A polêmica envolvendo a regra trans no vôlei feminino ganhou novos contornos com a declaração contundente da atleta Tifanny Abreu. Em um pronunciamento oficial divulgado no último domingo (16), a renomada oposta da equipe Osasco São Cristóvão Saúde classificou como um “enorme retrocesso” a recente política de elegibilidade imposta pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que agora restringe a participação em competições destinadas a mulheres unicamente a jogadoras que foram designadas com o sexo biológico feminino ao nascer.
Tifanny, aos 41 anos, uma figura pioneira no esporte por ser a primeira jogadora transgênero a atuar na Superliga, reiterou sua inabalável determinação em continuar atuando, desafiando a nova diretriz da confederação. “A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos”, declarou a esportista. Ela enfatizou que as implicações dessa medida transcende o impacto pessoal, atingindo diretamente seu clube, a vibrante torcida osasquense, os patrocinadores da equipe e também desmotiva inúmeros indivíduos que enxergam nela uma fonte de inspiração. Adicionalmente, Tifanny salientou que a decisão configura uma grave afronta aos direitos de toda a comunidade trans no âmbito esportivo.
Tifanny se pronuncia: “retrocesso” na regra trans vôlei CBV
A atleta expressou profunda preocupação com a orientação da confederação, afirmando que é “um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão”. Ela comparou a situação a “forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70”, referindo-se aos antigos e desrespeitosos métodos de verificação de sexo em competições esportivas. A jogadora, que milita no vôlei feminino desde 2017 e alcançou o feito histórico de ser a primeira mulher trans a sagrar-se campeã da Superliga em 2025, manifestou seu compromisso inabalável com a causa da diversidade. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, sentenciou Tifanny, sinalizando a possibilidade de ações futuras para reverter a determinação.
Mudança nos Critérios de Elegibilidade da CBV
A controvérsia em torno da participação de atletas trans no voleibol feminino foi deflagrada com o anúncio da nova política da CBV, feito na última sexta-feira (14). De acordo com a entidade, a modificação regulatória visa alinhar-se aos padrões e requisitos estabelecidos por organismos de governança global do esporte, como o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Os novos critérios de elegibilidade demandam, agora, que as jogadoras apresentem um resultado negativo para o gene SRY, um marcador genético que é frequentemente associado ao sexo masculino. Esta medida representa uma mudança substancial em relação às diretrizes anteriores, que permitiam a participação de mulheres trans desde que seus níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um limite predeterminado, um padrão que já era objeto de intensos debates na comunidade esportiva e acadêmica.
Abrangência da Nova Norma no Calendário Nacional
A nova e restritiva determinação da CBV já está em pleno vigor e terá impacto direto sobre diversas das principais competições nacionais de vôlei. Ela será aplicada nas edições deste ano da Superliga, abrangendo suas duas divisões mais importantes, bem como nas disputas da Supercopa e da Copa Brasil. Adicionalmente, o regulamento estenderá sua aplicabilidade ao Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia a partir da temporada de 2027. A amplitude de abrangência dessa política sublinha o profundo alcance das implicações sobre o cenário esportivo brasileiro e, consequentemente, sobre as carreiras das atletas transgênero que competem na modalidade.
Atuação de Tifanny e Posição da Federação Paulista
O pronunciamento de Tifanny foi divulgado no contexto da estreia do Osasco no Campeonato Paulista de vôlei, ocorrida na noite do último sábado (15). Apesar da incerteza e da comoção geradas pela nova regulamentação da CBV, Tifanny participou normalmente da partida contra a equipe do Pinheiros, realizada no Ginásio José Liberatti, em Osasco. A oposta teve uma performance notável, contribuindo com 19 pontos para seu time e sendo efusivamente celebrada pela calorosa torcida local. Contudo, a equipe osasquense não conseguiu garantir a vitória, sendo superada pelas visitantes por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, em um confronto que se estendeu por pouco mais de duas horas. A participação de Tifanny no Campeonato Paulista, mesmo após a oficialização da nova política da CBV, foi assegurada graças à intervenção da Federação Paulista de Volleyball (FPV). A FPV esclareceu que o estadual seguirá o regulamento que já estava vigente desde o início do torneio, indicando que “eventuais medidas” para futuras competições serão tomadas somente “após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde” da própria entidade. Isso demonstra a complexidade da aplicação de novas regras em campeonatos em andamento e a necessidade de tempo para adequação legal e médica.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Debate Global e as Implicações Legais no Esporte
A discussão levantada por Tifanny e a implementação da regra pela CBV refletem um debate global crescente e complexo sobre inclusão, justiça e equidade no esporte de alto rendimento. O ponto central dessa controvérsia não se restringe apenas à capacidade física ou aos níveis hormonais dos atletas, mas abrange o reconhecimento dos direitos de identidade e a proteção contra a discriminação. A Confederação Brasileira de Voleibol, ao buscar alinhamento com organismos internacionais como o COI e a FIVB, enfrenta o desafio de conciliar as diretrizes globais com o respeito à individualidade das atletas e os princípios de diversidade e direitos humanos. A exigência do resultado negativo para o gene SRY, em substituição ao controle de testosterona, aponta para uma visão mais biológica e cromossômica da elegibilidade feminina, o que tem gerado consideráveis reações por parte de ativistas, juristas e outros esportistas, que questionam a adequação e o potencial impacto discriminatório de tais medidas. Para entender melhor os debates em torno da legislação esportiva, acesse o portal do Governo Federal, uma fonte confiável para informações relevantes sobre o tema no Brasil, buscando por informações sobre legislação esportiva no Brasil.
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A manifestação de Tifanny Abreu é um marco significativo no debate sobre a inclusão de atletas transgênero no esporte brasileiro. A decisão da CBV, apesar de justificada pela busca de conformidade com diretrizes internacionais, reacende discussões cruciais sobre os limites e as responsabilidades das entidades reguladoras na garantia de um ambiente esportivo que seja ao mesmo tempo competitivo e acolhedor. É essencial que a comunidade do voleibol, e do esporte em geral, mantenha-se vigilante e participe ativamente da construção de um ambiente mais justo, respeitoso e igualitário para todos os seus participantes, independentemente de sua identidade. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre o universo do esporte em nosso blog, explorando outros temas relevantes em nossa editoria de Esporte.
Crédito da imagem: Divulgação/Osasco – @carol__fotografia

