A Federação Internacional de Futebol (Fifa) divulgou um relatório impactante, revelando que uma significativa parcela dos ataques virtuais na Copa do Mundo deste ano foi de natureza racista. O estudo minucioso apontou que, entre mais de 17 milhões de publicações analisadas em diversas plataformas sociais, aproximadamente 240 mil foram categorizadas como ofensivas. Desse total alarmante, 20% das mensagens, ou seja, cerca de 48 mil postagens, eram especificamente de cunho racista.
A publicação do documento pela Fifa ocorreu na última sexta-feira, dia 9 de outubro, um dia antes da celebração do Dia Mundial da Saúde Mental, que acontece em 10 de outubro. A timing do lançamento sublinha a seriedade e o impacto psicológico que tais ataques podem causar nos envolvidos no esporte.
Fifa revela racismo em 20% dos ataques virtuais na Copa
A análise abrangente, conduzida entre 9 de junho e 20 de julho, englobou as plataformas digitais X (anteriormente Twitter), Instagram, Facebook e TikTok. O monitoramento foi meticuloso, abrangendo as contas oficiais das 48 seleções que participaram do torneio, além de um extenso grupo de 1.606 indivíduos. Essa base incluía 1.248 atletas, 188 treinadores e membros de comissões técnicas, e 170 oficiais de arbitragem, demonstrando a vasta escala da investigação.
Conforme a entidade máxima do futebol, as mais de 240 mil publicações ofensivas tiveram como alvo direto 812 pessoas ao longo da competição, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. Esses dados chocantes indicam que 50,6% de todos os participantes monitorados foram vítimas de alguma forma de ataque digital. As mensagens identificadas constavam em um grupo de 477.217 publicações que passaram por revisão humana, após terem sido sinalizadas pela inteligência artificial do serviço de proteção de redes sociais da Fifa.
Este serviço avançado, crucial para a proteção dos envolvidos, utiliza uma ferramenta desenvolvida para ocultar automaticamente conteúdos indesejados. A Fifa destacou a eficácia dessa tecnologia, revelando que dos 60,7 milhões de mensagens veiculadas nas plataformas da organização e das seleções durante a Copa, cerca de 9,2 milhões (15%) foram automaticamente bloqueadas e impedidas de serem vistas pelo público, prevenindo um número ainda maior de incidentes.
O relatório trouxe à tona casos específicos, como o de um jogador, cuja identidade não foi revelada, que foi vítima de mais de 10 mil mensagens de teor abusivo. Destas, 40% eram explicitamente racistas. Além do racismo, o atleta enfrentou ataques homofóbicos, sexistas e transfóbicos. A Fifa ainda pontuou que o volume de ataques a esse jogador intensificou-se drasticamente após “comentários de cunho racial” proferidos por uma “figura pública” sobre ele, que foram amplamente compartilhados nas redes.
Outro episódio de destaque no documento envolveu a senadora paraguaia Celeste Amarilla. Ela usou a plataforma X para ofender o atacante francês Kylian Mbappé. Segundo a política, o capitão da seleção francesa seria “colonizado”, “feio”, analfabeto e que estaria tentando se passar por francês. É relevante notar que Mbappé possui ascendência camaronesa por parte de pai e argelina por parte de mãe, mas nasceu em Paris, na França.
Além do racismo e outras formas de discriminação, o relatório também evidenciou outras categorias de ataques. Cerca de 15% das publicações revisadas continham alegações de corrupção, majoritariamente direcionadas à própria Fifa. Ainda mais preocupante, 14% das mensagens eram ameaças de violência, com um pico de incidência observado após a partida em que a Noruega venceu o Brasil por 2 a 1, nas oitavas de final da competição. O estudo também registrou que 12% das postagens ofensivas manifestavam conteúdo xenofóbico.
A análise sobre as seleções mais afetadas revelou que a equipe da França foi a mais atingida por ataques, especialmente os de teor racial, que corresponderam a 33% das ofensas. A seleção da Inglaterra também sofreu um grande número de ataques racistas e xenofóbicos, que juntos totalizaram 21% das ofensas. Em ambos os casos, as postagens questionavam abertamente a formação e a composição multicultural dos elencos das duas nações. A persistência de discursos discriminatórios nas redes sociais evidencia a urgência da promoção da igualdade e a prevenção e combate ao racismo, conforme defendido por organizações como a Organização das Nações Unidas.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, em um comunicado à imprensa, reiterou o posicionamento da entidade. “Por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos o compromisso da Fifa de proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes, com o apoio de tecnologias de última geração capazes de combater tanto os conteúdos criados por pessoas quanto as imagens geradas por inteligência artificial”, declarou o dirigente, reforçando a postura ativa da organização no enfrentamento a essas questões.
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A detecção de racismo em 20% dos ataques virtuais na Copa do Mundo acende um alerta sobre a necessidade de estratégias mais robustas de combate à intolerância no ambiente digital. A Fifa demonstra estar atenta, utilizando tecnologia para proteger atletas e profissionais do futebol. Para se aprofundar nos desdobramentos sobre este e outros temas do mundo esportivo, explore as últimas análises em nosso blog sobre Esporte.
Crédito da imagem: REUTERS/Dylan Martinez/Proibida reprodução

