Acompanhe o panorama do Ibovespa Hoje, com o principal índice da Bolsa de Valores brasileira registrando flutuações próximas aos 177 mil pontos nesta segunda-feira (18). Em um dia marcado pela cautela dos investidores, o dólar comercial apresentou um recuo significativo, chegando a R$ 5,01, enquanto os juros futuros também mostraram tendência de queda em diversos vencimentos.
Esse cenário de instabilidade é influenciado por uma conjunção de fatores domésticos e internacionais. A volatilidade é impulsionada pelas persistentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam diretamente os preços do petróleo, e pela divulgação de indicadores econômicos cruciais, como o Boletim Focus, que atualizou as projeções para a inflação e a taxa Selic para 2026. Dados do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o índice de atividade do Banco Central (IBC-Br) complementam o cenário econômico que direciona as decisões dos participantes do mercado.
Ibovespa Hoje: Bolsa Oscila Perto de 177 Mil Pontos e Dólar Recua
A abertura das negociações observou o Ibovespa em baixa inicial, sendo negociado em torno de 176,3 mil pontos. A desvalorização foi atribuída, em grande parte, ao desempenho negativo das bolsas americanas, influenciadas por novos ataques com drones no Golfo Pérsico. Tais eventos causaram um aumento nos preços do petróleo e nos rendimentos dos títulos globais, reavivando os temores inflacionários. Enquanto ações de grandes bancos registravam valorização, as de empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) apresentavam perdas. O dólar comercial aprofundava a queda, chegando a 1%, negociado a R$ 5,01, com os juros futuros recuando ao longo da curva.
No transcorrer do dia, a volatilidade no Brasil foi intensificada pelo contexto externo. O Índice de Volatilidade (VIX) nos Estados Unidos registrava alta de 1,41%, alcançando 18,69 pontos, e seu equivalente brasileiro, VXBR, abria o dia com alta de 3,59%, atingindo 20,79 pontos. Os preços do petróleo, que antes da abertura dos mercados em Nova York registravam ganhos, viraram para queda após notícias sobre a possível suspensão de sanções petrolíferas ao Irã. Tal desenvolvimento está ligado à proposta revisada do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, compartilhada com os Estados Unidos via Paquistão, segundo fontes da imprensa internacional como a Reuters. Donald Trump, presidente dos EUA, anteriormente alertou que o Irã precisa agir rapidamente para um acordo, e havia ameaçado Teerã em suas redes sociais.
Cenário Econômico Global e Implicações para Mercados
Apesar de ganhos de curtíssima duração, os principais índices de Nova York (Dow Jones: +0,03%, S&P 500: +0,08%, Nasdaq: +0,13%) mantiveram a atenção voltada para os desdobramentos no Oriente Médio. O cenário de conflito e as consequências nos mercados energéticos pressionam a visão econômica americana e criam dilemas para o Federal Reserve. Investidores projetam que as taxas de juros americanas permanecerão elevadas por um período mais longo, em contraponto às demandas por redução. Em solo europeu, mercados operavam de forma mista, com preocupações inflacionárias e a ausência de um acordo definitivo sobre o Irã influenciando os principais índices, como o STOXX 600 (-0,32%), DAX (+0,21%), FTSE 100 (+0,20%), CAC 40 (-0,75%) e FTSE MIB (-1,81%). Já as bolsas asiáticas, como Shanghai SE (-0,09%) e Nikkei (-0,97%), encerraram o dia com perdas, repercutindo as tensões geopolíticas e dados da China, que indicaram desaceleração econômica em abril, com a produção industrial e as vendas no varejo aquém das expectativas.
As preocupações com a inflação são globalmente evidentes. Os rendimentos dos títulos governamentais, de Tóquio a Nova York, ampliaram as perdas à medida que os preços da energia subiam. Isso alimenta apostas dos investidores em novos aumentos de taxas de juros por bancos centrais ao redor do mundo. Em Paris, ministros das Finanças e bancos centrais do G7 reuniram-se para discutir as consequências econômicas da guerra no Irã e a volatilidade dos mercados globais de títulos, com foco especial no Japão. Uma notícia reportou que eles buscarão um consenso para lidar com tensões e desequilíbrios globais, reforçando a importância do contexto geopolítico no ambiente econômico.
Indicadores Nacionais e Projeções Econômicas
No plano doméstico, o Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central, trouxe novas projeções: para 2026, a taxa Selic foi elevada de 13% para 13,25% e o IPCA, que projeta a inflação, aumentou de 4,91% para 4,92%. Para 2027, o PIB teve uma ligeira elevação de 1,76% para 1,77%. As projeções de câmbio para 2027 e 2028 registraram quedas marginais, enquanto para 2026, o dólar foi mantido em R$ 5,20. Adicionalmente, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou alta de 0,89% em maio, desacelerando frente aos 2,94% de abril, conforme apontado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com esse resultado, o índice acumula 3,48% de alta no ano e 1,46% em 12 meses.
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que é considerado uma prévia do PIB, caiu 0,67% em março, superando as expectativas do mercado que projetava -0,20%. No entanto, apesar do recuo mensal, o indicador sinalizou um crescimento econômico de 1,3% para o primeiro trimestre. O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, destacou que o carrego para o próximo trimestre é negativo em 0,16%, indicando possível desaceleração na atividade. O Brasil, por sua vez, está preparado para aumentar as exportações de petróleo bruto para o Japão, conforme declarado pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao jornal Nikkei, em Tóquio. A Petrobras estaria pronta para expandir sua presença no mercado japonês, contribuindo para a diversificação do fornecimento de petróleo japonês, que é tradicionalmente dependente do Oriente Médio.

Imagem: infomoney.com.br
Desempenho Setorial na Bolsa Brasileira e Notícias Corporativas
O desempenho dos ativos nacionais refletiu a cautela do dia. Ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) aprofundaram perdas, caindo 2,30% e 1,94% respectivamente, em parte influenciadas pela dinâmica do petróleo. As grandes instituições financeiras apresentaram um quadro misto: enquanto Santander (SANB11) recuava 0,15% e Itaú Unibanco (ITUB4) perdia 0,15%, Bradesco (BBDC4) subia 0,23% e Banco do Brasil (BBAS3) avançava 0,05%. Azul (AZUL3) abriu o dia com queda de 0,12% (R$ 40,50), e Vale (VALE3) registrou uma abertura em baixa de 0,20% (R$ 83,33).
No setor de varejo, a performance foi igualmente diversificada, com nomes como Americanas (AMER3, +1,21%) e Magazine Luiza (MGLU3, +1,62%) em alta, enquanto outras como Grupo Pão de Açúcar (PCAR3, +1,33%), Assaí (ASAI3, -0,35%) e Grupo Mateus (GMAT3, -0,46%) demonstravam oscilações variadas. As siderúrgicas também operaram em cenários distintos: CSN (CSNA3) com -0,31%, Gerdau (GGBR4) estável, Metalúrgica Gerdau (GOAU4) com 0,39%, e Usiminas (USIM5) em alta de 2,19%. Empresas juniores de petróleo (PRIO3, BRAV3 e RECV3) apresentaram um início de pregão misto. O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) registrou uma queda de 0,20%, chegando a 3.876,86 pontos. No âmbito corporativo, a Marisa Lojas registrou um prejuízo líquido de R$ 95,8 milhões no primeiro trimestre, revertendo o lucro de R$ 2,4 milhões do ano anterior, com receita líquida caindo 3,8%. A Vamos (VAMO3) aprovou um aumento de capital de R$ 600 milhões, e a controlada da Ecorodovias (ECOR3) anunciou a aprovação de debêntures no valor de R$ 2,4 bilhões.
Outros Destaques e Notícias Adicionais
Um relatório do Bradesco BBI identificou assimetrias positivas na B3, apontando oportunidades em empresas como Petrobras, bancos, Embraer e Mercado Livre, mesmo após resultados de primeiro trimestre considerados mais fracos do que o esperado para o mercado doméstico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, visitará a Refinaria de Paulínia (Replan) para anunciar investimentos na companhia. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) reportou que os preços dos combustíveis no Brasil (Diesel A S10 com -48%, ou -R$ 1,75; Gasolina A com -88%, ou -R$ 2,22) permanecem com ampla diferença abaixo da paridade internacional.
O Banco Central informou a primeira parcial da PTAX com o dólar cotado a R$ 5,0078 na compra e R$ 5,0084 na venda. O índice de Small Caps (SMLL) abriu em baixa de 0,07%, enquanto o Bitcoin Futuro (BITFUT) começou o dia com queda de 2,27%. A Hapvida (HAPV3) iniciou o pregão com alta de 0,72% e a B3 (B3SA3) com 0,72% de valorização. Embraer (EMBR3) também iniciou o dia com uma alta de 0,59%. No cenário político, o DC (Democracia Cristã) retirou a candidatura de Aldo Rebelo e anunciou Joaquim Barbosa como pré-candidato, apesar da crítica de Rebelo que afirmou manter sua pré-candidatura. No âmbito de investigações, a Polícia Federal apura pagamentos feitos por Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro e possíveis repasses a Eduardo Bolsonaro, necessitando de cooperação internacional com os EUA. Avaliações políticas internas do partido Novo e a disputa entre Sergio Moro e o PT pela pauta da Lava-Jato no Paraná também foram mencionadas no noticiário, indicando a complexidade do ambiente político que por vezes influencia o sentimento do mercado.
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Este dia no mercado financeiro nacional reflete a intrínseca relação entre a economia local e os eventos globais, desde a volátil cotação do Ibovespa e do dólar até o impacto direto das projeções de inflação e taxas de juros. Para continuar a acompanhar a fundo as oscilações da Bolsa de Valores e as movimentações econômicas mais recentes, visite nossa editoria de Economia e mantenha-se informado sobre os acontecimentos que moldam os mercados.
Crédito da imagem: Reuters