Na terça-feira, 3 de outubro, o Ibovespa e dólar iniciaram um novo período no mercado financeiro brasileiro, com indicadores técnicos drasticamente diferentes do que era observado antes do segundo turno das eleições. As alterações refletiram um panorama de intensa volatilidade que remodelou as expectativas para os principais ativos.
No período de cinco pregões, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, sofreu uma retração de 18,12%, partindo de um patamar acima dos 200 mil pontos para registrar 167.922 pontos. Em contraste, o dólar futuro exibiu um avanço significativo de 9,99%, marcando uma forte polarização no comportamento dos ativos após o pleito presidencial.
Ibovespa e Dólar: Reabertura do Mercado e Novos Níveis
Essa forte pressão teve início no primeiro pregão subsequente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o Ibovespa experimentou uma queda acentuada de 13,81%, culminando na ativação do mecanismo de circuit breaker. A sequência de desvalorizações se estendeu por cinco sessões consecutivas de baixa, posicionando o índice em cerca de 42 mil pontos abaixo de sua máxima histórica de 209.713 pontos.
A volatilidade dessa semana foi uma das mais severas na história recente da B3. O recuo no valor das ações superou o registrado em março de 2020 e se estabeleceu entre as maiores desde o Plano Real. Concomitantemente, as companhias listadas na Bolsa de Valores brasileira contabilizaram uma perda aproximada de R$ 963 bilhões em valor de mercado, conforme amplamente noticiado por veículos especializados. Essas variações demonstram a sensibilidade do mercado financeiro aos eventos políticos e econômicos do país.
Na direção oposta, o cenário cambial mostrou uma escalada. O dólar futuro encerrou a semana em 5.470 pontos, com uma valorização total de 9,99%, enquanto o dólar à vista negociou próximo de R$ 5,44, acumulando uma alta superior a 9%. A velocidade com que a precificação dos ativos mudou tornou obsoletas muitas das referências técnicas previamente estabelecidas, tanto para o Ibovespa quanto para o dólar.
Para o Ibovespa, importantes suportes, como os níveis de 200 mil e 189.487 pontos, foram rapidamente superados em meio à queda. Similarmente, no dólar futuro, as barreiras de resistência situadas entre 5.067 e 5.155 pontos também foram rompadas sem grandes dificuldades. Agora, na reabertura, o foco se desloca para novas e cruciais faixas de negociação. No índice Ibovespa, a área compreendida entre 164 mil e 160 mil pontos desponta como a principal região de suporte. Já para o dólar futuro, a atenção se volta para o nível de 5.494 pontos e para a possibilidade de manutenção da tendência de alta ou de uma fase de realização de lucros, considerando seu forte afastamento das médias móveis.
Análise Técnica do Ibovespa Pós-Eleições
No gráfico diário, a deterioração técnica do Ibovespa foi evidente após o segundo turno das eleições. A queda vertiginosa transpassou as médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, levando o índice para níveis abaixo de 170 mil pontos e desfazendo o impulso de alta que culminou na sua máxima histórica de 209.713 pontos. Esse padrão revelou uma reversão abrupta da tendência de crescimento observada após o primeiro turno.
Depois de alcançar recordes, o índice Ibovespa cedeu progressivamente a regiões técnicas relevantes, aproximando-se da mínima registrada em agosto, especificamente em 164.835 pontos. A intensidade desse movimento resultou em um cenário de sobrevenda para o Ibovespa, com o IFR (Índice de Força Relativa) de 14 períodos em 25,43 pontos. Além disso, a cotação se distanciou significativamente das médias móveis, o que pode abrir caminho para um repique técnico, especialmente se houver estabilização nos 164.835 e na faixa dos 160 mil pontos. Contudo, até o momento, não há sinais consistentes de uma inversão de tendência.

Imagem: infomoney.com.br
A ruptura do nível de 164.835 pontos abriria caminho para novas referências de suporte, incluindo 157 mil e 153 mil pontos, além de alvos mais distantes como 147 mil, 140 mil e 131.550 pontos. Para que se consolide uma recuperação mais robusta, seria fundamental que o índice primeiro reassuma a área das médias móveis e supere a marca de 185.565 pontos. Acima desse patamar, as próximas resistências seriam encontradas em 189.487, 203.050 e 209.713 pontos. Por ora, apesar da eventualidade de um repique técnico motivado pela sobrevenda, o panorama permanece cauteloso e defensivo.
Cenário para o Dólar Futuro
No que concerne ao dólar futuro, o gráfico diário revela uma valorização expressiva de 9,99% na semana, rompendo a estrutura de baixa que prevalecia anteriormente. O contrato encerrou a semana próximo da máxima de 5.494 pontos, com a cotação se distanciando de forma notável das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. As médias de longo prazo estão em torno de 5.145/5.154 pontos, enquanto a média de curto prazo ascendeu para a área de 5.283 pontos. O IFR (14) atingiu 69,70 pontos, aproximando-se perigosamente da zona de sobrecompra.
Essa configuração técnica sugere que o ativo está esticado, elevando a probabilidade de uma realização de lucros ou um fechamento parcial do gap que se formou na segunda-feira. No entanto, não há sinais claros que indiquem uma reversão imediata. Para sustentar a alta, o dólar futuro precisaria transpor os 5.494 pontos. Acima desse nível, as próximas resistências identificadas estariam em 5.614, 5.699,5, 5.795, 5.920, 6.117 e, em uma extensão maior, 6.324 pontos.
No sentido oposto, uma correção ganharia fôlego caso o dólar futuro perca os níveis de 5.310 e, mais criticamente, 5.266 pontos. Abaixo dessas regiões, os principais suportes ficariam em 5.154, 5.116,5, 5.067, 4.968,5 e, em uma desvalorização mais acentuada, na mínima anual de 4.910 pontos. O viés atual permanece favorável aos compradores, porém o afastamento considerável das médias e o IFR próximo da sobrecompra impõem a necessidade de cautela quanto a possíveis movimentos de realização, conforme apontou o analista técnico Rodrigo Paz.
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Em suma, a reabertura do mercado revelou um cenário de importantes ajustes para o Ibovespa e o dólar, com a quebra de referências técnicas e a formação de novos patamares de suporte e resistência. Acompanhar as flutuações e análises diárias é fundamental para compreender as dinâmicas futuras desses importantes indicadores financeiros. Para aprofundar seu conhecimento sobre o mercado e economia, continue explorando nossas Análises de Economia em nosso blog.
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