O dólar comercial sobe nesta quinta-feira (13), alinhando-se a uma notável valorização da moeda americana em âmbito global. Este movimento altista foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo dados econômicos recentes que evidenciam a solidez da economia dos Estados Unidos e o posicionamento conservador de dirigentes do Federal Reserve (Fed), que reafirmaram a perspectiva de um aperto na política monetária.
Adicionalmente, a sessão foi caracterizada por um crescente movimento de aversão a ativos de risco, uma dinâmica que particularmente impactou as moedas de economias emergentes, favorecendo o fortalecimento do dólar. Esse contexto geral contribuiu para que a divisa norte-americana operasse em alta, consolidando sua força nos mercados cambiais mundiais.
Dólar Comercial Sobe com Resiliência dos EUA e Fed Hawkish
Ao término das negociações no mercado à vista, o dólar comercial registrou uma alta de 0,40%, sendo cotado a R$ 5,0983. Durante o pregão, a moeda americana alcançou seu ponto mais alto do dia em R$ 5,1134 e sua mínima em R$ 5,0823. No mesmo período, o euro comercial também apresentou valorização, com um avanço de 0,19%, fechando a R$ 5,8325. O índice DXY, que acompanha a força do dólar contra uma cesta de seis divisas fortes, subiu 0,25%, atingindo 100,740 pontos, reforçando a tendência de valorização da moeda globalmente.
A Força por Trás da Valorização
A ascensão do dólar teve início já nas primeiras horas do pregão, contra a maioria das moedas de nações tanto desenvolvidas quanto emergentes. Contudo, essa tendência se intensificou de forma notável após a divulgação dos dados de vendas no varejo americano em junho. O crescimento de 0,2% em relação a maio veio em linha com as projeções de mercado, corroborando a percepção de que a economia dos EUA mantém um ritmo de resiliência e que poderia, em decorrência disso, requerer um ajuste de juros por parte do Federal Reserve (Fed) para que a inflação seja novamente contida dentro da meta de 2%.
Paralelamente, o cenário doméstico brasileiro apresentou um contraponto. O varejo restrito no país teve uma elevação de apenas 0,1%, um índice aquém do esperado pelo mercado. Este dado, somado a outros indicadores recentes, sugeriu um espaço para que o Banco Central do Brasil possa prosseguir com a redução da taxa Selic. A expectativa de juros estáveis ou em ascensão nos Estados Unidos e, em contrapartida, de queda da Selic no Brasil, provoca uma diminuição no diferencial de juros entre as duas economias. Este fenômeno reduz a atratividade comparativa do real para operações de carry trade, onde investidores buscam lucrar com a diferença de taxas de juros ao redor do mundo, contribuindo para a desvalorização do real em um ambiente de busca por liquidez em dólar.
Visões de Mercado e Projeções Futuras
Segundo Marcos Weigt, diretor da tesouraria do Travelex Bank, a valorização do dólar foi preponderantemente influenciada pelo ambiente global. Ele enfatizou que ativos de países emergentes em diversos mercados experimentaram desvalorização nesta quinta-feira, à medida que a preferência do mercado se voltou para a segurança e liquidez da moeda americana. Weigt detalhou o avanço do dólar frente a moedas como o peso mexicano (0,29%) e o rand sul-africano (0,45%), evidenciando a sincronia do movimento global.
Adicionalmente, Weigt comentou sobre a recém-anunciada tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre certos produtos importados do Brasil. O diretor avaliou que tal medida terá um efeito econômico e sobre os mercados considerado limitado. “Nossas exportações para os EUA já diminuíram bem, foram mais que compensadas pelo aumento das exportações para a China”, explicou Weigt, que concluiu que o impacto prático dessas novas tarifas estará concentrado em setores e empresas específicas, não afetando a dinâmica do mercado de câmbio em sua totalidade.

Imagem: Scott Eells via valor.globo.com
Por sua vez, Alex Cohen, estrategista de câmbio do Bank of America (BofA), prevê um fortalecimento adicional do dólar na segunda metade de 2026. Segundo sua análise, três fatores principais estarão por trás dessa tendência: a instabilidade geopolítica crescente em função das tensões no Oriente Médio, uma postura persistentemente mais rigorosa (“hawkish”) do Fed, e os significativos investimentos em inteligência artificial feitos pelas empresas de tecnologia americanas.
Cohen ressaltou que as expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos têm sido o principal vetor para as decisões dos investidores em relação ao dólar. O cenário-base do BofA projeta que o Fed realizará três aumentos de juros este ano, levando a taxa básica americana para a faixa de 4,25% a 4,50%, patamar que excede as projeções da maioria do mercado atual. “Embora isso esteja longe de ser algo certo, os comentários de dirigentes do Fed continuam hawkish”, salientou Cohen. Complementando essa visão, os presidentes das distritais do Fed de Dallas, Lorie Logan, e de Kansas City, Jeffrey Schmid, reafirmaram nesta quinta-feira a inclinação do banco central americano para um aperto da política monetária nos próximos meses, o que robustece a tese de um dólar mais valorizado.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em resumo, a valorização do dólar comercial observada neste pregão reflete uma convergência de fatores econômicos globais complexos, a indiscutível resiliência da economia norte-americana e a perspectiva de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos. Para aprofundar-se nessas e outras notícias que movimentam o cenário econômico e suas finanças, continue acompanhando a Horadecomecar.com.br/blog e explore mais análises e notícias de economia.
Crédito da imagem: Valor One
