC). Mais de 53 mil acidentes foram computados nas estradas brasileiras neste período, o que representa um recuo em comparação ao ano anterior, quando o país atingiu o pico de 56 mil sinistros rodoviários. No entanto, especialistas alertam que, apesar da leve diminuição, o volume de incidentes permanece em um nível preocupantemente elevado.

De acordo com a análise de Paulo Resende, diretor do núcleo de logística e infraestrutura da FDC, a recente queda de 5% observada em 2025, embora importante, não constitui uma tendência consolidada de melhora na segurança viária. A pesquisa da PILT/FDC, que baseia-se em informações fornecidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), engloba acidentes registrados em rodovias com circulação mínima de mil veículos por dia. Este estudo minucioso permite compreender a dinâmica das ocorrências e os desafios impostos à malha viária do país.

Acidentes em Rodovias Federais Recuam em 2025, Mas Patamar É Alto

O cenário dos últimos anos tem sido de elevação tanto no número total de acidentes quanto na gravidade das suas consequências, com o aumento de feridos graves e de vítimas fatais. O período pós-pandêmico foi marcado por um expressivo incremento no volume de tráfego nas rodovias, culminando em um maior número de acidentes. “Tivemos uma pequena queda agora, em 2025, de 5%. É importante, mas ainda muito pequena”, pontua o professor Resende, enfatizando a necessidade de uma análise mais profunda e ações mais robustas.

No ano de 2025, os dados revelam que 4.799 indivíduos perderam a vida em decorrência de acidentes nas rodovias federais brasileiras, enquanto 15.098 sofreram ferimentos de grande gravidade. Esses números representam uma leve melhora em relação a 2024, que registrou 4.995 óbitos e 15.916 feridos graves, denotando a persistência de um desafio significativo para a saúde pública e a segurança no trânsito.

Para garantir uma avaliação justa e comparável entre os distintos trechos rodoviários, o estudo emprega dois indicadores técnicos fundamentais. A Taxa de Acidentes (TAc) neutraliza a influência do volume de tráfego no montante de ocorrências, oferecendo uma métrica mais precisa. A Taxa de Severidade de Acidentes (TSAc), por sua vez, além de considerar o volume veicular, classifica os acidentes de acordo com o seu grau de gravidade. Em 2025, a TAc alcançou o índice de 2,016, enquanto a TSAc registrou 8,690. Ambos os indicadores apresentaram uma redução de 12% em comparação com 2024, atingindo os segundos menores valores desde o início da série histórica monitorada.

A análise da PILT/FDC também detalha a natureza das ocorrências: 77,2% dos acidentes em 2025 resultaram em vítimas feridas, e 7,7% envolveram vítimas fatais. Os restantes 15,1% dos sinistros foram classificados como ocorrências sem registro de feridos, reforçando a predominância de incidentes com consequências para a integridade física dos ocupantes dos veículos.

As Rodovias Federais Mais Perigosas do Brasil: BR-101 e BR-116

Entre os anos de 2018 e 2025, a BR-101 se consolidou como a rodovia com o maior número absoluto de acidentes, totalizando 10.235 incidentes. Contudo, é a BR-116 que se destaca como a mais perigosa do país no quesito vítimas fatais, somando 4.778 óbitos no mesmo período. A comparação entre as taxas de acidentes e de severidade de 2025 aponta que a BR-116 superou a BR-101, assumindo a primeira posição nos rankings. A Taxa de Acidentes da BR-116 foi de 0,27, enquanto a BR-101 registrou 0,23. A disparidade se mantém na Taxa de Severidade, com 1,13 na BR-116 frente a 0,94 na BR-101.

O professor Paulo Resende explica que a BR-116 apresenta uma combinação de fatores que contribuem para sua periculosidade. Trata-se da mais extensa rodovia brasileira, percorrendo desde o Rio Grande do Sul até o Ceará e cortando múltiplos estados. Sua infraestrutura é heterogênea: em determinados trechos, a via foi objeto de concessão à iniciativa privada, passando por duplicação, instalação de controle veicular e melhorias significativas. Em contrapartida, outras seções mantêm condições de tráfego precárias e de baixa qualidade.

Resende elabora sobre a complexidade da BR-116, descrevendo-a como um espelho da realidade da infraestrutura viária nacional. “A BR-116 tem uma combinação de fatores: é a maior rodovia brasileira, tem diferentes condições de qualidade, de trafegabilidade, mix de tráfego e também diferentes tratamentos de engenharia que podem, em geral, reduzir bastante a taxa de severidade dos acidentes, principalmente quando sai de pista simples para pista dupla, quando há a construção de passarelas e quando há o controle lateral de tráfego de acesso. Ela é realmente a representante de um Brasil que é um mix de altíssima qualidade e de péssima qualidade na sua infraestrutura”, detalha o pesquisador, ressaltando o desafio multifacetado que a rodovia impõe.

Causas e Medidas para Melhoria na Segurança Viária Federal

A análise dos acidentes revela que 51,1% das ocorrências aconteceram em pista simples. Predominantemente, 66,6% dos incidentes ocorreram em traçado tangente. A maioria dos sinistros (55,4%) se deu durante o dia e com condições climáticas favoráveis, como céu claro (64%). Quanto aos tipos de veículos envolvidos, os automóveis foram protagonistas em 31% dos acidentes, seguidos pelas motocicletas, que corresponderam a 24,7% das ocorrências, demonstrando a vulnerabilidade deste modal.

A Fundação Dom Cabral, uma renomada instituição de ensino e pesquisa, baseou grande parte de sua análise nos dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), consolidando informações cruciais para o entendimento da segurança rodoviária brasileira.

O professor Resende também indica que o Brasil tem assistido a um incremento nos investimentos em rodovias, em grande parte impulsionado pela expansão dos programas de concessão. O especialista avalia que as ações intensificadas da Polícia Rodoviária Federal em 2025, com o aumento das operações, também tiveram um impacto positivo nos números de segurança. “Tivemos um maior número de concessões rodoviárias no ano de 2025. É claro que essas concessões ainda não apresentam resultados significativos, mas, em compensação, todos os contratos exigem um controle maior na velocidade e também na infraestrutura, principalmente com o recapeamento de pistas e, quando possível, o aumento do número de pistas duplas”, afirmou o pesquisador, sinalizando um horizonte de possíveis melhorias estruturais e operacionais.

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O estudo da FDC ressalta a complexidade dos acidentes em rodovias federais e a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, fiscalização e educação no trânsito. Embora haja um recuo nos números de 2025, a gravidade dos incidentes exige atenção constante e a implementação de políticas públicas eficazes. Para continuar acompanhando análises detalhadas sobre segurança viária, economia e política, convidamos você a explorar outras matérias na editoria de Análises em nosso portal.

Crédito da imagem: Divulgação

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