Voepass ex-diretor indiciado abre nova empresa

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Um ano após a tragédia aérea que resultou na morte de 62 pessoas, o Voepass ex-diretor indiciado abre nova empresa de serviços aeronáuticos em Ribeirão Preto (SP). Eric Cônsoli, antigo diretor de manutenção da Voepass e um dos dezesseis indiciados pela Polícia Federal no inquérito da queda do voo 2283, estabeleceu sua nova empreitada em julho de 2025. Os registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) confirmam a criação da companhia, localizada inclusive no que era anteriormente um dos hangares da própria Voepass.

A nova empresa de Eric Cônsoli, a RP Aviation, embora com sede no interior paulista, atua exclusivamente com atividades auxiliares de transporte aéreo executivo. Seu portfólio de serviços inclui estacionamento de aeronaves, operações de abastecimento, importação de peças sob demanda específica, serviços de manutenção e oferta de seguro aeronáutico. É importante ressaltar que a companhia não está autorizada e não opera voos comerciais ou executivos.

Voepass Ex-diretor Indiciado Abre Nova Empresa Após Tragédia Aérea

A Polícia Federal, questionada sobre qualquer possível ligação da empresa recém-aberta com o sinistro aeronáutico investigado, esclareceu que seu inquérito está focado exclusivamente nos eventos que culminaram no desastre aéreo ocorrido em Vinhedo (SP). Essa distinção sugere que, para os investigadores, as atividades empresariais posteriores dos indiciados não são consideradas relevantes para a elucidação do acidente. Além de Cônsoli, outros nomes que enfrentam acusações no âmbito da investigação continuam ativos no setor aéreo, o que levanta discussões sobre a continuidade profissional em meio a processos criminais dessa natureza.

Tiago Passucci Morani, engenheiro mecânico aeronáutico que exercia a função de inspetor-chefe da Voepass e era responsável pela validação de liberações técnicas na época do desastre, hoje ocupa um cargo de gerência de planejamento e aeronavegabilidade. Ele atua em uma empresa que oferece serviços especializados para diversas companhias aéreas. Outro nome relevante entre os indiciados é Oderlino de Campos Figueiredo, que, até abril de 2025, trabalhava como despachante operacional de voo na Voepass e atualmente desempenha a mesma função em uma empresa de transporte aéreo de cargas sediada em Campinas (SP).

A Justiça brasileira impôs rigorosas medidas cautelares a todos os dezesseis profissionais indiciados pela Polícia Federal. Apesar de não serem considerados foragidos e terem prestado depoimento em diversas ocasiões, eles estão judicialmente impedidos de deixar o território nacional. Seus nomes foram inclusos nos sistemas de controle migratório, visando impedir qualquer tentativa de saída não autorizada do Brasil. A Polícia Federal de Campinas (SP), por meio do delegado André Ribeiro, assegurou que, por estarem sendo cumpridas as medidas cautelares, não houve necessidade, até o momento, da decretação de prisões preventivas. A apuração jornalística revelou que um dos investigados está provisoriamente fora do país, mas formalmente se comprometeu com as autoridades a retornar para prestar todos os esclarecimentos necessários, indicando a colaboração contínua com a investigação.

A Tragédia do Voo 2283 e as Conclusões do Inquérito Voepass

O fatídico desastre aéreo com o voo 2283 da Voepass aconteceu em 9 de agosto de 2024. A aeronave, um modelo ATR 72-500, sofreu uma queda abrupta em um condomínio localizado em Vinhedo, no interior de São Paulo, causando a morte de todas as 58 pessoas a bordo e dos 4 tripulantes, totalizando 62 vítimas. A investigação conjunta da Polícia Federal e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o acidente foi o resultado complexo de uma série de fatores interligados. Dentre eles, foram apontadas falhas técnicas, condições meteorológicas adversas e uma condução operacional por parte da tripulação considerada insuficiente, que agravaram a situação crítica.

Um ponto crucial revelado pelo inquérito da Polícia Federal foi a identificação de uma “cultura de não reporte” no âmbito da companhia aérea. Segundo a investigação, havia uma prática sistêmica de omitir dos registros oficiais falhas de natureza crítica, notadamente aquelas relacionadas ao sistema de degelo das aeronaves. O objetivo principal dessa omissão, de acordo com as conclusões, seria evitar que as aeronaves fossem retidas em solo para manutenção, buscando manter a operacionalidade a qualquer custo. Tal prática, ao comprometer seriamente a segurança operacional, contribuiu significativamente para o cenário que antecedeu o acidente.

Ao cabo de quase dois anos de investigação meticulosa, a Polícia Federal optou por indiciar um total de dezesseis profissionais ligados à Voepass. A lista inclui desde o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, até diretores, gerentes, mecânicos e despachantes operacionais. Eles estão respondendo criminalmente por “atentado contra a segurança do transporte aéreo”, uma infração penal descrita no artigo 261 do Código Penal. Este crime, que trata de expor a perigo uma aeronave ou de dificultar a navegação aérea, prevê penas de reclusão que variam de 2 a 5 anos. No entanto, o Código estabelece agravantes severas: em casos onde há a queda ou destruição da aeronave, a pena sobe para 4 a 12 anos, e se resultar em morte, a pena pode ser aplicada em dobro. José Luiz Felício Filho, em depoimento aos investigadores, chegou a admitir que a aeronave em questão não se encontrava nas condições ideais e não deveria, em hipótese alguma, ter sido liberada para o voo fatal.

Paralelamente às investigações criminais, a Voepass enfrentava uma grave crise financeira, acumulando dívidas superiores a R$ 400 milhões. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), diante do quadro geral e das conclusões das investigações, decidiu cassar de forma definitiva o Certificado de Operador Aéreo (COA) da companhia em junho de 2025, selando o fim das operações aéreas da Voepass e sua atuação no mercado de transporte de passageiros.

Desdobramentos e Próximos Passos da Investigação Voepass

Com a finalização e entrega do relatório da Polícia Federal, o processo investigatório entra em uma nova fase crucial. O caso está agora sob a análise aprofundada do Ministério Público Federal (MPF), que será o responsável por avaliar as provas e decidir sobre o oferecimento da denúncia formal à Justiça, dando seguimento à ação penal. A complexidade do tema e a repercussão pública demandam uma análise rigorosa das acusações e indícios apresentados para que se chegue a um veredito justo. Mais informações sobre os princípios de segurança operacional na aviação podem ser encontradas em fontes como o site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão regulador do setor.

Além das ações criminais, a Polícia Federal não se limitou a encaminhar as investigações para a esfera judicial. A corporação também apresentou representações administrativas junto à Anac, solicitando uma medida preventiva importante: a suspensão do CANAC – a identificação profissional dos membros da aviação civil – dos dezesseis indiciados. A motivação por trás desse pedido é impedir que os envolvidos continuem exercendo atividades na aviação civil enquanto o desfecho da ação penal não se concretiza, mitigando o risco potencial demonstrado à segurança operacional do setor aéreo.

Um aspecto notável do desdobramento da investigação é que a PF foi além e requisitou que o próprio MPF examine a conduta de integrantes da Anac. A solicitação visa apurar a possível responsabilidade por atuação deficiente ou omissa por parte da agência reguladora. De acordo com as apurações da investigação, inspetores da Anac já teriam tido conhecimento de problemas crônicos relacionados ao sistema de degelo da aeronave que veio a cair, meses antes do acidente. Apesar disso, tais informações não teriam resultado na suspensão das operações da aeronave, permitindo sua continuidade. Em decorrência dessa constatação, uma cópia integral dos autos do processo foi encaminhada à Procuradoria da República no Distrito Federal, com o intuito específico de investigar possíveis crimes de prevaricação ou de improbidade administrativa que poderiam ter sido cometidos por agentes do órgão regulador.

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Este aprofundamento na investigação sobre a queda do voo 2283 da Voepass e os desdobramentos na vida profissional dos indiciados revela a complexidade do caso e os desafios constantes da segurança aeronáutica no Brasil. Para continuar acompanhando os detalhes e as análises sobre o setor aéreo e outros temas de grande relevância nacional, incluindo notícias e desdobramentos nas regiões afetadas, visite nossa seção de Cidades, onde publicamos atualizações e análises detalhadas.

Crédito da imagem: Reprodução/Linkedin Eric Cônsoli, Sérgio Oliveira/EPTV, Reprodução Indiciados, Jornal Nacional/ Reprodução, Arte/g1, Gabriella Ramos/g1

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