Claudia Raia desvenda vida ‘horrorosa’ de Tarsila do Amaral

Economia

A vida de Tarsila do Amaral, a renomada pintora modernista, é descrita como “horrorosa, marcada pela perda” pela atriz e produtora Claudia Raia. Em um momento de celebração pessoal, ao se aproximar dos 60 anos em dezembro, Raia reflete sobre sua própria jornada enquanto destaca as adversidades enfrentadas pela icônica artista brasileira. A definição de Raia, que se considera uma “Nolt” (nova tendência de vida dos mais velhos), contrasta com a visão de envelhecer, defendendo a ideia de que o auge da vida pode ser alcançado em qualquer idade.

A afirmação de Claudia Raia sobre Tarsila surge no contexto da reestreia do musical “Tarsila: A brasileira”, que promete trazer ao público uma imersão na biografia da pintora. Segundo a atriz, Tarsila do Amaral atravessou um período existencial de intensas perdas, vendo se desvanecer amizades, relacionamentos, sua filha e até mesmo a neta, culminando em um período de falta de inspiração artística. Esses fatos sombrios, embora integrantes da trajetória de Tarsila, raramente são abordados com tamanha profundidade no grande público.

Claudia Raia desvenda vida ‘horrorosa’ de Tarsila do Amaral

O espetáculo “Tarsila: A brasileira” tem sua aguardada reestreia marcada para os dias 1º e 2 de agosto no histórico Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A produção embarcará em uma turnê por diversas capitais brasileiras, incluindo Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Salvador, culminando com apresentações em São Paulo, tanto no Theatro Municipal, nos dias 12 e 13 de dezembro, quanto no Teatro Renault, de 7 a 17 de janeiro do próximo ano.

Claudia Raia enfatiza o desafio logístico de levar um projeto dessa magnitude em turnê. “É preciso muita coragem para viajar com 74 pessoas e 8 carretas”, declara a atriz, sublinhando seu empenho em garantir que o musical chegasse ao Municipal do Rio de Janeiro, um local que tradicionalmente não hospeda peças de teatro musical. Para Raia, esta etapa da turnê assume um caráter histórico, uma vez que a própria Tarsila não esteve presente na Semana de Arte Moderna de 1922 por residir em Paris na época. “Será histórico levar a Tarsila para lá, onde ela não esteve em 1922”, complementa Raia.

Lançado originalmente em 25 de janeiro de 2024, em São Paulo, “Tarsila: A brasileira” permaneceu em cartaz por quatro meses na capital paulista, período em que angariou mais de 140 mil espectadores antes de iniciar sua turnê nacional. A produtora e atriz manifesta seu compromisso em desenvolver uma forma particular e distintiva de fazer teatro musical no Brasil. “Como produtora, tenho a missão de lutar por uma maneira nossa de fazer musical e acho que chegamos a um musical brasileiro nível Broadway”, afirma Raia, orgulhosa do padrão de qualidade alcançado pela montagem.

A vida de Tarsila, nascida no interior de São Paulo, estendeu-se por 86 anos, e o musical tem como proposta transcender os episódios mais conhecidos e estudados de sua biografia. Conforme aponta Claudia Raia, o enredo explora a face menos glamourosa da musa do modernismo, revelando sua trajetória como uma série contínua de desafios pessoais. A profundidade da narrativa advém de três anos de pesquisa conduzidos pelos autores Anna Toledo e José Possi Neto, que também assume a encenação e a direção de arte do espetáculo. Para aprofundar a compreensão sobre o legado da artista modernista, o perfil de Tarsila do Amaral está amplamente documentado em diversas fontes, incluindo acervos culturais renomados como o da Enciclopédia Itaú Cultural.

A criação artística do musical baseia-se nos textos e nas canções que emergiram dos escritos dos membros do Grupo dos Cinco. Este seleto grupo, fundamental para o modernismo brasileiro, era composto pelos escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, pela pintora Anita Malfatti e pela própria Tarsila. Um dos momentos de grande dramaticidade no musical é a representação do poema “Rainha de Sabá”, de autoria de Tarsila, que foi musicado para a peça e aborda o período em que a artista foi presa, sob acusação de ligações com o comunismo.

Claudia Raia desvenda vida ‘horrorosa’ de Tarsila do Amaral - Imagem do artigo original

Imagem: valor.globo.com

Durante as pesquisas para o musical “Tarsila: A brasileira”, uma das revelações mais impactantes para Claudia Raia foi a profunda conexão de Tarsila do Amaral com o médium Chico Xavier (1910-2002). Segundo a atriz, Xavier emergiu como um pilar fundamental de suporte emocional e espiritual para a pintora. Tarsila enfrentava uma condição de hipercifose na coluna vertebral e, após uma intervenção cirúrgica, acabou ficando tetraplégica. “Ele foi o grande pilar de sustentação emocional e espiritual dela, que tinha uma hipercifose nas costas e, após uma cirurgia, ficou tetraplégica”, relata Raia. A atriz ainda faz um paralelo entre a força da artista e sua própria resiliência, destacando: “Nós temos em comum a força de lutar e colocar em pé nossos propósitos e sonhos.”

A própria carreira de Claudia Raia é um testemunho de resiliência e constante reinvenção. Celebrando um momento que descreve como o melhor de sua vida profissional, a atriz encerrou recentemente a temporada do musical “Cenas da Menopausa”, escrito por Anna Toledo, com retorno previsto para julho de 2027. Já no início do próximo ano, a versátil atriz e produtora dará vida à jornalista Miranda Priestly na versão musical de “O Diabo Veste Prada”, papel que consagrou Meryl Streep no cinema. Claudia Raia, em parceria com seu marido Jarbas Homem de Mello, que interpreta Oswald de Andrade no musical de Tarsila, consolidou uma “companhia de repertório” com a meta contínua de produzir teatro. “Apesar de as pessoas me conhecerem da televisão desde muito jovem, sou oriunda do teatro e comecei a produzir com 19 anos, o que me deu autonomia sobre minha carreira”, explica Raia, cujo início no teatro musical data de 1984, com “A Chorus Line”, aos 18 anos de idade.

Raia faz questão de reconhecer a figura de Walter Clark, que demonstrou visão ao prever a aceitação dos musicais pelo público brasileiro, abrindo portas para o gênero. Após a produção do espetáculo “A Pequena Loja dos Horrores”, que Claudia Raia classifica como um fracasso, ela alcançou grande sucesso com “Não Fuja da Raia”, em 1991. Rememorando a época, a atriz compartilha um conselho que recebeu de Boni: “Boni, meu grande mentor, me disse que não ia funcionar, pois brasileiro não gosta de musical. Eu retruquei que o desfile de escola de samba é um musical. Fui, fiz e estava certa”, relata Raia, destacando a importância de sua perspicácia para apostar no formato.

Além dos palcos, Claudia Raia segue ativa em outras mídias. A atriz integra o elenco da série “Fúria”, que estreia nesta semana, compartilhando cenas com nomes como Alice Carvalho, Bianca Comparato e Eduardo Moscovis. Ela também assume o papel de apresentadora no reality show “Sua Mãe Te Conhece”, com lançamento programado para 26 de agosto, ambos na plataforma Netflix. No âmbito cinematográfico, Claudia Raia se prepara para uma nova fase. Com o filho Enzo Celulari, ela produzirá e atuará em um filme baseado no livro “A Extinção das Abelhas”, de Natalia Borges Polesso (Companhia das Letras), evidenciando seu desejo de retornar às telonas. “Sinto que tenho personagens dentro de mim que só cabem na tela grande. Eu fiz muito pouco cinema, mas sinto falta e quero voltar a fazer”, revela a artista, sinalizando sua intenção de explorar ainda mais as possibilidades do cinema.

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Em suma, a incursão de Claudia Raia na vida de Tarsila do Amaral por meio do teatro musical não apenas celebra uma das maiores figuras da arte brasileira, mas também oferece um olhar sincero e multifacetado sobre as complexidades da existência da pintora, entrelaçando arte, perda e resiliência. Enquanto o público aguarda a reestreia de “Tarsila: A brasileira” e os próximos projetos de Claudia Raia, continue explorando outras novidades do mundo artístico e cultural em nossa editoria de Celebridade.

Crédito da imagem: Paschoal Rodriguez/Divulgação

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