A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5), aponta uma eleição presidencial com o cenário do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em acirramento significativo. No primeiro turno, o presidente e candidato à reeleição, Lula, mantém a liderança com 39% das intenções de voto, enquanto o senador e também presidenciável, Flávio Bolsonaro, registra 30%. Comparativamente, a diferença entre os dois principais postulantes à cadeira presidencial diminuiu de 12 para 9 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, divulgado em julho.
No cenário de um eventual segundo turno, que concentra grande parte da atenção e análise eleitoral, Lula alcança 44% das intenções, e Flávio Bolsonaro aparece com 39%. Tal configuração evidencia que a vantagem do petista, outrora mais confortável, reduziu de 8 para 5 pontos percentuais, sinalizando uma aproximação entre os candidatos. Este dado sublinha a tendência de maior competitividade na corrida presidencial, confirmada pelo Instituto Genial/Quaest.
Lula e Flávio 2º Turno: Pesquisa Genial/Quaest Revela Disputa Mais Acirrada
A margem de erro da pesquisa Genial/Quaest é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, fator que introduz uma faixa de incerteza nas projeções, mas não altera a percepção geral de um embate cada vez mais estreito. Além dos dois nomes mais proeminentes, outros candidatos somam 13% das intenções no primeiro turno, um percentual que se mantém estável desde maio. Entre eles, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) registram 4% cada. Romeu Zema (Novo) alcança 2%, enquanto Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) possuem 1% cada um, com os demais nomes testados não pontuando.
Importante ressaltar que o partido Mobiliza, ao qual Cabo Daciolo é filiado, havia anunciado em 4 de agosto que não apresentaria candidato à presidência, declarando neutralidade na disputa. O levantamento também indica que 10% dos eleitores se declaram indecisos, e outros 8% manifestam intenção de votar em branco, anular o voto ou simplesmente não comparecerão às urnas. Esses contingentes representam uma parcela significativa do eleitorado, com potencial para influenciar decisivamente o desfecho eleitoral.
A análise da série histórica revela a dinâmica de encolhimento da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno ao longo dos meses. Em junho, o presidente tinha 6 pontos de frente (44% a 38%). Em julho, a diferença cresceu para 8 pontos (45% para Lula, 37% para Flávio). Atualmente, a distância se reduziu para os já mencionados 5 pontos. Aplicando a margem de erro, o candidato do PT varia entre 42% e 46%, enquanto o senador do PL flutua entre 37% e 41%. Vale lembrar que em abril, Flávio estava numericamente à frente com 42% contra 40% de Lula. Já em maio, houve um empate técnico, com ambos os candidatos apresentando números próximos, 42% e 40% respectivamente.
Flávio Bolsonaro Avança Entre Independentes, Lula Perde Espaço
Um dado crucial revelado pela pesquisa aponta uma considerável queda de intenções de voto para Lula entre os eleitores “independentes”. Este grupo, que não se alinha de forma consistente nem ao lulismo nem ao bolsonarismo, é visto como fundamental para definir o resultado das eleições. No mês de julho, o petista detinha 40% de apoio neste segmento; hoje, essa porcentagem caiu para 33%. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro demonstrou avanço, passando de 27% para 30% entre esses eleitores estratégicos. O senador do PL também registrou recuperação significativa na fatia do eleitorado de direita que, embora se identifique com a direita, não é abertamente bolsonarista, subindo de 74% para 81% nesta demografia.
A pesquisa Genial/Quaest foi além da disputa principal, testando outros cenários de segundo turno. Em um confronto com Ronaldo Caiado, Lula venceria por 45% a 37%, sendo que Caiado tinha 36% em julho. Nesse cenário, 14% dos eleitores votariam em branco/nulo ou não votariam, e 4% permaneceriam indecisos. Contra Romeu Zema, Lula alcançaria 46% contra 34% de Zema, que apresentava 35% no levantamento anterior. Neste caso, 16% optariam por branco/nulo/não voto, e 4% se manteriam indecisos. Em uma eventual disputa com Renan Santos, o presidente obteria 45% das intenções, enquanto Renan registraria 35%, um avanço de dois pontos em relação aos 33% de julho. Aqui, os votos em branco/nulo/não voto somam 16%, e os indecisos representam 4%.
Análise Detalhada dos Recortes do Eleitorado
A análise por recortes demográficos fornece uma compreensão aprofundada das bases de apoio de cada candidato. No segundo turno, Lula demonstra força particular no Nordeste (64%), entre beneficiários do Bolsa Família (62%), pretos (61%), eleitores com ensino fundamental (55%), aqueles que ganham até dois salários mínimos (54%) e católicos (49%). No recorte de gênero, Lula obtém 47% das intenções entre as mulheres.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro se destaca na região Sul (56%), entre os evangélicos (49%), brancos (46%), indivíduos com renda igual ou superior a cinco salários mínimos (44%) e eleitores com ensino superior (45%). Tais números revelam a complexidade e a polarização que permeiam o cenário eleitoral brasileiro.

Imagem: Marcelo Camargo via valor.globo.com
O período de coleta da pesquisa coincidiu com eventos políticos de grande relevância, impactando a percepção pública dos candidatos. Entre estes, destaca-se a formalização das candidaturas à Presidência, por meio das convenções partidárias, e a divulgação de investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também no mesmo período, foi noticiado o contrato do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro, no valor mínimo de R$ 500 mil, com uma empresa associada ao Banco Master. Essa revelação reforçou os indícios de conexão do parlamentar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então proprietário da instituição financeira já extinta. Além disso, a campanha oficial de Lula teve seu lançamento, contando com a participação de governadores e de proeminentes figuras políticas de esquerda em nível nacional.
Rejeição de Candidatos e Percepções Eleitorais
Os índices de rejeição também são cruciais para entender o panorama eleitoral. O presidente Lula tem 52% de rejeição, um aumento em comparação aos 50% registrados em julho. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é rejeitado por 54% dos eleitores, número que representa uma queda em relação aos 57% do mês anterior. Ronaldo Caiado possui 34% de rejeição, Romeu Zema, 32%, e Renan Santos, 20%. A pesquisa espontânea, onde os nomes não são apresentados, mostra Lula com 25% (redução de 1% em relação ao levantamento anterior), Flávio Bolsonaro com 18% (um avanço de 4% em relação aos 14% anteriores) e o número de indecisos caindo de 54% para 51%.
Quando questionados sobre a continuidade do mandato presidencial, 55% dos entrevistados afirmam que Lula não merece mais quatro anos na Presidência, em contraste com os 41% que avaliam positivamente sua permanência, e 4% que não responderam. No levantamento anterior, essas porcentagens eram de 51% e 45%, respectivamente, indicando uma mudança na percepção. Em outra pergunta-chave sobre temores, 44% dos eleitores expressam mais medo do retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 41% se preocupam mais com a reeleição de Lula. Um percentual de 7% teme ambos os cenários, 3% não teme nenhum, e 5% não responderam.
Em relação à definição do voto, a pesquisa mostra que para 69% dos eleitores a escolha já é definitiva, enquanto 31% ainda consideram a possibilidade de mudar de voto. Diversos tópicos atuais e eventos recentes foram incluídos nos questionamentos para aferir sua repercussão, como a reconciliação pública entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, a presença do presidente argentino Javier Milei na convenção nacional do PL e as decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A percepção sobre um eventual apoio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à candidatura de Flávio Bolsonaro também foi avaliada. Na convenção do PL, a campanha de Flávio Bolsonaro deu destaque a Milei, e exibiu um vídeo gerado por Inteligência Artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que levantou questionamentos jurídicos dada a situação prisional de Bolsonaro. As trocas de mensagens nas redes sociais entre Flávio e Michelle, buscando mostrar uma reconciliação, ocorreram após tensões causadas por um vídeo anterior da ex-primeira-dama criticando seu enteado.
Os dados para a pesquisa Genial/Quaest de agosto foram coletados pela Genial Investimentos e o estudo está registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06591/2026. Foram ouvidos 2.004 eleitores em território nacional, entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. O levantamento ostenta um nível de confiança de 95%, garantindo a solidez dos resultados apresentados para uma fonte oficial sobre eleições.
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Foto: Reprodução/Pesquisa Genial/Quaest
