Brasil Mantém Posições Baixas no Ranking Educação Pisa 2025

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Os resultados do Brasil no Pisa 2025, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, foram divulgados nesta terça-feira, 8 de outubro, e apontam para uma manutenção do desempenho do país em patamares estáveis, porém baixos. Organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esta edição do Pisa avaliou 91 países e economias, aferindo a proficiência de estudantes de 15 anos em áreas cruciais para o desenvolvimento.

Desde a edição de 2015, o Brasil tem registrado um desempenho consistentemente similar no Pisa, um indicador preocupante de estagnação. A avaliação abrangeu as áreas de ciências, que foi o foco principal deste ciclo, matemática, leitura, e introduziu pela primeira vez uma nova área: resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais. Esta inovação reflete a crescente importância das habilidades digitais na educação contemporânea. Para efeitos de comparação histórica, apenas as três primeiras disciplinas podem ser confrontadas com os ciclos anteriores da prova.

Brasil Mantém Posições Baixas no Ranking Educação Pisa 2025

Apesar da participação de um número maior de países e economias em 2025 – o total passou de 81, em 2022, para 91 –, as variações nas notas brasileiras nas áreas tradicionais de matemática, ciências e leitura foram consideradas estatisticamente estáveis pela OCDE. Isso significa que, mesmo com um maior universo de participantes que naturalmente altera a colocação no ranking, o desempenho intrínseco dos alunos brasileiros não apresentou mudança significativa para melhor ou para pior. No entanto, essa estabilidade se manifesta em um patamar de proficiência insatisfatório em comparação com a média global.

O quadro educacional brasileiro revelado pelo Pisa 2025 é ainda mais complexo ao observar a distribuição dos níveis de proficiência. Notavelmente, 43,8% dos estudantes brasileiros foram classificados abaixo do nível mínimo de proficiência em todas as três disciplinas tradicionais simultaneamente. Esse índice é mais que o dobro da média da OCDE, que registrou 19,7% de alunos nesta condição, evidenciando uma ampla parcela da juventude sem domínio de conhecimentos essenciais. No extremo oposto, a elite do desempenho é escassa: apenas 1,8% dos estudantes brasileiros alcançaram alto desempenho em pelo menos uma das áreas avaliadas, em forte contraste com os 11,9% registrados em média pelos países da OCDE.

Desempenho por Área: Matemática, Ciências e Leitura

A análise por disciplina no Pisa 2025 expõe os pontos de maior fragilidade do sistema educacional brasileiro. A área de Matemática permanece como a mais crítica, com o Brasil obtendo 377 pontos e classificando-se na 71ª posição entre 89 países com dados disponíveis para a disciplina. Este resultado coloca o país atrás de seis nações vizinhas na América Latina: Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia. O Brasil ficou empatado com o Líbano, superando apenas Argentina, Equador, El Salvador, República Dominicana, Paraguai e Guatemala na região.

Em Ciências, disciplina que foi o foco principal desta edição – um destaque não conferido a ela desde 2015 –, o Brasil registrou 409 pontos. Este foi o melhor resultado relativo do país, garantindo o 67º lugar entre 90 países participantes, com pontuação idêntica à do Azerbaijão e ligeiramente à frente de Jordânia e Peru. A concentração no tema de ciências sugere a importância dada por este ciclo de avaliação à capacidade de compreensão e aplicação do método científico.

Na área de Leitura, o Brasil marcou 408 pontos, situando-se na 52ª posição entre 89 países avaliados. Este resultado posiciona o país em um empate com México e Albânia, indicando uma proximidade maior com o desempenho de outras nações em comparação com as demais disciplinas. Apesar de ter registrado dois pontos a menos que na edição de 2022, essa diferença, conforme a metodologia da OCDE, não é estatisticamente relevante. A liderança global em leitura ficou com Singapura, que alcançou 535 pontos, seguida pelo conjunto de regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, com 527 pontos; Taiwan, com 508; Japão, com 503; e Macau e Coreia do Sul, ambos com 501 pontos.

Avaliação de Resolução de Problemas Computacionais e Tendências

Pela primeira vez na história do Pisa, a edição de 2025 incorporou a avaliação de Resolução de Problemas com Ferramentas Computacionais. O Brasil alcançou 406 pontos nesta nova categoria, um resultado abaixo da média de 500 pontos registrada pelos países da OCDE. Esta avaliação inédita mede a habilidade dos estudantes de resolver desafios complexos utilizando recursos como modelagem e programação, um indicativo da competência digital da nova geração.

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Imagem: g1.globo.com

De forma resumida, no universo de países e economias com resultados para cada área, o Brasil ficou em: 71º em matemática, com 377 pontos; 52º em leitura, com 408 pontos; e 67º em ciências, com 409 pontos. Apesar de algumas posições de ranking terem diminuído em comparação com 2022 (8 posições em matemática, 1 em leitura e 6 em ciências), a OCDE reitera que essa mudança de colocação não significa uma piora real no desempenho. Como as notas permaneceram estatisticamente estáveis e o número de participantes aumentou, a oscilação nas posições é uma consequência natural do cenário avaliativo expandido.

É fundamental observar que a queda no desempenho internacional da educação não é um fenômeno isolado e recente, relacionado apenas à pandemia de COVID-19. A OCDE tem alertado que o enfraquecimento dos resultados educacionais já era uma tendência antes da crise sanitária e persistiu em muitos sistemas de ensino ao redor do mundo. A matemática, em particular, continua sendo uma área de grande preocupação, com a média dos países da OCDE registrando uma queda de 22 pontos entre 2015 e 2025, o que a organização equipara a mais de um ano de aprendizagem perdida.

Para aprofundar sua compreensão sobre a metodologia e os relatórios completos do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, visite o site oficial da OCDE sobre o Pisa, onde você encontrará dados e análises detalhadas sobre a performance global e seus impactos.

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Em suma, os dados do Pisa 2025 reiteram a necessidade urgente de políticas públicas eficazes e investimentos consistentes no setor educacional brasileiro para reverter o cenário de estagnação e elevar a qualidade do ensino fundamental e médio. Para mais análises e notícias aprofundadas sobre o panorama educacional e suas implicações, continue acompanhando as publicações em nossa editoria de Análises e mantenha-se informado.

Crédito da imagem: Pillar Pedreira/Agência Senado

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