O interesse feminino em esportes no Brasil registrou um crescimento expressivo de 25% entre os anos de 2020 e 2025, superando a média nacional, que foi de 19%. Esse avanço notável foi impulsionado significativamente por modalidades como o skate, que se consolidou como o esporte de maior ascensão no período, e pelo futebol, que, embora ainda não lidere as preferências, demonstra uma clara trajetória de expansão na paixão do público feminino. A análise desses dados reflete uma transformação no cenário esportivo do país, onde a visibilidade de atletas e o surgimento de novos eventos contribuem para engajar mais mulheres na prática e acompanhamento de diversas competições.
Uma das bases para essa revolução no esporte feminino brasileiro é a sólida performance do judô. Atletas como Sarah Menezes, Rafaela Silva e Beatriz Souza não apenas conquistaram medalhas olímpicas, mas também elevaram o judô feminino ao posto de protagonista na modalidade que mais contribuiu para o quadro de medalhas do Brasil nos Jogos. A história inspiradora começou em Pequim (China), em 2008, com Ketleyn Quadros, que alcançou um feito inédito ao se tornar a primeira judoca brasileira a subir ao pódio olímpico, ganhando um bronze. Essa conquista reverberou e motivou nomes como Larissa Pimenta a buscar a excelência, culminando em suas duas medalhas, obtidas em Tóquio (Japão) em 2021 e novamente em Paris (França) em 2024.
Interesse Feminino em Esportes Acelera com Skate e Futebol
Conforme destacou Larissa Pimenta, essa ascensão se traduz em um ciclo virtuoso. “O Brasil é um país que está começando a ter muitas referências de mulheres no esporte. O que elas constroem motiva mais mulheres a virem, a quererem lutar e, consequentemente, termos mais mulheres [envolvidas com esporte] no geral”, afirmou a judoca, reforçando o poder da representatividade feminina na estimulação de uma maior participação e interesse em atividades físicas e competitivas. Este sentimento é corroborado pelos dados do estudo do Instituto Ibope Repucom, que demonstrou a ampliação da conexão das mulheres com o universo esportivo, seja como praticantes, fãs ou torcedoras, transformando o perfil do consumo esportivo no país.
O Impacto do Skate e Suas Referências Olímpicas
Nenhuma modalidade cresceu tanto em interesse feminino quanto o skate. Entre 2020 e 2025, o esporte viu seu apelo entre as mulheres evoluir em impressionantes 49%. Esse salto é diretamente atribuído às notáveis conquistas olímpicas do Brasil, que incluem a medalha de prata em Tóquio e o bronze em Paris, e, especialmente, à trajetória brilhante de Rayssa Leal, detentora de quatro títulos do circuito mundial. Rayssa se tornou uma referência global, inspirando milhões com seu talento e carisma.
Danilo Amancio, coordenador do Ibope Repucom, analisou o fenômeno, apontando que “Ela [Rayssa] é uma referência aspiracional do esporte, mas o skate também tem um forte componente de estilo de vida. A partir do momento no qual o skate vira uma modalidade olímpica, nos Jogos de Tóquio, com alto desempenho e medalhas para o Brasil, ele ganha um novo patamar”. Essa transição para o status olímpico, aliada à figura carismática de Rayssa Leal, projetou o skate para um público muito mais amplo, integrando aspectos de competição de elite com a cultura e a identidade da juventude.
Futebol Feminino em Ascensão no País
Embora o futebol masculino tradicionalmente domine a paixão nacional, o futebol feminino no Brasil está experimentando um crescimento robusto, consolidando-se como um pilar essencial na evolução do esporte entre as mulheres. Segundo o estudo, 64% das mulheres se autodeclaram fãs da modalidade, o que a coloca no terceiro lugar em interesse, em pé de igualdade com a natação e o vôlei de praia. A ginástica artística lidera a preferência, com 72% de interesse, seguida pelo vôlei de quadra, com 69%.
Esse aumento no interesse das mulheres pelo futebol é evidenciado por um crescimento de 5% ao ano. Danilo Amancio ressaltou fatores cruciais para essa expansão: “Alguns fatores são importantes, como a maior visibilidade dos produtos e torneios femininos, especialmente em TV aberta. E o mundo digital trouxe novas alternativas para um melhor e mais fácil relacionamento com novos nomes, novas atletas”. A exposição ampliada em canais abertos e a conectividade proporcionada pelas plataformas digitais permitem que novas gerações de torcedoras se conectem diretamente com suas ídolos, promovendo um engajamento mais profundo e imediato.
Novas Gerações e Referências no Futebol
Um exemplo palpável dessa renovação de talentos e interesses foi observado em um evento no qual o Sesi São Paulo recebeu o prestigiado selo de Clube Formador da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo seu dedicado trabalho no desenvolvimento do futebol de base feminino. A reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) conversou com jovens atletas da equipe sub-15 da agremiação, que revelaram uma interessante gama de referências.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Diferente de gerações anteriores, cujos ícones eram predominantemente nomes como Formiga, Cristiane e Marta, a nova leva de jogadoras busca inspiração em atletas mais recentes. A volante Marília, por exemplo, declarou-se fã de Angelina, que atua no Orlando Pride, dos Estados Unidos, e é a atual capitã da seleção brasileira, além de jogar na mesma posição. Maria Teresa, carinhosamente conhecida como Teca, admirava a goleira Lorena, que integra o elenco do Kansas City Current, na liga norte-americana, mas curiosamente sua principal referência é uma atleta já aposentada.
“A [jogadora] que mais me inspira é a [ex-goleira norte-americana] Hope Solo. Era fora de série e acho que tinha um jeito de jogar parecido com o meu, o que é intrigante”, comentou Teca, demonstrando a diversidade e o alcance global das influências sobre as jovens atletas brasileiras. O acesso facilitado a jogos internacionais e perfis de atletas via mídias digitais amplia o horizonte de referências, transcendendo as barreiras geográficas e temporais.
A Copa Feminina e o Horizonte de 2027
O entusiasmo pelo futebol feminino se reflete no crescente interesse pela Copa do Mundo masculina de 2026, com 71% dos brasileiros manifestando interesse, um salto significativo em relação aos 59% registrados na Copa de 2014, realizada no Brasil. Contudo, a grande expectativa recai sobre a Copa Feminina de 2027, que será sediada no Brasil pela primeira vez na história.
Segundo o levantamento do Ibope Repucom, 65% dos brasileiros – incluindo homens e mulheres – já se declaram fãs do evento. Danilo, do instituto, prevê um potencial ainda maior de crescimento para esses números até 2027, com a possibilidade de superar os 67% de interesse que a Copa do Mundo masculina de 2014 gerou. A experiência de ser país-sede trará uma visibilidade sem precedentes, gerando um “maior interesse natural e pela ampla cobertura que teremos no dia a dia”, concluiu o coordenador. A proximidade da Copa 2026, seguida da Copa do Mundo Feminina no Brasil, funcionará como um catalisador fundamental, impulsionando ainda mais o interesse tanto feminino quanto geral pela modalidade no país.
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Em resumo, o crescimento do interesse feminino em esportes no Brasil é uma realidade incontestável, impulsionado pelo desempenho exemplar no judô, a popularização meteórica do skate com figuras como Rayssa Leal e a ascensão contínua do futebol feminino. Esses avanços não apenas mudam o panorama esportivo, mas também criam um ambiente inspirador para futuras gerações. Continue acompanhando as novidades do universo esportivo em nosso blog para ficar por dentro de todas as transformações e conquistas dos atletas brasileiros. Para mais informações e análises sobre o esporte no Brasil e no mundo, acesse nossa editoria de Esporte e mergulhe no mundo das competições.
Crédito da imagem: REUTERS/Pilar Olivares


