Hackers roubam Bitcoin da Liquid Network em uma audaciosa invasão que culminou no furto de impressionantes US$ 320 milhões, marcando o mais recente de uma série de incidentes que vêm corroendo a confiança na robustez e segurança dos ativos digitais. A plataforma em questão, uma blockchain fundamental para diversas exchanges de criptomoedas, teve parte de seus recursos comprometidos, gerando um prejuízo substancial no mercado.
A operadora da Liquid Network detalhou em uma publicação no X (anteriormente Twitter) que aproximadamente 4 mil dos 4,2 mil Bitcoins armazenados em uma de suas carteiras foram subtraídos. Em comunicado, a empresa sugeriu que os perpetradores podem ser classificados como “hackers white hat”, indivíduos que exploram vulnerabilidades em sistemas de segurança e frequentemente optam por restituir os ativos, por vezes em troca de uma compensação financeira.
Hackers Roubam Bitcoin da Liquid Network em Ação Milionária
“As carteiras da Liquid serão impactadas, e expressamos nossas desculpas por quaisquer transtornos causados”, declarou a Liquid Network em seu informe, esclarecendo que todas as novas transações foram imediatamente suspensas para mitigar os riscos. A federação que gerencia a rede está ativamente engajada em encontrar soluções, visando restaurar as funcionalidades operacionais o mais rápido possível e normalizar as atividades.
No desenrolar do caso, na noite de segunda-feira, 7 de setembro de 2026, conforme divulgado, Alex Thorn, figura-chave na pesquisa da Galaxy Digital Inc., empresa proeminente no universo das criptomoedas, compartilhou uma atualização crucial no X. Ele informou que os hackers procederam com a devolução de 3.400 Bitcoins. Aparentemente, os invasores reteriam para si uma quantia aproximada de 598,5 Bitcoins, equivalente a cerca de US$ 47 milhões, representando 15% do valor originalmente roubado.
Eventos Recentes Reforçam Desafios de Segurança no Ecossistema Cripto
Este incidente eleva o patamar de atenção sobre a segurança cibernética no setor de criptoativos, seguindo uma onda crescente de violações que expõem vulnerabilidades significativas. Há apenas uma semana, um invasor conseguiu desviar cerca de US$ 6 milhões de uma plataforma de empréstimos de ativos digitais que mantinha conexões com a gigante Crypto.com. Em agosto, outro ataque notável atingiu a popular carteira offline de Bitcoin Coldcard, levantando sérias questões sobre qual seria o método mais seguro e confiável para salvaguardar os bens digitais dos investidores.
Ziqing Ang, diretor de política para a região da Ásia-Pacífico na TRM Labs, comentou sobre o cenário, enfatizando a importância de uma abordagem proativa. “Embora tais eventos possam, justificadamente, abalar a confiança dos consumidores, eles servem para evidenciar os pontos críticos onde a infraestrutura de segurança exige fortalecimento. Reforçam, ainda, a premissa de que uma proteção abrangente, que cubra todos os pilares da infraestrutura, é um requisito não negociável para as entidades operacionais”, afirmou Ang.
Compreendendo a Liquid Network e a Natureza da Invasão
A arquitetura da Liquid Network, inaugurada em 2018, é fruto do trabalho da Blockstream Corp., uma corporação de tecnologia blockchain cofundada pelo criptógrafo Adam Back, um dos nomes mais respeitados entre os entusiastas do Bitcoin. Atualmente, a administração da rede é compartilhada por uma federação que agrega mais de 80 participantes, incluindo exchanges, empresas de infraestrutura tecnológica e gestoras de ativos, de acordo com as informações divulgadas pela Blockstream. Importante destacar que, até o momento da redação, tanto a Liquid Network quanto a Blockstream não emitiram respostas aos e-mails solicitando comentários sobre o ocorrido.
Conforme comunicado da própria Liquid Network via X, a remoção dos fundos ocorreu por intermédio da SideSwap, uma plataforma de liquidação devidamente autorizada para processar as transferências dentro da rede. Contudo, a empresa garantiu que a chave de acesso à rede em si não foi comprometida, apontando para uma falha específica no processo que possibilitou a retirada indevida dos Bitcoins.
Nas horas imediatamente seguintes ao anúncio do ataque pela Liquid Network, surgiram mensagens intrigantes que pareciam ser uma troca entre os próprios hackers e a Blockstream. Essas comunicações foram incorporadas a pequenas transações de Bitcoin, visíveis através dos dados monitorados pelo rastreador de blockchain Mempool. Nessas interações, os criminosos teriam prometido a devolução dos fundos assim que lhes fosse confirmado que a vulnerabilidade que exploraram havia sido completamente corrigida.
Imagem: infomoney.com.br
A funcionalidade da Liquid se manifesta como uma ‘sidechain’ – ou cadeia lateral –, que opera como uma rede paralela, especificamente designada para acelerar a liquidação de transações em exchanges. Este mecanismo é particularmente útil, pois a blockchain principal do Bitcoin pode apresentar lentidão e custos elevados em períodos de alto congestionamento. A Liquid mitiga esses desafios emitindo Liquid Bitcoin, ou L-BTC, um token que representa Bitcoins reais que são então bloqueados na rede principal, otimizando a velocidade e eficiência das operações.
A lista de usuários de destaque da Liquid, segundo a Blockstream, inclui importantes exchanges globais como BTSE e Bitfinex – que compartilha a mesma empresa controladora da Tether, líder mundial em emissão de stablecoins. A BitMEX, que havia anunciado o encerramento de suas operações para este mês, também estava entre as plataformas que utilizavam os serviços da rede.
Aneirin Flynn, CEO da FailSafe, empresa especializada em tecnologia de segurança cibernética, compartilhou sua análise inicial. Segundo Flynn, as evidências preliminares disponíveis sugerem que a invasão foi possível devido a um bug que permitia a emissão não autorizada de L-BTC, indicando uma falha de protocolo explorada pelos hackers.
Flynn conclui que esta invasão é a mais recente de uma sequência de ataques que, ao longo do ano de 2026, têm vindo a expor as fragilidades e os pontos críticos na infraestrutura que suporta o vasto universo das criptomoedas, reforçando a urgência por revisões e melhorias constantes na segurança.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em suma, o ataque à Liquid Network e o subsequente roubo de Bitcoin representam um lembrete contundente dos riscos inerentes ao ecossistema de criptoativos, mesmo em plataformas robustas e estabelecidas. A devolução parcial dos fundos, embora positiva, sublinha a contínua batalha entre inovação e segurança cibernética. Para manter-se informado sobre os últimos desdobramentos no mundo financeiro e da tecnologia, continue acompanhando a editoria de Economia do nosso blog, onde publicamos análises e notícias relevantes.
Crédito da imagem: Bloomberg L.P.


