Praias Artificiais Impulsionam Nova Onda Imobiliária Nacional

Economia

As praias artificiais representam uma inovação que tem remodelado drasticamente o mercado imobiliário brasileiro na última década. Esse conceito, até então inédito no país, atraiu a atenção de investidores e moradores ao introduzir estruturas de lazer aquático sofisticadas em ambientes residenciais, com foco em piscinas de ondas para surfe. A emergência desses empreendimentos desencadeou uma valorização notável nas regiões adjacentes, transformando o cenário de moradia e lazer em diversas localidades do Brasil.

O Brasil, consolidando-se como o principal mercado global para este tipo de equipamento, já contabiliza cerca de 15 projetos de grande porte envolvendo piscinas de ondas em fases de desenvolvimento ou operação. Essa expansão indica uma clara aceitação e demanda por parte do público, que busca opções de lazer inovadoras e próximas de suas residências, especialmente após o período de reclusão da pandemia, que estimulou a valorização de atividades ao ar livre e espaços de convívio social. Essa tendência de crescimento reflete não apenas uma evolução no setor de entretenimento, mas também uma significativa reconfiguração do mercado imobiliário de alto padrão no país, gerando oportunidades de investimento e alterando a paisagem urbana.

Praias Artificiais Impulsionam Nova Onda Imobiliária Nacional

A gênese dessa onda imobiliária foi a Praia da Grama, localizada em Itupeva, no interior de São Paulo. Inaugurada em julho de 2021, essa foi a primeira praia artificial do Brasil a integrar uma piscina de ondas exclusiva para surfe em um condomínio residencial. Com uma extensão de 160 metros de orla, a iniciativa não só modificou a dinâmica interna do empreendimento como pavimentou o caminho para uma nova era de projetos semelhantes em território nacional. O sucesso foi tamanho que a atração causou uma elevação espetacular no valor do metro quadrado dos terrenos no condomínio Fazenda da Grama, saltando de R$ 250 para impressionantes R$ 2.500, conforme aponta Mauricio Gariglia, empresário e CEO da BR Soho, uma das incorporadoras atuantes no segmento. Essa valorização expressiva demonstra o impacto transformador que um lazer inovador, como a praia artificial, pode ter sobre o mercado imobiliário regional.

Expansão e Sucesso dos Surf Parks pelo País

A proliferação de surf parks não se restringiu à pioneering Praia da Grama. Somente no estado de São Paulo, outros três grandes complexos com foco no surfe foram inaugurados ou tiveram seus títulos de sócio lançados em anos recentes. Destacam-se o empreendimento Boa Vista Village, em Porto Feliz, que iniciou suas operações em 2023, e os prestigiados São Paulo Surf Club e Beyond The Club (BTC), ambos na capital paulista, com previsão de conclusão de vendas e ativação de suas piscinas no final de 2025. Além das piscinas de ondas dedicadas ao surfe, o interior paulista também testemunhou a criação de “prainhas” focadas exclusivamente em banho em renomados resorts, como o Tauá e o Bourbon Atibaia, enriquecendo as opções de lazer em complexos hoteleiros.

Fora do eixo paulista, a febre das piscinas de ondas se espalha. Em Santa Catarina, a Surfland Brasil, situada em Garopaba, já é uma realidade e atrai surfistas de todo o país. Outros projetos ambiciosos estão em fase de construção em diferentes estados, evidenciando a capilaridade da tendência. O Brasil Surf Club, localizado em Búzios, na deslumbrante Região dos Lagos do Rio de Janeiro, promete ser um destino de surfe de elite. Paralelamente, em Sergipe, o Inzuma Resort se projeta como mais uma opção inovadora de lazer com praias artificiais, reafirmando a liderança brasileira no desenvolvimento de infraestruturas desse tipo.

Projetos de Alto Padrão e o Impacto Econômico Local

A força do segmento de praias artificiais e piscinas de ondas fica evidente nos novos lançamentos. A incorporadora BR Soho, liderada por Mauricio Gariglia, está à frente do Reserva Beach Club, um complexo recém-lançado na região de Alphaville, na Grande São Paulo. Com um investimento estimado em R$ 1 bilhão, este empreendimento colossal prevê a construção de uma praia de 25 mil metros quadrados na sua primeira fase, incorporando a tecnologia Surf Loch (EUA), capaz de produzir ondas de até dois metros de altura e receber até 50 surfistas simultaneamente. A segunda fase incluirá projetos residenciais que se beneficiarão diretamente dessa atração central.

Gariglia justifica a decisão de criar um clube completo, e não apenas um novo loteamento, pela percepção de uma carência de opções de lazer de alta qualidade na região de Alphaville. A dificuldade de deslocamento em feriados, onde uma viagem para destinos como Ilhabela pode levar até nove horas, foi um fator crucial. O Reserva Beach Club disponibiliza 4,2 mil títulos de sócio para venda, com valores que oscilam entre R$ 390 mil e R$ 690 mil, variando conforme a categoria do título. Além da praia, o complexo abrigará o exclusivo Galácticos House, um clube privado para apenas 300 associados. Este espaço de alto luxo, que contará com quadras de tênis e arenas esportivas, foi concebido pelo ex-jogador Ronaldo Nazário, que também é um dos investidores do Reserva Beach Club. Para aderir ao Galácticos House, o valor inicial é de R$ 1,1 milhão, sujeito à aprovação de um comitê de admissão.

Tecnologia e Experiência Inovadora em Surf Parks

Outro projeto que promete redefinir o conceito de praia artificial é o condomínio Fazenda Vista Verde, localizado em Araçoiaba da Serra (SP). Atualmente em fase inicial de construção, sua piscina com ondas terá uma impressionante extensão de um quilômetro e contará com tecnologia da renomada empresa espanhola Wavegarden. Esta tecnologia é reconhecida globalmente por sua capacidade de gerar mil ondas por hora, abrangendo 20 tipos distintos, garantindo uma variedade incomparável de experiências para surfistas de todos os níveis.

Dalia Estrada, diretora de Arquitetura da LN Urbanismo, responsável pelo complexo, destaca que o projeto visa oferecer “todas as experiências possíveis de uma praia artificial, além do surfe”. Um diferencial significativo será a inclusão do beach club La Susanna, que integrará o hotel VIK, uma marca internacional de luxo que fará sua estreia no mercado brasileiro com este empreendimento. A previsão de inauguração do condomínio Fazenda Vista Verde está fixada para o ano de 2027, adicionando mais um marco à expansão das praias artificiais de alto padrão no Brasil.

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Imagem: FOTOS DE RESERVA BEACH CLUB via valor.globo.com

Crescimento Acelerado e Valorização no Mercado de Clubes

A capital paulista também tem se mostrado um terreno fértil para a adesão a esses novos modelos de lazer. Na Zona Sul, o São Paulo Surf Club, desenvolvido pela JHSF, e o Beyond The Club (BTC), fruto da parceria entre KSM Realty, BTG Pactual Asset Management e Realty Properties, têm registrado um impressionante número de novos membros. O BTC, por exemplo, alcança um fluxo diário de 1,2 mil usuários nos finais de semana e cerca de 800 em dias úteis, evidenciando a forte demanda por este tipo de facilidade. Aproximadamente 70% dos três mil títulos de sócio do clube já foram comercializados, com um valor médio de R$ 900 mil.

Esses títulos garantem o uso irrestrito de áreas comuns como piscinas, academias, quadras esportivas de areia, ginásios poliesportivos e bicicletários, todos sujeitos à disponibilidade. Contudo, outras atrações premium, como a piscina de surfe, as quadras de tênis, os simuladores de esqui, golfe e automobilismo, bem como os espaços de coworking, a pista de skate e a arena de luta, exigem pagamento de taxas adicionais para uso. Adicionalmente, há uma contribuição mensal de R$ 2,45 mil por título, destinada a cobrir as despesas operacionais e de manutenção do clube, refletindo a complexidade e a qualidade da infraestrutura oferecida.

Impacto Direto no Mercado Imobiliário Local

O impacto dos clubes com piscinas de ondas no mercado imobiliário local é inegável e já foi amplamente percebido. No entorno do Beyond The Club (BTC), por exemplo, os bairros registraram uma valorização imobiliária que chegou a 80% desde o anúncio do empreendimento em 2022. Esse crescimento exponencial valida a visão de José Luiz Lemos, sócio do escritório aflalo/gasperini arquitetos, responsável pelo conceito do BTC. Lemos descreve o projeto como “disruptivo, grandioso e complexo de fazer”, mas salienta que a piscina de ondas atua como uma âncora fundamental, não só gerando outros negócios, mas também agregando valor ao empreendimento e contribuindo para sua autossustentabilidade financeira.

Ele observa que todos os clubes na cidade de São Paulo experimentaram um aumento significativo na demanda nos últimos anos. No contexto específico das praias artificiais, Lemos ressalta que esses ambientes são catalisadores para o convívio social e o bem-estar ao ar livre, aspectos que se tornaram ainda mais valorizados pela população no período pós-pandemia. A procura por espaços que conciliam lazer de qualidade, natureza e segurança tem impulsionado a criação e a valorização desses oásis urbanos, moldando um novo perfil para o mercado de alto luxo e entretenimento.

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Em suma, as praias artificiais no Brasil são mais do que meras estruturas de lazer; elas são catalisadores de uma nova dinâmica para o mercado imobiliário, promovendo valorização e inovação em condomínios e clubes de alto padrão. Essa tendência promete continuar crescendo, oferecendo experiências exclusivas e transformando paisagens urbanas e rurais. Continue explorando nosso conteúdo sobre Economia para se manter atualizado sobre as últimas tendências e desenvolvimentos que impactam o seu dia a dia.

Crédito da imagem: KSM REALTY/DIVULGAÇÃO

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