O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) acaba de divulgar um documento crucial sobre a Rotina de Consultas Oftalmológicas Essencial para Visão, oferecendo um guia para pacientes e profissionais de saúde sobre a periodicidade ideal das avaliações oculares. Lançado nesta quinta-feira (10) durante o 70º Congresso da especialidade em Salvador, o material sublinha a importância de encontros regulares com o oftalmologista para preservar a saúde ocular em todas as fases da vida.
De acordo com a nota oficial do CBO, o documento ratifica, para pacientes, familiares e até mesmo médicos de outras especialidades, que a consulta periódica com um oftalmologista representa um cuidado primordial para a manutenção da visão. Esta prática possibilita o diagnóstico precoce e a implementação de tratamentos oportunos para diversas patologias que podem comprometer a visão, muitas das quais silenciosas e irreversíveis se não abordadas a tempo.
A entidade frisou que a saúde visual requer atenção constante e preventiva. A
Rotina de Consultas Oftalmológicas Essencial para Visão
é fundamental para o rastreamento de doenças que, muitas vezes, não apresentam sintomas nos estágios iniciais, mas que podem resultar em danos irreversíveis à visão se não forem detectadas e tratadas a tempo. Este cuidado periódico se adapta à faixa etária e à presença de outras condições de saúde, como diabetes, por exemplo.
Periodicidade Recomendada por Faixa Etária
A frequência das consultas com um oftalmologista deve ser adaptada conforme a idade do indivíduo e a existência de comorbidades. O documento do CBO estabelece parâmetros mínimos para pessoas sem diagnóstico de doença ocular e que não apresentam fatores de risco conhecidos:
- Recém-nascidos: É imprescindível a realização do teste do reflexo vermelho pelo pediatra nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade. Em caso de qualquer alteração identificada, o bebê deve ser prontamente encaminhado a um oftalmologista especialista para avaliação e intervenção.
- 0 a 36 meses: O teste do reflexo vermelho deve ser repetido regularmente nas consultas médicas de rotina. É recomendado que ocorra ao menos três vezes por ano durante os primeiros três anos de vida, com atenção especial aos marcos do desenvolvimento visual, à capacidade de fixação do olhar e ao alinhamento ocular.
- 6 a 12 meses: A primeira consulta oftalmológica completa deve ser agendada neste período. O principal objetivo é detectar e tratar precocemente possíveis falhas no desenvolvimento visual, assegurando uma base sólida para a visão da criança.
- 3 a 5 anos: Recomenda-se no mínimo uma consulta oftalmológica completa. Esta avaliação inclui inspeção dos olhos e anexos, aferição da função visual, testes de motilidade e alinhamento, refração sob cicloplegia (para determinar o grau real) e exame de fundo de olho sob dilatação. Preferencialmente, essa consulta deve ocorrer antes da fase de alfabetização.
- Idade Escolar e Adolescência (até 18 anos): É necessária uma reavaliação periódica, com uma avaliação oftalmológica completa entre os 12 e 18 anos. Este é o período em que se observa o maior surgimento e progressão da miopia entre os estudantes, tornando o acompanhamento ainda mais crítico.
- Adultos até 39 anos: A avaliação oftalmológica periódica é recomendada, mesmo na ausência de sintomas visuais. Doenças oculares significativas podem manifestar-se nesta faixa etária sem sinais evidentes, justificando o controle preventivo.
- A partir dos 40 anos: Uma consulta anual se torna fundamental. A incidência de glaucoma, por exemplo, eleva-se para aproximadamente 2% após os 40 anos, e a presbiopia, conhecida como “vista cansada”, tende a aumentar progressivamente com a idade.
- Idosos: O acompanhamento anual é o mínimo indicado, com atenção reforçada para condições como catarata senil e glaucoma. Estimativas internacionais apontam que a degeneração macular afeta cerca de 2,2% dos indivíduos entre 70 e 79 anos, podendo atingir até 10,3% daqueles com 80 anos ou mais.
Atenção a Doenças Crônicas e Fatores de Risco
Em situações que envolvem o diagnóstico de doenças crônicas, histórico familiar de patologias oculares ou exposição a circunstâncias específicas, o guia do CBO ressalta a necessidade de um acompanhamento oftalmológico mais intensificado. Os intervalos entre as consultas, nesses casos, são estabelecidos individualmente pelo médico oftalmologista, que considerará diversos fatores.
Os principais fatores que justificam uma redução nos intervalos das consultas oftalmológicas incluem:
- Diabetes: Cerca de 50% dos diabéticos desenvolvem algum grau de retinopatia diabética, atingindo aproximadamente 80% após 25 anos de doença. Pacientes diabéticos possuem quase 30 vezes mais risco de cegueira. Recomenda-se avaliação com pupilas dilatadas desde o diagnóstico e acompanhamento regular, mesmo sem queixas. Gestantes diabéticas demandam monitoramento específico.
- Histórico Familiar de Glaucoma: Parentes de primeiro grau têm de quatro a oito vezes mais chances de desenvolver a doença. Indivíduos acima de 50 anos, afrodescendentes e pacientes com pressão intraocular elevada compõem o grupo de risco, exigindo exame completo, incluindo fundoscopia do nervo óptico e tonometria, em qualquer idade.
- Histórico Familiar de Outras Doenças Oculares: Condições genéticas como ceratocone, distrofias corneanas e retinose pigmentar, entre outras, justificam avaliação precoce e acompanhamento periódico dos familiares.
- Miopia e Miopia Elevada: A miopia eleva o risco de descolamento de retina, glaucoma e degeneração macular miópica. A avaliação oftalmológica é crucial para a prescrição de óculos e o diagnóstico e tratamento de complicações. Crianças míopes devem ser acompanhadas anualmente, ou semestralmente em casos não controlados.
- Prematuridade: Recém-nascidos com peso igual ou inferior a 1.500 gramas ou idade gestacional igual ou inferior a 32 semanas necessitam de rastreamento de retinopatia da prematuridade nas primeiras semanas de vida, com acompanhamento contínuo.
- Uso de Corticoides (principalmente tópicos oftálmicos): 30% a 40% dos usuários experimentam elevação da pressão intraocular devido a estas medicações, sendo que 5% a 6% apresentam níveis elevados. Em crianças, o retorno ao normal após a interrupção é mais demorado. O uso prolongado exige acompanhamento para prevenir cegueira irreversível por glaucoma.
- Uso de Lentes de Contato: Usuários de lentes de contato requerem acompanhamento no mínimo anual, ou com menor intervalo em casos de suspeita de distorção corneana, alteração refracional ou baixa acuidade visual com a melhor correção.
- Usuários de Canetas Emagrecedoras: Esses pacientes devem incorporar consultas oftalmológicas regulares à sua rotina de cuidados, visto que estudos apontam possível associação com neuropatias ópticas e alterações na retinopatia diabética.
- Outras Condições: Hipertensão arterial, doenças reumatológicas e autoimunes, e o uso de medicamentos com potencial toxicidade ocular exigem vigilância constante. O tabagismo, por sua vez, é um fator de risco significativo para a degeneração macular, especialmente dependendo da idade do paciente.
Importância do Profissional e Ambiente Adequado
Além da qualificação dos profissionais, que devem possuir formação médica em Oftalmologia, o conselho também enfatiza a relevância do ambiente onde o atendimento é prestado. Consultas, exames diagnósticos e demais procedimentos oftalmológicos devem ser realizados em consultórios, postos de saúde ou hospitais que sigam as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tanto em relação à estrutura física e equipamentos quanto às condições sanitárias.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A Saúde Ocular desde a Maternidade e a Prevenção da Cegueira
O documento do CBO argumenta que o cuidado oftalmológico deve iniciar-se logo na maternidade. O teste do reflexo vermelho, realizado ainda no berçário, é um instrumento crucial para a detecção de patologias congênitas como catarata, glaucoma, opacidades de córnea, tumores intraoculares, inflamações severas e hemorragias intravítreas. Nos primeiros anos de vida, a monitorização dos marcos do desenvolvimento visual, da capacidade de fixação e do alinhamento ocular é parte integrante dos cuidados infantis.
Erros de refração que não são corrigidos representam a principal causa de deficiência visual entre as crianças brasileiras, afetando o desempenho escolar e a socialização. A ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, pode ser prevenida com um exame oftalmológico adequado realizado até os 3 anos de idade. Dados internacionais indicam que 40% dos casos de cegueira infantil poderiam ser evitados ou tratados se houvesse acesso a um oftalmologista em tempo hábil.
A grande maioria das causas de cegueira e deficiência visual, conforme o conselho, é passível de prevenção ou tratamento, desde que sejam identificadas precocemente. Estudos internacionais reunidos pelo CBO apontam que a maior parte dos casos de baixa visão no mundo são reversíveis, principalmente aqueles relacionados à catarata e aos erros refrativos (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia). No Brasil, o CBO estima um contingente de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas cegas, número que tende a aumentar com o envelhecimento populacional, uma vez que as quatro principais causas de cegueira no país – catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular – acometem majoritariamente idosos. Visitar regularmente um oftalmologista é a chave para preservar este sentido vital e garantir uma melhor qualidade de vida. Você pode encontrar mais informações sobre a atuação do Conselho Brasileiro de Oftalmologia visitando o site oficial da entidade.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Compreender a rotina de consultas oftalmológicas é essencial para a manutenção da saúde visual e a prevenção de condições graves. As orientações detalhadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia fornecem um guia completo para todas as idades e situações de saúde. Continue explorando as notícias e análises em nosso blog para manter-se informado sobre saúde e bem-estar em diversos temas relevantes para a sua comunidade.
CBO/Divulgação

