Um morador de rua agredido e queimado em Ribeirão Preto está internado em estado grave no Hospital das Clínicas da cidade paulista, após um ataque brutal no último domingo, dia 26. Cleyton Lima Nogueira, que vive em situação de rua e sobrevive com a coleta de recicláveis, sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau, atingindo 20% de seu corpo, em uma agressão que seu irmão, o motorista Anderson Lima Nogueira, descreve como incompreensível e covarde. Anderson relata profunda tristeza e perplexidade diante da violência gratuita. “Ele não tinha briga com ninguém”, afirma o irmão, destacando a natureza pacífica de Cleyton.
De acordo com Anderson, seu irmão levava uma vida reclusa nas ruas, concentrando-se em sua atividade de reciclagem. “Ele era uma pessoa boa, não brigava com ninguém, andava sempre sozinho, com saquinho dele, catando a reciclagem dele. Não tinha briga com ninguém”, reiterou Anderson, ressaltando o comportamento pacífico de Cleyton antes do incidente que chocou a família e a comunidade local. A ausência de inimizades torna o crime ainda mais estarrecedor para o motorista, que busca entender os motivos por trás da violência.
Morador de Rua Agredido e Queimado em Ribeirão Preto Está Grave
Este grave incidente marca o segundo caso de agressão severa contra indivíduos em situação de rua registrado na mesma semana em Ribeirão Preto. A cidade vivencia uma preocupante escalada de violência contra essa população vulnerável, visto que, em outra ocorrência recente, uma vítima de 33 anos foi assassinada a tiros em plena calçada após ser agredida. Diante deste cenário alarmante, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já se manifestou, cobrando das autoridades policiais e judiciais uma investigação célere e rigorosa, com o objetivo de identificar os responsáveis e aplicar as devidas punições. O representante da OAB enfatiza a importância de que crimes como esses não permaneçam impunes, exigindo justiça para as vítimas e suas famílias, bem como ações concretas para proteger os direitos humanos dos cidadãos em situação de vulnerabilidade, conforme reiterado por entidades defensoras de direitos humanos como o Conselho Nacional de Justiça, que destaca a proteção a minorias em diversas iniciativas e políticas de amparo social e legal no Brasil.
Cleyton passou a viver nas ruas há algum tempo, consequência de problemas relacionados à dependência química, conforme relatado por Anderson. Apesar das dificuldades inerentes a essa condição, o morador de rua esforçava-se para manter-se, dedicando-se à coleta de materiais recicláveis como sua principal forma de subsistência. A vulnerabilidade de sua situação nas ruas, entretanto, o expôs a riscos inimagináveis, culminando no terrível ataque que o deixou à beira da morte.
O ataque a Cleyton Lima Nogueira foi narrado em detalhes pelo próprio. Segundo Anderson, o irmão conseguiu relatar que no domingo fatídico, pelo menos quatro indivíduos em um veículo se aproximaram, o abordaram e o forçaram a entrar no carro. Em seguida, Cleyton foi levado para um terreno afastado, onde havia um galpão. Lá, os agressores o espancaram violentamente antes de atear fogo em seu corpo. O depoimento de Cleyton aponta para um ato premeditado e de extrema crueldade por parte dos criminosos.
Apesar da brutalidade da agressão, Cleyton encontrou forças para resistir e buscar ajuda. Conforme o irmão Anderson, ele conseguiu se desvencilhar dos agressores e, desesperado, iniciou uma fuga. Durante a corrida, ele tirou as roupas em chamas. Nesse trajeto, Cleyton encontrou apoio de alguém que rapidamente acionou o resgate. “Ele tirou a roupa, saiu desesperado correndo e nesse trajeto conseguiu a ajuda de alguém que chamou o resgate pra ele”, narra Anderson, sublinhando a coragem de seu irmão e a solidariedade inesperada em um momento de extremo desespero.

Imagem: g1.globo.com
Internado em um centro médico especializado, Cleyton Nogueira está recebendo tratamento intensivo. “O estado dele é grave, teve queimadura de segundo e terceiro grau, 20% do corpo, mas está em um ótimo hospital, estão cuidando muito bem dele”, afirmou Anderson. Embora esperançoso quanto à recuperação física, Anderson não consegue esconder a indignação e a tristeza. Ele acredita na justiça, mas reflete sobre a desumanidade do ato. “Eu fico triste, não só porque é meu irmão, mas por conta de um ser humano fazer uma coisa dessa com um ser humano. É complicado, eu não sei nem falar”, lamentou, adicionando um ponto importante à discussão sobre a percepção social dos indivíduos em situação de rua. “Muitos que vivem em rua é por conta de droga, eles também têm família, têm mãe que sofre, têm irmão. Eles não estão lá porque querem.”
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
O caso de Cleyton Lima Nogueira e o aumento da violência contra pessoas em situação de rua em Ribeirão Preto demandam atenção urgente das autoridades e da sociedade civil. A expectativa é que as investigações levem à identificação e punição dos responsáveis, reforçando a importância da proteção aos mais vulneráveis e da garantia de dignidade humana para todos os cidadãos. Continue acompanhando as atualizações sobre este e outros casos de destaque em nossa editoria de Cidades, onde cobrimos os principais acontecimentos da sua região.
Crédito da imagem: Reprodução/EPTV

