Supertrilha Volta ao Rio: voluntário testa 2,2 mil km

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Uma jornada sem precedentes pela Supertrilha Volta ao Rio foi concluída por Luiz Aragão, voluntário de 60 anos, que percorreu impressionantes 2.200 quilômetros através de paisagens variadas do estado do Rio de Janeiro. Sua missão: testar e validar o ambicioso traçado da Supertrilha, uma rede de 3.500 km que visa conectar diversas unidades de conservação e regiões fluminenses, promovendo o turismo e a conservação ambiental.

Durante 127 dias, Luiz Aragão, residente de Taubaté (SP) e natural de Minas Gerais, utilizou diferentes modais para sua travessia pioneira. Iniciando sua expedição no dia 1º de maio a partir do Cristo Redentor, dentro do Parque Nacional da Tijuca, na Zona Sul do Rio, ele alternou caminhadas, percursos de bicicleta e remadas de caiaque. A conclusão do seu trajeto, que durou pouco mais de quatro meses, também se deu no Parque Nacional da Tijuca, marcando o encerramento da fase de testes do percurso.

A experiência de Aragão tinha como objetivo principal a validação de uma rota até então concebida em grande parte por meio de mapas. Ao longo da viagem, o voluntário coletou dados cruciais sobre a integração de diferentes modos de deslocamento e informações valiosas para futuros exploradores da Supertrilha Volta ao Rio.

Supertrilha Volta ao Rio: voluntário testa 2,2 mil km

Durante sua jornada, foram meticulosamente registrados os tempos de deslocamento. Além disso, identificou-se pontos estratégicos de hospedagem, opções de alimentação e alternativas de transporte. Aspectos práticos como a disponibilidade de Wi-Fi, acesso a banheiros e possibilidades de aluguel de caiaques também foram avaliados, bem como locais ideais para acampamento e demais serviços de apoio ao longo da supertrilha.

Um dos aspectos mais marcantes da aventura de Luiz Aragão foi a surpreendente receptividade da população fluminense. Preocupado inicialmente com o modo como seria acolhido, o viajante relatou encontros emocionantes onde moradores locais ofereceram auxílio, compartilharam refeições e até abriram suas residências, demonstrando solidariedade a um desconhecido. “Ao olhar nos olhos das pessoas mais simples, ao ver quem me abriu a porta de casa sem nem me conhecer, eu voltei a ter esperança. Volto dessa caminhada muito mais otimista em relação ao ser humano”, afirmou Aragão, reforçando o impacto positivo de sua interação com as comunidades.

Aos 60 anos, Luiz Aragão não se intitula um trilheiro profissional, mas sua forma física é mantida através de exercícios regulares em academia. Ele ostenta uma vasta experiência em caminhadas de longa distância e possui notável habilidade no planejamento de viagens autônomas com mochila e acampamento. Essa bagagem foi essencial para navegar pela complexa e variada geografia do Rio de Janeiro.

A diversidade do trajeto pela Supertrilha Volta ao Rio foi um dos pontos altos da expedição. Em uma mesma jornada, Aragão se viu atravessando montanhas e serras, vales, áreas rurais e densas florestas. Rios, lagoas e praias, intercalados por áreas urbanas, compuseram o cenário em constante mutação. Ele destacou as transições marcantes entre a Região Serrana, o litoral norte, a Serra da Mantiqueira, o Vale do Paraíba, a Serra da Bocaina, a Costa Verde e, por fim, a capital fluminense como experiências transformadoras.

Mineiro de nascimento, morador de São Paulo e antes familiarizado majoritariamente com a capital do Rio de Janeiro, Luiz expressou uma mudança radical em sua percepção sobre o estado. “Depois de atravessar o estado caminhando, pedalando e remando, passei a enxergá-lo de uma maneira completamente diferente”, contou. Essa nova perspectiva foi viabilizada pelo caráter multimodal da Volta ao Rio, uma rota que integra segmentos de caminhada, ciclismo e navegação, diferenciando-a de outras trilhas.

Enquanto longas caminhadas já eram parte do repertório de Aragão, a navegação fluvial e lacustre se revelou um dos grandes desafios de sua expedição. Ele dedicou aproximadamente cinco a seis dias a remo, em solitude, pelo Rio Imbé e por sistemas de lagoas, antes de finalmente alcançar o litoral. Muitos desses trechos eram conhecidos apenas por imagens de satélite e nunca haviam sido testados integralmente como parte de uma rota contínua.

A cada novo dia de remada, o desafio era constante: verificar se o planejamento pré-viagem se concretizaria na prática. “Entrar em um rio ainda não testado integralmente como rota e descobrir, dia após dia, se o planejamento funcionaria exigiu muita atenção, experiência e equilíbrio emocional”, narrou Luiz Aragão. A sensação de realização ao concluir esses trechos, exatamente como previsto, foi imensa, especialmente após as dificuldades da travessia.

O maior teste físico, segundo o próprio Aragão, surgiu durante a etapa sobre duas rodas, especificamente na íngreme subida que conecta o Vale do Paraíba às altitudes elevadas da Serra da Mantiqueira, nas proximidades do Parque Nacional do Itatiaia. O acentuado desnível do terreno tornou este segmento da Supertrilha Volta ao Rio particularmente desgastante.

Apesar da amplitude dos desafios e dos mais de quatro meses de jornada, Luiz Aragão reportou a ausência de acidentes. Ele também não enfrentou problemas com a vida selvagem. Embora tenha avistado pegadas de grandes felinos em algumas áreas remotas, o voluntário não encontrou onças diretamente, garantindo a segurança de sua passagem.

A Supertrilha Volta ao Rio se configura como uma impressionante trilha de longo curso, estendendo-se por 3.500 quilômetros. Seu design integra diversos caminhos já estabelecidos, incluindo trilhas dedicadas à caminhada, rotas para ciclistas e trechos navegáveis. A visão central é forjar uma vasta rede que abranja unidades de conservação federais e estaduais, conectando ecossistemas e paisagens distintivas em todo o território fluminense.

O circuito proposto pela Volta ao Rio engloba importantes áreas protegidas, tais como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Nacional do Itatiaia e o Parque Nacional da Serra da Bocaina, além do Parque Estadual dos Três Picos. A ambição é unir cerca de 100 unidades de conservação, integrando ainda ícones mundialmente reconhecidos como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, que também fazem parte da experiência.

A concepção da Supertrilha Volta ao Rio prevê uma utilização flexível, não exigindo que seja percorrida em sua totalidade. Composta pela interligação de dezenas de percursos locais e regionais, cada aventureiro pode selecionar etapas que se alinhem com seu tempo disponível, nível de experiência e preparo físico, permitindo personalização da jornada.

A vasta extensão de 3.500 km oferece experiências diversas, desde as baixas temperaturas do Parque Nacional do Itatiaia até o sol radiante da Região dos Lagos. Exemplos de trechos notáveis incluem a desafiadora Travessia Petrópolis-Teresópolis, dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos; uma emocionante remada pelo Rio Paraíba do Sul; e uma incursão pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina em direção a Paraty.

Hugo de Castro Pereira, coordenador do projeto, ressalta a importância da Supertrilha Volta ao Rio: “É a junção de várias trilhas que hoje pertencem à Rede Brasileira de Trilhas – no final de uma, começa a outra”, explicando o conceito de conectividade. Ele expressa uma visão audaciosa para o empreendimento, afirmando: “A gente entende que será a trilha mais importante do mundo”, indicando o potencial global do projeto.

Embora os 3.500 km da Volta ao Rio não apresentem paredões para escalada vertical, existem segmentos que demandam considerável preparo físico e técnica. Hugo detalha: “A gente passa pelo Caminho da Serra do Mar, que começa ali na subida de Magé, pelo Caminho do Ouro, e atravessa toda a Serra dos Órgãos, um trecho alto”. Um dos pontos de maior dificuldade, mencionado, é uma escalaminhada conhecida como “Cavalinho”, localizada no percurso entre Petrópolis e Teresópolis. Contudo, o coordenador faz questão de frisar a abundância de trechos acessíveis para iniciantes: “As partes de praia são fáceis. Tem a Rota Cabista, em Arraial do Cabo, que é maravilhosa. Grande parte da trilha é fácil”, conclui, indicando a adaptabilidade da rota para diferentes níveis de habilidade.

Para Luiz Aragão, a expedição também confirmou o potencial de uma trilha de longo curso como um valioso instrumento de conservação ambiental. Sua observação direta revelou que a presença humana organizada em trilhas contribui significativamente para a proteção das unidades de conservação. Em áreas sem a utilização e monitoramento de trilhas, constatou-se a ocorrência de ilícitos como caça furtiva, desmatamento e pastagem desordenada. “Onde a trilha passa e é utilizada, os ilícitos somem”, apontou, destacando o papel vigilante dos frequentadores.

A premissa da Supertrilha Volta ao Rio é justamente estabelecer uma rede que interligue áreas protegidas e crie corredores ecológicos entre diversas regiões fluminenses. De acordo com os idealizadores do projeto, a estruturação dessa trilha monumental não apenas fomenta o turismo ecológico, mas também impulsiona a geração de renda para as comunidades locais. O mapeamento inicial já identificou pequenos produtores rurais, pousadas comunitárias, sitiantes e condutores de visitantes aptos a integrar uma rede de apoio essencial para os futuros trilheiros, consolidando o desenvolvimento regional sustentável.

As informações valiosas coletadas ao longo dos quatro meses de expedição de Luiz Aragão estão agora em fase de organização. Esses dados subsidiarão ajustes precisos no traçado e na logística da Supertrilha Volta ao Rio. Os próximos passos incluem um extenso processo de validação do percurso, envolvendo municípios, gestores de unidades de conservação, organizações especializadas em trilhas e as comunidades locais diretamente afetadas.

Além da validação, o projeto prevê avanços em diversas frentes: aprimoramento da sinalização, estratégias de manejo e segurança, comunicação efetiva e aprimoramento da governança. Serão realizados seminários regionais para estreitar a colaboração com os municípios e discutir de forma conjunta a implementação e gestão do circuito. Outra meta ambiciosa é elevar a Supertrilha Volta ao Rio ao status de política pública estadual, integrando-a a áreas como meio ambiente, turismo, esporte, cultura e desenvolvimento regional, além de buscar fontes de financiamento para sua implantação definitiva.

A expectativa dos organizadores é que a Supertrilha sirva como um catalisador para a distribuição do fluxo turístico, expandindo-o para além da capital e dos destinos já consagrados. A iniciativa busca direcionar visitantes e, consequentemente, gerar renda para outras regiões do estado do Rio de Janeiro que possuem grande potencial. O objetivo final e grandioso é conectar os 92 municípios fluminenses por meio dessa abrangente rede de trilhas, e a expedição de Luiz Aragão, que mobilizou mais de 50 cidades em seu percurso, foi o primeiro e bem-sucedido grande teste dessa visão.

Para aqueles que se sentirem inspirados a integrar essa vasta rede de caminhos, Luiz Aragão oferece recomendações cruciais: iniciar por percursos menores, evitar adentrar rios desconhecidos sozinho e abster-se de travessias de múltiplos dias sem a devida preparação. Ele aconselha começar com trilhas de um dia, progredindo gradualmente para roteiros de dois ou três dias, preferencialmente acompanhado por indivíduos mais experientes. É imperativo verificar as condições climáticas, conhecer as regras das unidades de conservação e aderir às práticas de mínimo impacto, garantindo a não poluição e a preservação da vegetação local.

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A expedição de Luiz Aragão pela Supertrilha Volta ao Rio representa um marco para o ecoturismo e a conservação no estado. Mais do que um teste de rota, a jornada pavimentou o caminho para uma infraestrutura turística que promete impactar positivamente as comunidades locais e o meio ambiente fluminense. Para ficar por dentro de mais notícias e insights sobre o desenvolvimento das cidades fluminenses e o turismo, continue acompanhando a nossa editoria de Cidades.

Crédito da Imagem: Reprodução

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