A estreia do Cruzeiro na Libertadores Feminina representa um marco histórico para o clube e para o futebol mineiro. Pela primeira vez, a equipe celeste disputa o principal torneio de clubes do continente, juntando-se a outros 14 times brasileiros que já participaram da competição em suas 18 edições. O debute está marcado para esta sexta-feira, 16 de fevereiro, às 21h (horário de Brasília), contra a LDU, em uma partida que ocorrerá na altitude de Quito, no Equador.
A chegada da equipe feminina da Raposa à competição continental é fruto de sua performance destacada no Campeonato Brasileiro do ano passado, onde garantiu o vice-campeonato. Essa classificação eleva o status do futebol feminino mineiro no cenário nacional e internacional. O confronto inicial será no Estádio Casa Blanca, reduto da LDU, conferindo à partida uma camada extra de desafio para as “Cabulosas”, apelido carinhoso das atletas cruzeirenses.
Estreia do Cruzeiro na Libertadores Feminina é histórica
A fase preparatória do time celeste foi marcada por importantes desafios, especialmente na gestão do elenco. O técnico Jonas Urias terá que lidar com uma série de desfalques cruciais. Entre as atletas lesionadas, destacam-se as zagueiras Tainara e Paloma Maciel, a meio-campista Gaby Soares, e as atacantes Ravenna e Millene, todas sofrendo com recuperações de lesões no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho, condição comum e de longa reabilitação no futebol de alta performance. Além delas, a goleira Cláudia também foi afastada após uma lesão na coxa direita, forçando a busca por um reforço emergencial.
Para mitigar a ausência de Cláudia, o clube agiu rapidamente para contratar a goleira Taluane, vinda do América-MG, conseguindo sua inscrição junto à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A expectativa é que Camila Rodrigues assuma a posição de titular, repetindo o que fez no início da temporada. Em contraponto aos desfalques, a boa notícia fica por conta do retorno da atacante Letícia Ferreira, que se recuperou de uma cirurgia no ombro direito. A jogadora, artilheira do Cruzeiro em 2025 com 27 gols, reassume sua posição fundamental no ataque da equipe.
No Grupo C da Libertadores Feminina, o Cruzeiro enfrentará, além da LDU, os clubes Bolívar, da Bolívia, e Olimpia, do Paraguai. A jornada na competição promete ser intensa, com adversários tradicionais de seus respectivos países. A participação cruzeirense é um divisor de águas, já que é a primeira vez que um clube de Minas Gerais integra o torneio, um feito notável que projeta o estado no mapa do futebol feminino sul-americano.
O Brasil tem um histórico glorioso na Libertadores Feminina. Cinco clubes brasileiros já levantaram a taça, reiterando a força e o desenvolvimento do futebol feminino nacional. O Corinthians se destaca como maior campeão, com seis títulos (um em parceria com o Audax), sendo o atual tricampeão. Outras equipes como São José (três títulos), Santos e Ferroviária (com dois cada), e Palmeiras (um título) também fizeram história no torneio. Este domínio é uma prova da qualidade do futebol praticado no país, e a entrada do Cruzeiro visa dar continuidade a essa hegemonia.
A representatividade brasileira no torneio é diversificada. O futebol paulista, notavelmente, é o mais presente, com oito times já tendo participado: Corinthians, Audax, São José, Santos, Ferroviária, Palmeiras, Centro Olímpico e São Paulo. Além de Minas Gerais agora com o Cruzeiro, outros seis estados já tiveram suas equipes competindo: Amazonas (Iranduba), Paraná (Foz Cataratas), Pernambuco (Vitória das Tabocas), Rio de Janeiro (CEPE/Duque de Caxias), Rio Grande do Sul (Internacional) e Santa Catarina (Avaí/Kindermann). Foz, em 2012, e Iranduba, em 2018, inclusive alcançaram o vice-campeonato, perdendo para Colo-Colo (Chile) e Atlético Huila (Colômbia), respectivamente.
Palmeiras Inicia Jornada em Busca do Segundo Título da Libertadores Feminina
Enquanto o Cruzeiro se prepara para sua estreia, o Palmeiras, campeão em 2022, já deu o pontapé inicial em sua campanha na Libertadores Feminina. Na noite da última quinta-feira, 15 de fevereiro, as Palestrinas conquistaram uma vitória apertada por 1 a 0 sobre o Universitario, do Peru, em partida realizada no Estádio Banco Guayaquil. O resultado posiciona o Verdão na liderança do Grupo B, somando três pontos e reafirmando suas ambições de buscar o bicampeonato.
A equipe alviverde volta a campo neste domingo, 18 de fevereiro, às 17h, para um embate contra o Belgrano, da Argentina, novamente no Banco Guayaquil. As argentinas, em sua primeira partida, empataram por 1 a 1 com o anfitrião Dragonas, time feminino do Independiente del Valle. Ambos somam um ponto no Grupo B, que promete disputas acirradas pela classificação às próximas fases do torneio.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A técnica Rosana Augusto optou por preservar algumas jogadoras-chave do Palmeiras, que estavam servindo à seleção brasileira em duelos contra a Argentina. A lateral Raíssa Bahia e as atacantes Bia Zaneratto e Taina Maranhão iniciaram o jogo no banco, mostrando uma gestão estratégica do elenco. Além disso, as Palestrinas já enfrentam a ausência da goleira Kate Tapia, por questões disciplinares, e da lateral Ana Guzmán, que sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho direito enquanto defendia a Colômbia em um amistoso recente.
Mesmo com o controle da partida, o Verdão teve dificuldades para converter suas oportunidades em um placar mais elástico contra o Universitario. Contudo, não demorou para abrir o placar aos 15 minutos, com Brena. A volante foi lançada com precisão pela meia Andressinha na esquerda e, em seguida, Emily Assis ficou cara a cara com a goleira Mia Shalit, que fez uma boa defesa. A sobra, porém, caiu nos pés de Brena, que finalizou para as redes, garantindo o gol decisivo da vitória.
Aos 24 minutos, o Palmeiras chegou a ampliar o marcador com Diany, que completou de carrinho após um cruzamento de Gláucia. No entanto, o lance foi anulado pelo árbitro de vídeo (VAR) por impedimento. O ritmo do jogo foi visivelmente afetado pela altitude de 2.850 metros de Quito, principalmente na reta final do primeiro tempo. A lateral Milagros Rolón, do Universitario, chegou a sentir mal-estar e precisou de atendimento médico com cilindros de oxigênio, sendo substituída aos 39 minutos, um claro reflexo das condições físicas exigentes do local.
A etapa final da partida seguiu o padrão de chances perdidas pelo time brasileiro, muitas delas interceptadas por defesas impressionantes de Shalit. Um momento crucial foi o pênalti cobrado pela zagueira Pati Maldaner, aos 23 minutos, que parou na mesma trave esquerda que, já nos acréscimos, defendeu um chute potente de fora da área da volante Duda Santos, evitando que as peruanas sofressem um gol a mais e selando o resultado mínimo favorável ao Palmeiras. Para acompanhar a evolução do torneio e os confrontos restantes, é importante consultar as atualizações diretamente na Confederação Sul-Americana de Futebol, responsável pela organização.
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Em suma, a participação do Cruzeiro na Libertadores Feminina inaugura um novo capítulo para o futebol mineiro, enquanto o Palmeiras já demonstra sua força em busca de mais um título continental. Ambas as equipes refletem a crescente relevância do futebol feminino brasileiro. Para mais análises e novidades sobre os desdobramentos dos esportes, continue acompanhando nossa editoria de Esporte.
Crédito da imagem: Gustavo Martins/Cruzeiro


