O Censo da População em Situação de Rua, uma iniciativa inédita no panorama nacional, será conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre os dias 3 e 7 de julho de 2028. Este levantamento demográfico sem precedentes promete lançar luz sobre um dos segmentos mais vulneráveis da sociedade brasileira. A previsão é que os resultados preliminares desta abrangente pesquisa sejam disponibilizados ao público em dezembro do mesmo ano.
O anúncio oficial da pesquisa representou um marco significativo, com eventos de lançamento ocorrendo em importantes capitais do país. Na segunda-feira, dia 27 de maio de 2028, Belém foi palco do primeiro evento, seguido por uma agenda no Rio de Janeiro nesta terça-feira, 28 de maio de 2028. A capital paulista, São Paulo, está com um terceiro evento agendado para a próxima quinta-feira, 30 de maio de 2028, consolidando o alcance e a relevância nacional do projeto.
IBGE Anuncia Primeiro Censo da População em Situação de Rua
Durante o evento realizado no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua (CIPOP-RUA/RJ), no Rio de Janeiro, o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, enfatizou a expectativa de que a metodologia empregada na pesquisa sirva como um modelo e referência para outras nações. A visão é que, ao aprofundar o conhecimento sobre esse grupo, o Brasil poderá liderar abordagens inovadoras na identificação e no suporte a essas comunidades, proporcionando uma base sólida para a transformação de políticas públicas.
Na ótica de Pochmann, a capacidade de identificar detalhadamente o perfil e as origens da população que vive nas ruas do Brasil será crucial. Tais informações permitirão a elaboração e o ajuste de políticas públicas de forma muito mais eficaz e direcionada, com o objetivo primordial de superar a necessidade de levantamentos contínuos de uma população que atualmente carece de domicílio fixo. O presidente da instituição ressaltou a importância de romper com ciclos de invisibilidade e carência de dados robustos.
O presidente do IBGE recordou um capítulo histórico de tentativas anteriores de mapeamento, mencionando que a primeira iniciativa para contar os moradores em situação de rua no Brasil ocorreu em São Paulo, durante a transição entre as décadas de 1980 e 1990. Este esforço pioneiro serviu como um embrião para o reconhecimento da problemática, mesmo que em menor escala. A cidade de São Paulo, por ser um grande centro urbano, frequentemente é um palco inicial para estudos sociais e demográficos complexos, e seu histórico reflete o crescente desafio enfrentado pela administração pública e pela sociedade civil.
Os números apresentados pelo instituto ilustram um cenário de drástica mudança. No ano de 1991, o levantamento inicial na capital paulista identificou 3.393 pessoas em situação de rua. Contudo, em uma atualização mais recente, referente ao ano de 2025, o mesmo estudo revelou um alarmante aumento, com o contingente saltando para aproximadamente 101 mil indivíduos nessa mesma condição. Esta progressão demonstra a expansão da problemática ao longo das últimas décadas, sublinhando a urgência e a pertinência de um levantamento nacional.
Desafios Orçamentários e Ação Nacional
Marcio Pochmann sublinhou que a ascensão vertiginosa no número de brasileiros sem moradia fixa transcende a capacidade e os recursos das administrações municipais e estaduais, exigindo, inequivocamente, uma abordagem em âmbito nacional. Conforme defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a problemática requer uma resposta unificada e articulada do governo federal para enfrentar essa realidade com a devida proporção e impacto.
Para concretizar a execução do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, Marcio Pochmann enfatizou a necessidade imperativa de assegurar um orçamento público robusto. Esse financiamento deverá ser formalmente definido em Brasília e, crucialmente, votado e aprovado pelos parlamentares. “Tem que ter garantia orçamentária para poder realizar esse projeto”, declarou Pochmann, sublinhando que a estabilidade e a previsibilidade dos recursos são fundamentais para a eficácia e a continuidade do projeto censitário. A inclusão dessa previsão orçamentária na proposta que o governo federal encaminhará ao Congresso Nacional em agosto reforça o compromisso institucional com a causa.
Na perspectiva do presidente do IBGE, a realização deste Censo Nacional simbolizará o “pagamento de uma dívida” histórica da instituição para com estas pessoas. O levantamento é visto como um meio vital para trazer à tona a existência desses brasileiros, até então relegados à invisibilidade nas estatísticas oficiais e, muitas vezes, no cotidiano da sociedade. A esperança é que os dados coletados proporcionem uma representação numérica e social que impulsione a formulação de estratégias inclusivas e verdadeiramente transformadoras, tirando essa população das margens da existência social e política.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O IBGE fez questão de ressaltar que o desenvolvimento deste censo é fruto de uma colaboração estreita com diversas instituições e movimentos sociais dedicados à causa da população em situação de rua. Essa parceria estratégica culminou na criação de uma metodologia própria, desenvolvida através de um diálogo constante e construtivo com representantes da sociedade civil. Tal abordagem não apenas legitima o processo, mas também assegura que a coleta de dados seja sensível às nuances e especificidades da vivência nas ruas, promovendo uma compreensão mais holística e humanizada do problema. Mais informações sobre os censos podem ser encontradas no portal do IBGE, uma fonte primária de dados oficiais e estatísticas do Brasil.
A Voz da População em Situação de Rua e o Engajamento Social
O lançamento do censo no Rio de Janeiro contou com a presença e o testemunho emocionado de Igor Santos, um morador em situação de rua. Igor destacou que, com frequência, não é uma escolha pessoal ou falta de vontade que leva alguém a viver nas ruas, mas sim um conjunto de circunstâncias complexas e adversas da vida. “Muitas das vezes, somos discriminados, somos olhados com olhares de menosprezo. Então, eu vim aqui para poder pedir ajuda”, desabafou Igor, chamando a atenção para a profunda marginalização social e os estigmas enfrentados diariamente por essa população.
Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, que superou a condição de morador de rua há quatro anos, expressou sua convicção de que a realização da pesquisa transcende a simples coleta de dados, impactando profundamente a estrutura social do país. A iniciativa é vista por ele como um divisor de águas, capaz de modificar percepções e induzir políticas mais justas e equitativas.
Lino informou que o processo do censo terá uma participação ativa da própria população em situação de rua. Pessoas com experiência e trajetória de vida nas ruas serão contratadas para auxiliar na condução do levantamento, o que não só garante emprego, mas também confere maior sensibilidade e precisão à coleta de dados. Além disso, as 20 coordenações nacionais do Movimento Nacional da População de Rua comprometeram-se a colaborar ativamente, garantindo que a pesquisa atinja um resultado correto e verdadeiramente representativo da realidade dessas pessoas. Essa integração entre pesquisa oficial e conhecimento vivencial é um diferencial estratégico para o sucesso do Censo da População em Situação de Rua.
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O anúncio do primeiro Censo da População em Situação de Rua em 2028 pelo IBGE marca um passo crucial para o reconhecimento e a formulação de políticas eficazes. Com uma metodologia participativa e o compromisso de trazer visibilidade a uma população muitas vezes esquecida, espera-se que este levantamento ofereça as bases necessárias para transformar a realidade de milhares de brasileiros. Para acompanhar os desdobramentos desta e outras notícias importantes, continue navegando em nossa editoria de Política e fique por dentro das decisões que moldam o futuro do Brasil.
Crédito da Imagem: Antônio Cruz/Agência Brasil


