O ex-ministro da Fazenda e atual candidato ao governo de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad defende superávit primário que proteja a base da pirâmide. Esta declaração, feita nesta sexta-feira (7), enfatiza que as contas públicas devem ser equilibradas sem comprometer os segmentos mais vulneráveis da população. O comentário de Haddad ocorreu em um contexto de debate sobre os desafios econômicos que um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentaria, reforçando a necessidade de uma abordagem fiscal socialmente responsável e que fomente o crescimento.
Apesar de não estar diretamente envolvido na formulação do plano de governo petista para a Presidência da República, Fernando Haddad aproveitou a ocasião para criticar abertamente o que ele classifica como o ajuste fiscal tradicionalmente defendido por agentes do mercado financeiro, especialmente os da “Faria Lima”. Segundo o ex-ministro, essa metodologia, pautada primariamente em cortes de gastos de natureza abrangente, frequentemente impede o pleno desenvolvimento econômico do país, impactando diretamente o poder de compra e o bem-estar social.
Haddad: Superávit primário deve proteger base da pirâmide
Em sua participação na sabatina focada em questões de saúde, promovida pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) em conjunto com a FeSaúde (Federação do Setor), Haddad articulou com clareza os pontos negativos do ajuste fiscal que desconsidera as necessidades sociais. Ele argumentou que tal política fiscal tipicamente leva ao congelamento de importantes indicadores como o salário mínimo e a tabela do imposto de renda, além de resultar na diminuição de investimentos em áreas essenciais como saúde e educação. A consequência direta desse tipo de política, conforme Haddad, é a redução do dinheiro circulante entre as famílias de baixa renda, o que, por sua vez, deprime o consumo e desacelera o crescimento da economia como um todo. A visão do candidato sugere que a reconstrução do superávit primário deve vir acompanhada de estratégias que preservem e fortaleçam o tecido social e a capacidade produtiva da nação.
A política fiscal se mantém como um dos principais eixos de preocupação e análise por parte de economistas e agentes do mercado financeiro, especialmente ao se considerar a perspectiva de um potencial quarto mandato de Lula. As semanas que antecederam as declarações de Haddad foram marcadas por intensos esforços da cúpula política da campanha petista para restabelecer canais de comunicação com o mercado, visando apaziguar temores relacionados à possível direção da economia brasileira. Essa busca por reconstruir a confiança e desmistificar percepções sobre as intenções do governo é fundamental para criar um ambiente de previsibilidade e atrair investimentos, elementos cruciais para a estabilidade e o crescimento econômico do Brasil.
Ainda durante a sabatina, Haddad expandiu suas críticas para medidas implementadas pelo governo de Jair Bolsonaro. Entre as ações pontuadas, destacam-se a venda da Eletrobrás e o controverso adiamento no pagamento de precatórios, efetivado por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) durante a gestão anterior. Com um tom contundente, Haddad afirmou: “Fazer superávit dando calote em precatório e patrimônio é fácil. O estoque de patrimônio público da União para vender. Você não vai reconstruir a economia do Estado assim”. A fala do ex-ministro sublinha sua visão de que o verdadeiro superávit primário deve ser resultado de uma gestão eficiente e transparente, sem recorrer a expedientes que descapitalizam o Estado ou ignoram obrigações financeiras, essenciais para a saúde econômica a longo prazo.
A participação de Fernando Haddad na sabatina também tocou em tópicos relevantes para a corrida eleitoral no estado de São Paulo, onde ele disputa o cargo de governador. O ex-ministro fez uma observação intrigante sobre as eleições estaduais, indicando que a expectativa de o pleito terminar em primeiro turno seria uma “questão matemática”. Essa colocação veio em resposta a um comentário prévio de seu colega de chapa e candidato a vice, Márcio França (PSB-SP), que havia admitido, dois dias antes, em entrevista ao SBT News, a possibilidade de a eleição ser resolvida em 4 de outubro.
Haddad, no entanto, foi rápido em contextualizar e esclarecer a declaração de França. Ele explicou que a menção do vice não se referia a uma previsão de quem seria o vitorioso no primeiro turno, mas sim a uma análise puramente matemática da dinâmica eleitoral, considerando a existência de apenas dois candidatos com chances reais de competitividade. “O Márcio não falou isso fazendo uma previsão de quem vai ganhar, é questão matemática a eleição acabar em primeiro turno uma vez que só tem dois candidatos”, reiterou Haddad. Essa interpretação ressalta a percepção de que, independentemente do número de nomes na urna, a polarização do cenário direciona o foco para os principais competidores.

Imagem: Infoglobo via valor.globo.com
Apesar da análise de Haddad sobre a “questão matemática” dos “dois candidatos” na disputa pelo governo paulista, é importante notar que a eleição conta com a participação de outros concorrentes, mesmo que de partidos considerados nanicos. Candidatos como Vera Lúcia (PSTU), Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (UP) também estão no páreo, embora com pontuações mais modestas. A última pesquisa Genial/Quaest sobre o pleito estadual, divulgada em 29 de julho, revelou que esses nomes alcançavam entre 1% e 3% das intenções de voto. Na mesma pesquisa, o então governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) liderava com 41%, enquanto Fernando Haddad aparecia em segundo lugar, com 26%, solidificando a imagem de uma disputa polarizada, mas com uma base de eleitores pulverizada entre diversas opções políticas.
Para uma compreensão mais aprofundada sobre como o superávit primário e outras políticas fiscais impactam o cenário econômico nacional, leia este artigo no G1 Economia.
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Em síntese, Fernando Haddad posiciona a discussão sobre o superávit primário como um pilar central para a governança futura do PT, defendendo um equilíbrio fiscal que não apenas sustente a economia, mas que, sobretudo, ampare a base da pirâmide social e fomente o crescimento de forma sustentável. Suas declarações traçam um claro contraste com abordagens que priorizam cortes de gastos indiscriminados e questionam métodos que implicam em desinvestimento de patrimônio público ou adiamento de dívidas para cumprir metas orçamentárias. Além da pauta econômica, o ex-ministro se manifesta ativamente sobre a dinâmica eleitoral paulista, refletindo a multiplicidade de temas que marcam sua agenda política. Para continuar informado sobre os principais desenvolvimentos políticos e econômicos em nosso país, convidamos você a explorar mais conteúdo em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Agência Brasil
