Uberaba: cidade líder em afetados por desastres naturais em MG

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Uberaba registra o maior contingente de pessoas afetadas por desastres naturais em Minas Gerais no período entre 2015 e 2025. O levantamento, divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e embasado nas informações do Atlas Digital de Desastres no Brasil, revela que aproximadamente 339 mil indivíduos no município foram impactados diretamente por eventos climáticos extremos ao longo da década analisada. Os números posicionam a cidade à frente de Januária, com cerca de 284 mil pessoas atingidas, e Minas Novas, que registrou 183 mil afetados.

Embora o estudo contemple incidentes como chuvas intensas, enxurradas, incêndios florestais e ondas de calor, é a estiagem que preponderantemente justifica o elevado número de habitantes de Uberaba afetados. Dos 339.990 moradores diretamente impactados por desastres naturais na última década, uma expressiva maioria, totalizando 337.839, sofreu as consequências de episódios de seca e estiagem. Durante o mesmo intervalo, a localidade também contabilizou duas ocorrências de precipitações volumosas, seis enxurradas, um incêndio de grande proporção em área florestal e uma manifestação de onda de calor associada à reduzida umidade do ar.

Uberaba: cidade líder em afetados por desastres naturais em MG

A vulnerabilidade da cidade diante da estiagem foi detalhada pelo geógrafo William Borges, que aponta a dependência crítica do rio Uberaba como principal manancial e a limitada quantidade de pontos de captação de água como fatores decisivos. Essa estrutura amplifica os efeitos adversos nos períodos de seca prolongada. “Uma parte substancial da população depende de uma única fonte hídrica. Quando o sistema hidrológico entra em estado de estresse devido à estiagem, o impacto no abastecimento urbano torna-se mais severo”, explicou Borges.

O especialista também enfatizou que a recuperação dos mananciais não ocorre de maneira imediata após o retorno das chuvas, necessitando de um tempo adequado para que os reservatórios e rios recomponham suas vazões. Para mitigar essa vulnerabilidade, o geógrafo sugere a ampliação das fontes de abastecimento. Ele defende a implantação de um sistema de captação complementar em um curso d’água de maior porte, como o rio Grande, para servir de alternativa em momentos de crise hídrica no rio Uberaba. Borges exemplificou a situação de Uberlândia, que conta com três pontos de captação – Bom Jardim, Uberabinha e Sucupira –, garantindo maior segurança hídrica, em contraste com o crescimento populacional de Uberaba sem o devido acompanhamento na infraestrutura de abastecimento.

O histórico recente serve para ilustrar a análise do levantamento. Em 2015, um forte veranico no início do ano resultou em perdas significativas, estimadas entre 30% e 50% das lavouras da região, levando a Prefeitura de Uberaba a declarar estado de emergência. O veranico, fenômeno climático de dias consecutivos de sol intenso, tempo seco, ausência de chuvas e temperaturas de 3°C a 5°C acima da média, demonstrou o potencial devastador da escassez hídrica.

Em 2024, a cidade de Uberaba enfrentou aproximadamente cinco meses sem chuvas relevantes, compreendendo o período entre maio e setembro. A drástica redução da vazão do rio Uberaba forçou a Prefeitura a emitir um decreto de situação de emergência para o abastecimento de água, implementar multas por desperdício e obter o reconhecimento federal da emergência. Simultaneamente, as elevadas temperaturas, exacerbadas pelos efeitos do El Niño, motivaram outro decreto de emergência, com duração de 180 dias, visando à prevenção e ao combate de incêndios florestais.

A escassez hídrica se repetiu em 2025. A contínua diminuição da vazão do principal manancial de abastecimento compelir a Prefeitura a reiterar o decreto de emergência hídrica. Consequentemente, foram implementadas manobras de contingenciamento e aplicação de sanções financeiras pelo desperdício de água tratada, sublinhando a gravidade da situação em relação aos desastres naturais em Uberaba.

Contrastando com os anos anteriores, o cenário em 2026 apresenta-se de maneira distinta. De acordo com a Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau), até o momento não houve a necessidade de acionar o Plano de Contingenciamento do Abastecimento de Água, nem de empregar o sistema de transposição do rio Claro para incrementar a vazão do rio Uberaba. Recentemente, um sábado (26) registrou precipitação no município, mesmo em fase de estiagem. Já no domingo (27), a vazão do rio Uberaba alcançava mais de 1.900 metros cúbicos por segundo, conforme dados da Codau, o que permitiu a manutenção do abastecimento sem a urgência de medidas emergenciais.

Em resposta à crescente preocupação com os questões de vulnerabilidade ambiental, a Prefeitura de Uberaba, por meio de nota oficial, esclareceu que tem intensificado suas estratégias de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Dentre as iniciativas, destaca-se a fundação do Comitê de Efeitos Climáticos, encarregado de integrar políticas públicas voltadas à segurança hídrica e à gestão de eventos climáticos extremos. A administração municipal salientou que a “Operação de Enfrentamento do Período de Estiagem” é uma de suas principais ações, compreendendo o monitoramento de áreas sensíveis, fiscalização preventiva, campanhas de sensibilização e mapeamento dos cursos d’água para direcionar as intervenções de gerenciamento de riscos.

No setor de abastecimento, a Prefeitura informou que a Codau realiza monitoramento diário da vazão do rio Uberaba e do consumo de água. Além disso, a companhia está desenvolvendo a infraestrutura para o sistema de transposição do rio Claro, que visa complementar a vazão do manancial principal, e está concluindo a implantação de dois novos poços profundos. Estes deverão elevar a capacidade de produção de água do município em aproximadamente 120 litros por segundo, reforçando a resiliência hídrica de Uberaba.

Adicionalmente, o Plano de Contingenciamento de Abastecimento de Água está em sua fase final de análise pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (Arisb-MG). O novo Plano Diretor de Uberaba, publicado em julho de 2026, incorpora diretrizes ambientais robustas e medidas para o enfrentamento das alterações climáticas, enquanto o Plano de Arborização busca a expansão das áreas verdes urbanas.

O vice-prefeito e presidente do Comitê de Efeitos Climáticos, Mauricinho de Sá, reiterou que os dados sublinham a importância de um planejamento contínuo e integrado. “Nossa atuação foca na prevenção, monitoramento e planejamento integrado. Estamos aprimorando instrumentos técnicos e investindo em ações para aumentar nossa eficácia frente aos períodos de estiagem, queimadas e eventos de chuva intensa, desafios constantes em relação aos desastres naturais em Uberaba“, declarou.

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A situação de Uberaba desastres naturais realça a complexidade dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e a urgência de planejamento e investimento em infraestrutura. Para mais análises sobre a gestão de cidades, urbanismo e impacto de eventos naturais no desenvolvimento regional, continue acompanhando a editoria de Cidades em nosso blog.

Crédito da imagem: Codau/Divulgação

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