Fisioterapeuta descobre DTM após 10 anos de dor de cabeça

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Após mais de uma década sofrendo com intensas dores de cabeça e sintomas neurológicos misteriosos, a fisioterapeuta Jéssica Pasquale, atualmente com 33 anos, finalmente obteve um diagnóstico que trouxe alívio: a Disfunção Temporomandibular (DTM). A revelação veio depois de anos de peregrinação médica e uma suspeita de AVC aos 28 anos, destacando a complexidade do diagnóstico e a importância de identificar corretamente as origens de dores crônicas.

A história de Jéssica é um espelho de milhares de brasileiros que convivem com a DTM, muitas vezes sem saber a causa real de seus problemas de saúde. A disfunção, que afeta a articulação da mandíbula e músculos associados, pode manifestar-se de formas diversas, impactando a qualidade de vida e levando a tratamentos ineficazes ou desnecessários.

Fisioterapeuta descobre DTM após 10 anos de dor de cabeça

A jornada da fisioterapeuta iniciou-se aos 14 anos, quando uma cirurgia para corrigir um canino retido no céu da boca desencadeou dores persistentes. Aos 18, o uso de medicamentos já era rotina e, com o tempo, as crises de dor de cabeça se intensificaram progressivamente. O ápice da situação ocorreu aos 28 anos, em São Paulo, quando Jéssica acordou com um lado do rosto dormente e foi internada em uma UTI sob suspeita de acidente vascular cerebral. Após quatro dias e uma bateria de exames, o AVC foi descartado. Contudo, a origem do formigamento e das dores, bem como de uma vasoconstrição identificada, permaneceu sem elucidação. A jovem foi então submetida a medicamentos para o sistema nervoso, sem conseguir solucionar o problema fundamental.

As dores incessantes e outros sintomas limitaram severamente a vida de Jéssica, levando-a a se afastar do trabalho por três meses. “Eu tive muitas dores de cabeça, usei medicação para acalmar os nervos e melhorar a dor. Não dormia bem e acordava sempre cansada. Eu abria a boca e doía. E fiquei comendo alimentos mais moles para não fazer muita força. A DTM me limitou muito”, desabafou ela em entrevista. A hipótese da Disfunção Temporomandibular surgiu por meio de uma amiga, que trabalhava na área e sugeriu uma investigação específica sobre a relação entre as dores e a articulação da mandíbula.

Entenda o que é a DTM e Seus Sintomas

A DTM refere-se a um grupo de distúrbios que acometem os músculos responsáveis pela mastigação, a Articulação Temporomandibular (ATM) e outras estruturas conectadas, como cartilagem, ligamentos, disco e osso. Embora o bruxismo seja uma de suas causas predominantes, é fundamental ressaltar que DTM e bruxismo não são sinônimos. Uma pessoa pode apresentar bruxismo sem desenvolver a disfunção, assim como ter DTM sem o hábito de ranger ou apertar os dentes.

Os sintomas associados à Disfunção Temporomandibular são variados e muitas vezes se confundem com os de outras condições, o que dificulta o diagnóstico preciso. Entre os sinais mais comuns estão: dores de cabeça frequentes, dor na região do fundo dos olhos, na nuca e nos ombros. Além disso, a DTM pode manifestar-se com zumbidos nos ouvidos, vertigens, dificuldades para abrir a boca completamente, estalos ou ruídos na articulação ao mastigar ou bocejar. Em alguns casos, a disfunção pode coexistir e agravar quadros de dor crônica, como a fibromialgia, e estar ligada a transtornos afetivos e problemas de sono.

O Cenário da DTM no Brasil e a Dificuldade do Diagnóstico

Estudos indicam que a Disfunção Temporomandibular é um problema de saúde significativo no Brasil. Uma meta-análise que envolveu 11 estudos e um total de 6.365 participantes estimou a prevalência de DTM em 33,6% da população brasileira avaliada. Além disso, uma revisão realizada pela Unesp de Araraquara, publicada em 2026, estabeleceu uma clara associação entre a disfunção e a enxaqueca: indivíduos que sofrem de enxaqueca têm aproximadamente seis vezes mais chances de desenvolver DTM. No sentido inverso, pacientes com DTM apresentam cerca de 2,6 vezes mais probabilidades de ter enxaqueca.

Especialistas alertam que a DTM frequentemente passa despercebida por anos. Nesse período, os pacientes costumam visitar múltiplos consultórios médicos, submeter-se a diversos exames e utilizar analgésicos em excesso antes de finalmente receberem o diagnóstico correto. Simone Carrara, cofundadora da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF), ressalta os perigos do uso descomedido de analgésicos, que pode inclusive levar ao surgimento de outros problemas, como a cefaleia crônica diária por uso excessivo de medicação. Ela menciona casos de pacientes que consumiam mais de 10 analgésicos por dia e um que engordou mais de 40 quilos em meio a uma longa e infrutífera busca por diagnóstico.

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Imagem: g1.globo.com

Outro ponto de preocupação levantado por profissionais da área diz respeito à realização de cirurgias desnecessárias para DTM. Muitas vezes, planos de saúde não cobrem atendimentos odontológicos específicos para a condição, mas oferecem cobertura para procedimentos realizados por cirurgiões buco-maxilo-faciais. Contudo, em uma grande maioria dos casos (até 90%, segundo Carrara), o tratamento da DTM não exige intervenção cirúrgica e pode ser realizado no próprio consultório. Mais informações sobre a atuação da Sociedade podem ser encontradas em seu portal oficial.

Abordagens de Tratamento para a Disfunção Temporomandibular

O diagnóstico da DTM é primariamente clínico, fundamentado na análise detalhada da história do paciente e em um exame físico minucioso, já que não existe um marcador biológico específico. Exames de imagem são utilizados para complementar a investigação e auxiliar na definição da estratégia terapêutica mais adequada. Recentemente, a inteligência artificial tem se mostrado uma ferramenta valiosa no suporte ao diagnóstico. A disfunção pode ser categorizada como muscular, articular ou mista. Em situações de comprometimento articular, intervenções diretas na articulação podem ser necessárias, mas frequentemente, o componente muscular também exige atenção, com indicação de fisioterapia e eletroterapia.

Simone Carrara enfatiza que o tratamento da DTM deve ser conduzido por um cirurgião-dentista com especialização na área de DTM e dor orofacial. As opções terapêuticas são diversas e não invasivas na maioria dos casos. Elas incluem o uso de placas interoclusais, que são personalizadas para cada paciente, sessões de fisioterapia, a prática de exercícios específicos para a mandíbula, aplicação de laser, ultrassom, pequenas infiltrações guiadas por ultrassom e orientações detalhadas sobre autocuidados diários. É importante destacar que, embora a DTM não tenha uma cura definitiva, seus sintomas podem ser controlados efetivamente. Muitos pacientes, após a fase inicial do tratamento, passam a realizar apenas um acompanhamento anual. O Brasil, segundo Carrara, é uma referência mundial na formação de profissionais especializados nessa complexa área da odontologia.

A melhora significativa de Jéssica Pasquale ocorreu já nos três primeiros meses de seu tratamento, que se estendeu por cerca de um ano e incluiu placa interoclusal, fisioterapia, exercícios, laser e ultrassom. As dores de cabeça e as crises de enxaqueca que a acompanhavam cessaram, permitindo-lhe interromper o uso dos medicamentos anteriores e retomar suas atividades profissionais. Além da recuperação física, Jéssica buscou terapia para processar os impactos emocionais e sociais decorrentes da longa convivência com a dor crônica. Atualmente, ela mantém uma rotina ativa, incluindo atividade física, e continua utilizando a placa interoclusal como medida preventiva para gerenciar a sobrecarga na articulação temporomandibular e manter a DTM sob controle.

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A história de Jéssica Pasquale serve como um lembrete crucial da importância do diagnóstico correto para condições complexas como a DTM. Se você sofre de dores de cabeça persistentes ou outros sintomas relacionados à mandíbula, busque avaliação profissional especializada. Mantenha-se informado sobre saúde e bem-estar explorando as análises e notícias em nossa editoria. Continue acompanhando o blog Hora de Começar para mais conteúdos relevantes e aprofundados.

Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal e Adobe Stock

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