Às vésperas da decisão do segundo turno presidencial, as flutuações no cenário político reverberam diretamente no mercado financeiro. Investidores e especialistas buscam as melhores orientações sobre as aplicações em renda fixa, um debate que resume a importância da análise para Tesouro Direto 2º Turno: O que esperar antes da votação. A pesquisa Quaest, divulgada na última quarta-feira (21), indicou a manutenção de um empate técnico entre os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), e a reação dos títulos do Tesouro Direto foi comedida. Títulos prefixados apresentaram leve recuo nas taxas, enquanto os atrelados à inflação (IPCA+) registraram uma nova ascensão, seguindo um pregão de alta volatilidade ocorrido no dia anterior. Na ocasião anterior, as taxas haviam cedido em bloco, impulsionadas por pesquisas que mostravam um dos senadores à frente do então presidente.
Diante desse cenário eleitoral carregado de incertezas, o desafio central para o investidor de renda fixa é traçar uma estratégia eficaz e segura. Especialistas de renome no mercado são unânimes: a recomendação não é a especulação a poucos dias do pleito. Pelo contrário, o foco principal deve ser a proteção da carteira, sempre com uma visão de longo prazo, ponderando os possíveis desdobramentos independentemente do resultado das urnas.
Tesouro Direto 2º Turno: O que esperar antes da votação
Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, salienta a vantagem dos títulos IPCA+ para quem projeta retornos de longo prazo. Segundo ele, esses papéis continuam a oferecer um juro real que supera os 6,6% anuais em todas as suas datas de vencimento, o que os torna atraentes em um ambiente inflacionário. Por outro lado, Menezes observa que os títulos prefixados apresentam um potencial limitado para novos ganhos. O gestor projeta um aumento de, no mínimo, 1 ponto percentual nas taxas longas caso o candidato Lula seja reeleito no domingo (25), reforçando sua preferência pelos NTN-B no horizonte de investimento mais alongado.
João Debom, sócio da Supernova Investimentos, explica que o peso da pesquisa Quaest foi sentido precisamente por não confirmar um favoritismo que já estava embutido nas expectativas do mercado. Com a não reafirmação desse cenário, uma parcela do otimismo inicial se dissipou, resultando em uma devolução da queda nas taxas, especialmente para os prefixados e para os vencimentos mais longos, reconhecidamente mais sensíveis aos riscos fiscais. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, adiciona que a diminuição dos juros nos Estados Unidos contribui para conter as taxas de juros no Brasil. Ele sugere que a acirrada disputa eleitoral pode já estar, em grande parte, precificada. Entretanto, Murad alerta para a possibilidade de uma elevação substancial das taxas em caso de uma surpresa eleitoral ou de desdobramentos fiscais negativos, dado que o mercado já antecipou consideravelmente um cenário mais otimista.
A percepção da imprevisibilidade até a votação é ecoada por Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital, que desde a segunda-feira (19) já alertava que as taxas se comportariam de forma reativa a praticamente cada nova pesquisa eleitoral divulgada. Ele classificou qualquer movimento reversível a uma pesquisa como um claro “prêmio eleitoral”, indicando a sensibilidade do mercado às oscilações da corrida presidencial. Para muitos gestores, os títulos públicos indexados à inflação são a escolha mais apontada para aqueles investidores com horizonte de tempo estendido, uma vez que ainda garantem um juro real consideravelmente alto, mesmo após o rali observado no período eleitoral.
A Relevância dos Títulos IPCA+ no Cenário Atual
O Tesouro IPCA+ 2050 exemplifica bem essa dinâmica: antes do primeiro turno, sua taxa era IPCA + 7,08%, chegando a IPCA + 6,32% na abertura do dia 5 de outubro, para depois reverter parcialmente a queda. Menezes expressa preferência por esses papéis devido à sua avaliação de que eles teriam perdas menores que os prefixados em uma eventual reeleição do candidato Lula. A percepção é compartilhada: Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos, observa que os títulos mais longos estão se aproximando de IPCA + 6%, e a SulAmérica Investimentos mostra uma divisão equitativa em suas preferências entre os títulos IPCA+ e prefixados.
Gabriel Magno, sócio da AW Capital, reforça o coro ao indicar também sua preferência por esses ativos, pontuando que, embora as taxas tenham caído, ainda permanecem em níveis atraentes e elevados para o investidor. Esse consenso sobre os IPCA+ contrasta com visões mais matizadas para outros segmentos de investimento.
Visão Cautelosa para os Títulos Prefixados
Por outro lado, a perspectiva para os títulos prefixados se mostra mais cautelosa entre os analistas. Luiz Cesario, economista-chefe da Asset1, considera que esses títulos já apresentaram uma valorização significativa e que qualquer novo ganho dependeria substancialmente da formação de uma equipe econômica com alta credibilidade após o pleito. O desempenho do Tesouro Prefixado 2032 ilustra essa ponderação: antes do primeiro turno, sua taxa era de 14,21%, caindo para 12,78% na última quarta-feira (21), indicando que boa parte da redução de taxas e, consequentemente, da valorização, já ocorreu. Gabriel Magno, da AW Capital, compartilha a percepção de que os prefixados já “perderam grande parte do prêmio” que ofereciam anteriormente.
Alfredo Menezes, da Armor Capital, vai além e argumenta que o juro real de equilíbrio do Brasil está em um patamar mais elevado, uma realidade não só influenciada pela questão fiscal interna, mas também pelo complexo cenário econômico global. “Por isso que eu falei que o potencial de ganho na curva pré [de juros prefixados], para mim, é bem menor do que muitos agentes pensam”, reforça Menezes. Atualmente, a Armor Capital opera comprada em real, apostando na alta das taxas prefixadas de longo prazo. Essa é uma visão que, embora seja preponderante entre alguns especialistas, encontra contrapontos no mercado.

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Espaço para Ganho nos Prefixados: Uma Outra Perspectiva
Há gestores que ainda visualizam espaço para ganhos nos prefixados, mesmo em um cenário de incertezas. Em sua carta mensal, antes das pesquisas começarem a indicar uma disputa mais acirrada no segundo turno, a Azimut, por exemplo, informou ter elevado sua exposição a títulos prefixados, ao mesmo tempo em que mantinha sua posição em juros reais. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, oferece um argumento para um potencial positivo. Ele lembra que um pacote fiscal percebido como crível, uma medida que poderia valorizar o real, tenderia a desacelerar a atividade econômica e acelerar a queda da inflação. Este cenário, por sua vez, criaria as condições ideais para que o Banco Central implementasse cortes mais substanciais na taxa Selic, o que seria benéfico para os prefixados.
Cenários Pós-Eleição: Impactos para Lula e Flávio
Os analistas de mercado, em sua maioria, convergem na expectativa de que a reação do mercado financeiro a uma eventual vitória de Lula (PT) tende a ser mais acentuada e forte do que em caso de triunfo do outro candidato. Luiz Cesario, da Asset1, destaca que “se der uma surpresa nas urnas e o Lula ganhar, você tem uma piora que tende a ser bem mais intensa do que a melhora que aconteceria com a eleição do Flávio”, evidenciando o temor de um ajuste mais severo do mercado. Nesse quadro, Roberto Motta, da Genial Investimentos, avalia que os títulos de longo prazo seriam os mais severamente afetados por qualquer mudança drástica. Um sócio de uma influente gestora independente, que optou por não se identificar, estima que o juro real poderia retornar aos níveis pré-primeiro turno, ou até mesmo registrar uma alta superior. Dado que preço e taxa de um título possuem uma correlação inversa, esse aumento nas taxas implicaria uma redução do valor dos títulos na marcação a mercado.
Caso o resultado das urnas favoreça o outro candidato, a expectativa, embora mais positiva, ainda dependeria de movimentos cruciais. Cesario projeta uma queda das taxas longas de até 0,5 ponto percentual nesse cenário. Contudo, essa melhora estaria intrinsecamente ligada ao nome escolhido para a importante pasta do Ministério da Fazenda, ressaltando a relevância da equipe econômica para o direcionamento do mercado. Para Benavenuto, resumir as possibilidades implica reconhecer que fixar a remuneração em prefixados ou IPCA+ longos neste momento representa uma aposta arriscada de que o cenário mais favorável se concretizará. Se as expectativas forem frustradas, o investidor enfrentaria uma perda substancial na marcação a mercado.
Conselhos para o Investidor em Períodos Voláteis
Diante da alta volatilidade esperada até o dia da votação, João Debom aconselha enfaticamente que os investidores não tomem decisões estratégicas de carteira baseadas exclusivamente em resultados de pesquisas eleitorais. Ele alerta que quem tenta comprar ou vender títulos em meio a essa intensa gangorra corre o risco real de acertar o pior momento. Para aqueles investidores que têm como objetivo levar o título até o seu vencimento, Debom assegura que não há necessidade de alterações imediatas na estratégia. Já para os que desejam se beneficiar das taxas atualmente elevadas, a recomendação é iniciar aportes de forma gradual e fracionada, evitando o erro de concentrar todo o capital em uma única aposta ou em um único resultado eleitoral.
Benavenuto reforça que fracionar os aportes tem a grande vantagem de diluir o preço médio de aquisição, dispensando a necessidade de “acertar” o resultado do pleito. É uma estratégia de mitigação de risco que oferece mais segurança em períodos de grande incerteza econômica. No entanto, é fundamental que uma posição de curto prazo também considere fatores como liquidez e tributação. Com a votação agendada para domingo, a primeira oportunidade de reação do mercado será apenas na segunda-feira (26), havendo inclusive a possibilidade de o Tesouro Nacional suspender as negociações em dias de oscilação extremada. Além disso, as aplicações financeiras estão sujeitas a Imposto de Renda com alíquota de 22,5% para períodos de até 180 dias, e os resgates efetuados antes de 30 dias implicam no pagamento de IOF. Alfredo Menezes faz um lembrete crucial: a decisão sobre o tipo de investimento deve ser pautada pelo horizonte de cada investidor. No curtíssimo prazo, ele se posicionaria apenas com muita proteção, dado o alto grau de imprevisibilidade. “Uma semana é muito tempo. Ninguém sabe o que pode acontecer nessa semana”, ressalta. O calendário eleitoral prevê novas divulgações de pesquisas de intenção de voto pelo Datafolha nesta quinta-feira (22), e os institutos de pesquisa deverão publicar seus últimos levantamentos no sábado (24), mantendo o dinamismo do mercado até a votação, conforme relatado pelo Valor Econômico.
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Este cenário eleitoral impacta diretamente o universo do Tesouro Direto, delineando a urgência de uma análise criteriosa e de estratégias bem fundamentadas. Enquanto o mercado absorve os dados das últimas pesquisas, os investidores são orientados a focar na proteção do capital e no planejamento de longo prazo, ponderando a distinção entre os títulos IPCA+ e prefixados. Para aprofundar suas estratégias de investimento e entender melhor as tendências econômicas pós-eleição, continue acompanhando as análises em nossa editoria de Economia.
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