A mais recente edição da Exposição Agropecuária e Industrial do Estado do Ceará (Expoece) foi palco para a estreia de uma inovadora marca de café 100% cearense. Sâmia Nápoles, de 30 anos, professora e empreendedora, apresentou ao público, na terça-feira (3), o Café Nápoles, um produto genuinamente cultivado e processado no solo cearense, resultado de uma herança familiar e de um compromisso com a produção sustentável.
Fundada há pouco mais de dois meses, a iniciativa é um esforço conjunto de Sâmia, seu esposo Victor Nápoles e seu pai, que unem experiência e visão empreendedora. A marca presta uma homenagem ao avô de Sâmia, o emblemático Chico Cravo, que viveu até os 100 anos e faleceu em 2023. Foi ele quem deixou o legado e a inspiração para que a família desse continuidade ao ramo que dedicou sua vida: o cultivo de café.
Café 100% cearense: Nápoles lança marca na Expoece
O empreendimento está situado na Serra de Aratuba, uma área privilegiada de Mata Atlântica que integra o Maciço de Baturité. Neste cenário, a família se dedica à produção de um café de sombra tipo 100% arábica, caracterizado por ser puro, sem adição de outros grãos, e cultivado dentro de um sistema agroflorestal. Tal método ressalta o respeito pelo ecossistema e pela biodiversidade local, elementos que Sâmia faz questão de sublinhar em sua trajetória como produtora.
Do Plantio Artesanal à Mesa
Durante sua participação na Expoece, um dos grandes destaques do estado que ocorre até 8 de novembro no Parque de Exposições Governador César Cals, em Fortaleza, Sâmia exibiu uma gama de produtos diretamente de seu sítio em Aratuba. Além das variedades de café — disponíveis em grãos e moído — ela também ofertou mel artesanal e biscoitos sabor café, demonstrando a versatilidade de sua produção familiar.
Para Sâmia Nápoles, o café não é apenas um negócio, mas parte intrínseca de sua vida. Desde cedo, sob a tutela do avô Chico Cravo, ela dominou as nuances da cafeicultura, aprendendo a plantar, colher, selecionar os grãos e realizar todas as etapas do processo produtivo. Chico, que por muitos anos trabalhou em terrenos de terceiros e vendia o café in natura, sonhava em valorizar o produto final. “Normalmente, o café do supermercado tem muitos aditivos. Então, quero mostrar para as pessoas um café do interior, de qualidade, e que respeita o ecossistema da mata de Aratuba”, salientou a empreendedora ao portal de notícias que cobriu o evento.
A elaboração do Café Nápoles envolve um meticuloso trabalho manual e artesanal. A colheita acontece apenas uma vez ao ano, estendendo-se por aproximadamente um mês. Após a coleta, os grãos são submetidos a um processo de seleção minucioso em bacias d’água para remover imperfeições. Em seguida, os melhores grãos são torrados e pilados. O processo, que inclui tirar a casca e utilizar fogão a lenha, é descrito por Sâmia como “tudo bem manual”. Apesar de a colheita ser extensa, todo o trajeto para que o café chegue à embalagem final dura cerca de três horas, um testemunho da dedicação da família.
O Legado Familiar do Café de Sombra e a Inovação do Sítio
Apesar de a ideia inicial ter vindo de Sâmia e Victor, o esforço é completamente familiar, com o pai de Sâmia, um experiente cultivador de café, desempenhando um papel crucial. O café da marca se desenvolve à sombra das árvores centenárias da serra, conferindo-lhe a classificação de “café sombreado”, o que contribui para sua qualidade e características organolépticas únicas.
A comercialização dos produtos do Café Nápoles inclui embalagens de café em grãos e moído, em tamanhos de 250g, 500g e 1kg. Mais recentemente, foi lançada uma versão menor, de 80g, ideal para quem busca provar a bebida (rendendo aproximadamente sete xícaras). Os preços dos cafés variam entre R$ 10 e R$ 30, atendendo a diferentes perfis de consumidores. A família também diversificou sua oferta com o mel de abelhas nativas, especificamente o mel de uruçu amarela, oriundo de abelhas sem ferrão criadas na propriedade, com embalagens de 30 ml e 40 ml vendidas a R$ 5.

Imagem: g1.globo.com
A atividade da professora Sâmia, que também está finalizando sua graduação em Letras e já atua profissionalmente, ganhou ritmo intenso, mas a jovem empresária reafirma a compensação em levar adiante o legado e o sonho do avô. Ela destaca o papel dos “jovens empreendedores do Maciço” em exibir a excelência dos produtos locais que a Serra de Aratuba, o Maciço de Baturité e todo o Ceará oferecem. Além disso, o Café Nápoles está disponível em torras clara, média e escura, permitindo ao consumidor escolher a intensidade desejada.
A produção de café no Ceará, especialmente a que segue princípios sustentáveis como o sistema agroflorestal, tem demonstrado um potencial considerável. Para mais detalhes sobre o crescimento da cafeicultura na região, pode-se consultar informações divulgadas pela Embrapa, que apontam a consolidação da produção cearense de café.
A abordagem agroflorestal utilizada no sítio, como a que envolve as abelhas que polinizam o café e vice-versa, é um modelo altamente ecológico. As colmeias estão integradas à mata e os apicultores coletam o mel de forma a preservar o habitat natural das abelhas. Esse intercâmbio simbiótico entre cafezais e abelhas realça a riqueza do sistema e a qualidade final do café Nápoles.
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O Café Nápoles representa um exemplar vívido da pujança e diversidade cearense, com uma proposta que une tradição familiar, respeito ao meio ambiente e qualidade premium. É uma iniciativa que honra as raízes locais enquanto aponta para um futuro promissor, quem sabe, expandindo seu alcance para outras partes do Brasil e evidenciando a capacidade de produção do Ceará. Fique atento às novidades e descobertas da economia e do empreendedorismo local em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Gabriela Feitosa/g1 CE

