ONS aciona plano emergencial inédito para cortar energia

Economia

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementou, neste sábado (6), uma ação inédita para gerenciar o excesso de energia gerada no Brasil. Pela primeira vez, o ONS aciona plano emergencial para equilibrar o Sistema Interligado Nacional (SIN), frente às projeções de uma demanda energética reduzida esperada para este domingo (7).

Esta medida preventiva busca resguardar a estabilidade do sistema elétrico. O ONS procedeu com a requisição de diminuição de recursos da geração centralizada, áreas sob sua coordenação direta. Adicionalmente, ativou o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, um protocolo anteriormente aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

ONS Aciona Plano Emergencial Inédito Para Reduzir Geração de Energia

A iniciativa estendeu-se às concessionárias de energia elétrica, que foram convocadas a participar da diminuição da geração em suas respectivas áreas de concessão. Tal solicitação se justifica pela autonomia que essas fontes possuem em relação ao controle direto do Operador. Em um comunicado oficial, o ONS garantiu o monitoramento e a coordenação contínuos das operações no SIN. A instituição assegurou que prosseguirá com a gestão dos recursos energéticos disponíveis em tempo real, mantendo-se em comunicação direta com os atores do setor para alinhar as ações às necessidades da sociedade, reafirmando seu compromisso com a segurança e a eficiência operacional, conforme os procedimentos vigentes na rede.

Base Regulamentar e Precedentes do Corte de Energia

A implementação deste plano emerge de uma determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), datada de novembro de 2025, que impôs às distribuidoras a formulação de estratégias para o corte da geração de energia oriunda de pequenas usinas. Este requerimento visa possibilitar a adesão aos comandos do ONS em cenários de abundância energética. As companhias foram encarregadas de fornecer um relatório detalhado sobre a capacidade efetiva de suas infraestruturas para mitigar a produção das chamadas usinas Tipo III.

As usinas Tipo III compreendem categorias como pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), instalações a biomassa, além de empreendimentos eólicos e solares de menor escala. Esta exigência está inserida no Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, entregue pelo ONS à Aneel em 31 de outubro do ano anterior (que se referia a 2024, visto que o despacho é de 2025). O propósito central do documento é neutralizar os riscos de desequilíbrio no sistema elétrico em períodos de baixa procura, como feriados prolongados, finais de semana e as festividades de fim de ano, momentos nos quais se registra uma significativa sobra de energia elétrica.

Para contextualizar, as determinações que subsidiam o plano emergencial, como a necessidade de que as distribuidoras apresentem estratégias para redução da geração em suas áreas, foram estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025, evidenciando a crescente preocupação regulatória com o equilíbrio da matriz energética. Tal decisão ressalta a complexidade de operar um sistema que integra fontes de grande e pequena escala, reforçando a importância de um quadro regulatório adaptativo e proativo.

O Crescimento da Geração Distribuída e Seus Desafios

A discussão e o desenvolvimento de novas metodologias operacionais são uma resposta direta às profundas transformações no panorama energético do país. Em particular, a ascensão da geração distribuída, com o expressivo incremento da produção de energia solar através de painéis instalados em telhados, apresenta tanto oportunidades quanto desafios substanciais. A principal questão surge em dias de consumo moderado, quando a produção destas unidades pode exceder a demanda do sistema. Este cenário frequentemente força o operador a implementar medidas drásticas, a fim de evitar sobrecargas e potenciais apagões generalizados.

Um episódio notável ocorreu no domingo de Dia dos Pais de 2025, quando a contribuição da energia gerada por painéis solares atingiu 37,6% da demanda nacional total. Este pico de produção, conjugado a um período de baixo consumo característico da data comemorativa, deixou o Operador com uma margem de segurança crítica. Para reequilibrar a rede e prevenir instabilidades, o ONS foi obrigado a realizar cortes drásticos: uma acentuada redução na geração de hidrelétricas e termelétricas, complementada por um corte de 98,5% na produção de grandes usinas eólicas e solares. Este evento ilustra a urgência e a complexidade de se manejar um sistema energético cada vez mais pulverizado e interdependente.

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Imagem: BDMG via valor.globo.com

Reações e Preparação das Distribuidoras de Energia

Em nota, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou ter recebido o comunicado do ONS acerca da ativação inédita do plano emergencial de gestão de excedentes. A Abradee indicou que a intervenção será executada neste domingo (7), especificamente entre 10h e 14h.

A entidade reafirmou a prontidão das distribuidoras para a execução do plano. “As distribuidoras de energia elétrica estão preparadas para executar o plano, que, cabe ressaltar, foi elaborado pelo ONS, segundo diretrizes definidas pelo próprio operador do sistema. A definição dos montantes de energia elétrica também compete ao ONS durante a execução do plano emergencial”, declarou a Abradee, enfatizando que as diretrizes e a quantificação dos cortes são de alçada do Operador. Um despacho regulatório de novembro de 2025 especifica que doze distribuidoras serão as responsáveis diretas pela realização dos cortes.

Esse conjunto de empresas foi selecionado prioritariamente por abrigar aproximadamente 80% do total da potência instalada das usinas Tipo III em território nacional. Contudo, a Abradee salientou a vital importância de uma maior explicitação nos procedimentos. Para a associação, a carência de critérios explícitos e robustos para a efetuação dos cortes por parte dos geradores pode suscitar um cenário de instabilidade jurídica no âmbito do setor elétrico.

Diante do intrincado desafio de operar o sistema em momentos de demanda reduzida – particularmente em datas como jogos da Copa do Mundo, além de outros feriados civis e religiosos – a Abradee expressou seu ponto de vista. Para o segmento de distribuição, os percalços advindos do excesso de geração renovável constituem uma realidade inquestionável. Por isso, a entidade aponta para a premência e necessidade de aprimorar as políticas públicas, visando a reestruturação do sistema e a mitigação dos entraves existentes, com o propósito último de prevenir potenciais apagões no futuro próximo.

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Este cenário inédito reforça a necessidade contínua de adaptação e inovação na gestão do sistema elétrico brasileiro. As ações do ONS, em conjunto com as diretrizes da Aneel e a participação das distribuidoras, são cruciais para assegurar a segurança e a confiabilidade energética do país em face de uma matriz cada vez mais complexa e renovável. Para aprofundar seu conhecimento sobre as dinâmicas do mercado energético e as políticas públicas que moldam a infraestrutura do país, continue explorando nossas análises sobre o setor de economia brasileira.

Crédito da imagem: Valor Econômico

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