Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais em SP Pede Justiça

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A **Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais em SP Pede Justiça**, que aconteceu na tarde deste sábado (6), mobilizou diversas organizações e coletivos na capital paulista com o objetivo de fortalecer reivindicações específicas e visibilizar as violências concretas e simbólicas que atingem particularmente lésbicas e bissexuais, de maneira distinta do restante da comunidade LGBTQIA+. Em sua 24ª edição, o evento na cidade de São Paulo salientou a urgência de um debate aprofundado e ações eficazes contra a lesbofobia e a bifobia, desafios intrínsecos a serem abordados por toda a sociedade.

A articulação para a realização da caminhada em 06 de junho de 2026 contou com a participação ativa de importantes grupos na defesa dos direitos dessa parcela da população. Fizeram parte da mobilização a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil, o Lésbicas na Parada SP, a Rede Nacional Candaces, de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras Feministas, e a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL), unindo-se a outros coletivos e organizações com propósitos comuns.

Este ano, a

Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais em SP Pede Justiça

também deu visibilidade ao aniversário de uma década do brutal assassinato da jovem negra Luana Barbosa dos Reis. Lésbica, negra e moradora da periferia, Luana faleceu precocemente aos 34 anos, tornando-se mais uma das inúmeras vítimas da letalidade policial no Brasil. Este marcante protesto busca desvincular-se o máximo possível de grandes financiadores, mantendo sua autonomia e focando nas demandas genuínas de sua base, ao mesmo tempo em que reitera o peso da lesbofobia e da bifobia que continuam a assolar as mulheres brasileiras.

Familiares e movimentos sociais dedicados à causa têm incessantemente denunciado as circunstâncias da morte de Luana Barbosa dos Reis. Conforme as denúncias, Reis foi abordada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, por dois policiais militares e foi espancada até a morte após recusar uma revista realizada por agentes do gênero masculino – um direito expressamente previsto em lei e que deveria ter sido garantido no momento da abordagem. A morte de Luana ocorreu em 13 de abril de 2016. Sua irmã, Roseli dos Reis, que participou da caminhada em São Paulo, lamentou publicamente a ausência de responsabilização dos agentes pelo crime até o presente momento.

Em seu discurso emocionante no carro de som do evento, Roseli dos Reis expressou o sofrimento da família: “Quero justiça, precisamos da justiça. Mas, ao mesmo tempo, a gente só queria viver nosso luto, queria chorar, dedicar a ela uma homenagem, um jantar, uma comemoração a tudo que a gente viveu com ela. Mas não tem isso, porque a gente ainda está na luta por justiça. Dez anos se passaram. Não são dez dias, dez meses. São dez anos sem resposta”, enfatizou. Ela também expressou gratidão à imprensa independente pela atenção dedicada ao caso de sua irmã.

Na concentração da **Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais em SP** em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), líderes do movimento ressaltaram o papel da ultradireita brasileira na escalada das perseguições contra lésbicas e bissexuais. Essas mulheres, ao destoarem do que é imposto pela sociedade heteronormativa, que privilegia princípios como a heterossexualidade e o patriarcado, enfrentam um agravamento das formas de violência e discriminação em seus cotidianos.

Violências Veladas e Explícitas: O Impacto na Vida de Lésbicas e Bissexuais

A gama de agressões e discriminações contra mulheres bissexuais e lésbicas é vastamente documentada e preocupante. De acordo com a edição mais recente do LesboCenso, a manifestação do ódio, da segregação e da aversão a esses grupos se concretiza em diversos atos de discriminação. Estes incluem atitudes preconceituosas em espaços públicos, a frequente invisibilidade de seus relacionamentos afetivos e familiares, episódios de violência verbal, situações de isolamento social e casos de assédio sexual. Além disso, as lésbicas e bissexuais frequentemente são vítimas de objetificação e, na forma mais cruel de violência, do estupro corretivo.

A fotógrafa e modelo Helena Silva, de 26 anos, que se identifica como pansexual – uma orientação na qual o indivíduo se relaciona sem que a identidade de gênero ou o sexo biológico do parceiro ou parceira seja um critério determinante – compartilha das experiências de invisibilidade que afetam outras pessoas fora dos padrões de heterossexualidade e homossexualidade. Casos como os das pessoas bissexuais são emblemáticos; historicamente, assim como outros grupos minorizados, adotam alegorias para subverter e comunicar os estereótipos a que são reduzidos.

Os bissexuais, por exemplo, utilizam a figura do unicórnio como um símbolo para satirizar a superficialidade e o desdém com que sua preferência por relacionamentos com homens ou mulheres é frequentemente abordada, resumindo uma suposta indecisão que é, na verdade, pluralidade. Como mulher negra e residente na periferia da zona norte da capital, Helena Silva cresceu em uma família evangélica. Apesar de conviver com uma mãe que a respeita, ainda não consegue discutir abertamente suas experiências românticas e sexuais em casa, incluindo seu relacionamento atual com a tatuadora e videomaker Thais Souza, de 31 anos.

Para questões delicadas como saúde ginecológica e sexual, temas que deveriam ser tratados com naturalidade no ambiente familiar ou escolar, Helena teve de procurar aconselhamento e informações com amigos, que a acolhiam sem julgamentos e não viam esses tópicos como tabus. O descaso e a desinformação em consultórios médicos, que frequentemente acometem pacientes bissexuais e lésbicas, são um problema disseminado. Essa má conduta por parte dos profissionais da saúde é um fator determinante para que o nível de qualidade do atendimento a essa população seja frequentemente baixo. “Ela vem desse pensamento de família tradicional, de homem e mulher constituindo uma família. Não vou julgar essa forma dela, porque veio da criação dela. Mas também não muda o fato de que eu tenho minha preferência, sim, nem o de que sou filha dela”, comenta Helena Silva sobre sua mãe.

Thais Souza, que se mudou de Campinas para São Paulo há cinco anos, enfatiza que jamais permitiu que qualquer pessoa limitasse sua expressão no mundo, seja em sua personalidade, seja em sua sexualidade. Ela relata que seus familiares só demonstraram tranquilidade em relação aos rumos de sua fase adulta, principalmente na esfera profissional, quando ela conseguiu estabilidade em sua carreira. “Foi muito complicado, principalmente no início, quando eu não tinha tanto apoio da família como tinha de alguns amigos, não todos. Como já tinha muito concreto isso comigo, sempre bati muito no peito e dizia, se for para eu mudar alguma coisa, em algum momento, nunca vai ser por ninguém. Então, acabou que foi mais confortável, teoricamente, para eu aguentar minhas questões lá. Em São Paulo, como me sinto mais livre nesse sentido, foi um pouco mais fácil”, explica Thais.

Thais compartilha que a percepção de sua família se alterou ao longo do tempo, resultando em um acolhimento maior. “Hoje minha família super me respeita, é superorgulhosa em relação a mim, acho que pela pessoa que me tornei. Eles tinham essa visão de que as pessoas desse meio, LGBT, eram pessoas perdidas pelo mundo. Depois que perceberam que não era esse caminho, viram que eu ia conquistar as coisas independentemente da minha sexualidade, acabou mudando a visão de partes da minha família. Aí, facilitou um pouco mais ter esse acolhimento”, finaliza Souza, que atribui o receio inicial de seus familiares a um “preconceito enraizado”, e não a crenças religiosas, dado que nem todos eram cristãos. Em reconhecimento à relevância da luta de Luana Barbosa dos Reis e para incentivar ações de proteção, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania este ano criou uma premiação com o seu nome. Essa iniciativa busca valorizar e reconhecer projetos voltados para mulheres homossexuais e que combatam o lesbocídio e a lesbofobia. Para entender mais sobre as iniciativas do governo federal no combate à violência contra pessoas LGBTQIA+, acesse as publicações oficiais, como o Relatório de Violências Contra Pessoas LGBTQI+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

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A **Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais em SP** se estabelece como um grito potente por justiça e reconhecimento, evidenciando as particularidades das violências que atingem essas mulheres em todas as esferas. A luta contínua de coletivos, familiares e ativistas por direitos fundamentais ressalta a importância de amplificar essas vozes e exigir mudanças estruturais na sociedade. A compreensão e o engajamento com pautas relacionadas aos Direitos Humanos são cruciais para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa, diversa e igualitária. Para aprofundar seu conhecimento sobre o cenário político e as discussões sociais, continue acompanhando nossas análises na editoria de Política.

Crédito da imagem: Letícia Treitero/Agência Brasil

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

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