O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma instituição crucial para a economia brasileira, anunciou na última quinta-feira, dia 2 de julho de 2026, uma iniciativa que promete transformar o panorama ambiental e econômico do país: a segunda etapa do programa ProFloresta+. Essa nova fase do programa tem como objetivo primordial impulsionar e fortalecer o mercado de crédito de carbono no Brasil, com uma expectativa de mobilização de recursos significativos. Estima-se que até R$ 6 bilhões sejam injetados nesse mercado em crescimento, evidenciando o compromisso do banco com a pauta de sustentabilidade e a economia verde.
A atuação do banco público nesta frente estratégica se desdobra em dois eixos complementares para otimizar o fluxo de investimentos e projetos. Primeiramente, o BNDES se propõe a ser um catalisador para empresas interessadas em adquirir créditos de carbono. Por meio de chamamentos públicos, a instituição organiza leilões que facilitam a compra desses ativos financeiros e ambientais. Os créditos de carbono representam um mecanismo crucial para companhias que buscam compensar suas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa. Em um segundo momento, a instituição financeira estará disponível para financiar os projetos de recuperação ambiental que, na prática, são os geradores desses cobiçados créditos. Este modelo inovador oferece uma linha de crédito específica para iniciativas de plantio de árvores e restauração florestal, impulsionando o capital em direção a práticas sustentáveis.
BNDES aloca R$ 6 bi para expandir mercado de crédito de carbono
Com a implementação eficaz da nova etapa do ProFloresta+, o BNDES projeta restaurar uma impressionante área de até 60 mil hectares de vegetação em território nacional. Para dimensionar a relevância desse objetivo ambiental, vale ressaltar que essa extensão territorial é cerca de 38% superior à área total da cidade de Curitiba, uma das capitais mais importantes do Brasil. O anúncio oficial desta grandiosa iniciativa ocorreu durante o prestigiado 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, sediado nas instalações do próprio banco, no Rio de Janeiro. O evento reuniu especialistas, líderes e representantes do setor para discutir os rumos do desenvolvimento sustentável e o papel central do mercado de crédito de carbono na transição ecológica brasileira.
O Mecanismo do Mercado de Crédito de Carbono no Contexto Ambiental
Entender a dinâmica e a relevância do mercado de crédito de carbono é fundamental para compreender a importância da ação estratégica do BNDES. O dióxido de carbono (CO2), frequentemente referido como gás carbônico, é cientificamente reconhecido como um dos principais agentes que contribuem para o efeito estufa, um fenômeno natural intensificado pelas atividades humanas que resulta no aquecimento progressivo da temperatura do planeta. O mercado de carbono, em sua essência, constitui-se como um sistema global de compra e venda de créditos que visa compensar passivos de poluição já gerados, oferecendo uma ferramenta econômica para mitigar impactos ambientais.
Dentro desse sistema, um projeto de cunho ambiental que se dedica, por exemplo, ao reflorestamento de áreas previamente degradadas ou à preservação de ecossistemas naturais, desempenha um papel crucial ao evitar que grandes volumes de CO2 sejam liberados ou mesmo lançados na atmosfera. Esse processo é amplamente conhecido como sequestro de carbono. A quantidade de carbono “sequestrada” ou prevenida de ser emitida é então cuidadosamente quantificada e convertida em créditos, que se tornam ativos financeiros negociáveis no mercado global. Na outra vertente desse complexo sistema de compensação ambiental, empresas cujas operações resultam na emissão de dióxido de carbono – e que muitas vezes enfrentam dificuldades em reduzir essas emissões por completo em suas próprias operações – têm a opção de comprar esses créditos. Ao fazerem isso, elas realizam uma forma reconhecida de compensação ambiental, ajudando a equilibrar suas pegadas de carbono e demonstrando responsabilidade socioambiental.
Ambições e Ampliações: O Novo ProFloresta+ em Destaque
A projeção do BNDES para esta nova fase do programa ProFloresta+ é não apenas ambiciosa, mas também demonstra um grande potencial de impacto positivo no ambiente e na economia nacional. A instituição estima que o volume total de poluentes atmosféricos capturados da atmosfera pela iniciativa possa atingir a marca de 19 milhões de toneladas de CO2. Este número substancial sublinha a capacidade do programa em contribuir significativamente para as metas climáticas do Brasil e a redução global de emissões.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, fez questão de resgatar as lições e o sucesso da etapa inaugural do ProFloresta+. Ele recordou que a fase anterior, lançada em março de 2025, contou com a ancoragem estratégica da Petrobras. A gigante brasileira do setor de petróleo e gás assumiu, na ocasião, o compromisso de investir R$ 450 milhões na aquisição de créditos de carbono, com a exigência específica de que a restauração ambiental ocorresse exclusivamente na região amazônica, um bioma de inquestionável importância global devido à sua biodiversidade e papel climático.
No entanto, Mercadante destacou uma importante evolução na versão atual do programa. Enquanto a primeira fase teve um foco mais direcionado, a nova etapa busca uma participação mais ampla e diversificada do setor privado. O banco público agora anseia pela adesão de companhias de diversos outros segmentos da economia brasileira. Segundo o presidente, a expectativa é atrair um vasto leque de empresas, incluindo aquelas dos setores de petróleo, gás e óleo, bem como grandes siderúrgicas, empresas químicas e quaisquer outras corporações que possuam metas de descarbonização em suas estratégias e planos de sustentabilidade. Adicionalmente, há um crescente interesse de grandes corporações internacionais, que demonstram o desejo de contratar créditos de carbono provenientes de projetos brasileiros, reforçando a projeção do Brasil como um ator-chave e líder ambiental no cenário global.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Um ponto de inflexão notável e de grande significado ambiental é a flexibilização geográfica da atuação do programa. Na fase anterior, a restauração vegetal era restrita ao bioma Amazônico. Agora, a segunda etapa do ProFloresta+ permite que os projetos de recuperação sejam implementados em todos os biomas do país, incluindo a Mata Atlântica e o Cerrado, até a Caatinga, o Pantanal e os Pampas. Essa abordagem abrangente não apenas maximiza o impacto ambiental ao proteger a diversidade de ecossistemas brasileiros, mas também amplia as oportunidades para projetos de sequestro de carbono e para a participação de empresas em diferentes regiões.
A Convergência entre Desenvolvimento e Agenda Ambiental
Ao abordar as políticas públicas do governo para a conservação ambiental e a adaptação às mudanças climáticas, João Paulo Ribeiro Capobianco, que ocupa a cadeira de ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, reiterou a premissa de que não existe antagonismo, ou seja, nenhuma contradição intrínseca, entre a agenda ambiental e a agenda de desenvolvimento econômico do país. Sua fala, proferida no contexto do Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, ressaltou a imperiosa importância de se adotar uma visão integrada e estratégica para ambas as áreas.
O ministro, que anteriormente ocupava o cargo de secretário-executivo da pasta antes da saída da ex-ministra Marina Silva, sublinhou em sua declaração que “Um esforço que fizemos foi integrá-las”. Essa integração conceitual significa buscar sinergias robustas onde a proteção dos ecossistemas e a crucial redução de emissões de CO2 não sejam vistas como entraves ao progresso econômico, mas sim como elementos catalisadores poderosos para um crescimento mais robusto, mais equitativo e, sobretudo, intrinsecamente sustentável a longo prazo. O mercado de crédito de carbono, nesse sentido, emerge como um exemplo prático e eficiente de como essa integração pode funcionar de forma harmoniosa, ao criar um valor econômico tangível a partir da preservação ambiental ativa e da restauração de ecossistemas degradados.
As ações coordenadas do BNDES e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima sinalizam uma política pública coesa, focada em aliar o vasto potencial financeiro do país com as urgências ambientais contemporâneas. Esse alinhamento visa promover um Brasil que concilia progresso e crescimento com uma responsabilidade climática exemplar. A mobilização de impressionantes R$ 6 bilhões por meio da segunda etapa do ProFloresta+ é um passo audacioso e fundamental para consolidar o país como um ator-chave e líder influente na economia verde global, impulsionando ativamente a descarbonização da economia e fomentando o desenvolvimento sustentável em suas múltiplas e complexas dimensões.
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Esta nova etapa do programa ProFloresta+ do BNDES solidifica o compromisso brasileiro com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Com o ambicioso objetivo de mobilizar R$ 6 bilhões para o mercado de crédito de carbono, a iniciativa abre caminho para projetos de recuperação ambiental em todos os biomas do país, atraindo empresas de diversos setores para a compensação de suas emissões de CO2. Continue acompanhando a editoria de Economia para se manter atualizado sobre as principais iniciativas e novidades que moldam o futuro financeiro e ambiental do Brasil.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil


