Ato em SP critica filme contra Paulo Freire em escola

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Neste sábado, 18 de abril de 2026, uma manifestação em São Paulo uniu professores, pais de alunos, representantes sindicais e parlamentares em um ato contundente contra o uso indevido de uma escola infantil municipal como cenário para a produção de um filme. A obra em questão, a cargo da produtora Brasil Paralelo, tem sido amplamente criticada por alegadamente difamar a educação pública brasileira e o legado do renomado educador Paulo Freire, reconhecido nacionalmente como patrono da Educação no país.

O protesto, configurado como uma aula pública, teve lugar na Praça Roosevelt, estrategicamente posicionada em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão (Pagu). Foi nesse exato local que a produtora Brasil Paralelo realizou as gravações de imagens destinadas ao seu próximo documentário, intitulado “Pedagogia do Abandono”, que, até o momento, ainda não teve seu lançamento oficial ao público.

Ato em SP critica filme contra Paulo Freire em escola

A produtora em questão, conhecida por desenvolver conteúdo que geralmente se alinha com a extrema-direita, já enfrentou repercussões legais significativas em seu histórico. Parte de seus colaboradores, por exemplo, tornou-se ré em decorrência da produção de outro filme controverso, intitulado “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha”. A Justiça do Ceará acolheu uma denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual e, assim, converteu dois dos colaboradores da Brasil Paralelo em réus, sob a acusação de participação ativa em uma campanha de ódio direcionada a Maria da Penha, figura emblemática na luta nacional contra a violência doméstica e familiar.

Durante o evento que reuniu os manifestantes, Sandra Regina Bouças, diretora da Emei Patrícia Galvão, expressou com clareza a relevância perene da filosofia do educador pernambucano. “A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, afirmou Sandra Bouças, enfatizando a abrangência e a inquestionável influência do pensamento freiriano, que transcende os muros da instituição.

Apesar de a diretora Sandra Bouças ter se abstido de conceder entrevistas à imprensa que cobria o evento, ela optou por tornar pública uma carta em suas redes sociais. Nesse documento, ela questionava profundamente a produção cinematográfica que utilizou espaços internos da instituição educacional. As gravações em questão foram, segundo informações oficiais, devidamente autorizadas pela prefeitura da cidade de São Paulo. Na sua carta, a diretora explicitou sua profunda preocupação: “Identificamos que se trata de um projeto para destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas. Será que há, nesta proposição, uma tentativa de contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade?”. Essa reflexão apontou diretamente para a possível intenção do projeto em desqualificar o ensino público e endossar propostas privatistas para o setor.

Na mesma carta aberta, Sandra Regina Bouças detalhou que tomou conhecimento do envolvimento da produtora Brasil Paralelo nas filmagens apenas na véspera das mesmas, o que gerou um adensamento das preocupações. “Na noite anterior à data marcada para a gravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo”, relatou a diretora. Seu relato culminou na descrição de que se tratava de uma “produtora responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente”. Essa revelação tardia sobre a verdadeira identidade da produtora, e o conhecimento de seu perfil ideológico, intensificou as preocupações sobre a natureza, os métodos e as intenções por trás do projeto audiovisual.

A professora Denise Carreira, docente da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e reconhecida figura como educadora popular, também participou ativamente da manifestação. Em sua fala, ela expressou sua perspectiva crítica sobre os reais objetivos da produção. Para a professora, o filme em questão visa explicitamente a fragilização de políticas públicas que são fundamentais, principalmente as de caráter social e racial, além de buscar desarticular e enfraquecer a agenda de gênero no debate educacional. “Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, adicionou Carreira, reforçando a crucial importância da vigilância e da defesa dos pilares da educação inclusiva e transformadora que o patrono da Educação, **Paulo Freire**, defendeu de forma incansável ao longo de sua vida e vasta obra. Para se aprofundar na compreensão de sua trajetória e vasta influência, é possível consultar o perfil detalhado de Paulo Freire na Wikipédia, uma fonte rica em informações sobre sua vida e legado pedagógico.

Eduarda Lins, que é mãe de uma das alunas que frequentam a escola em questão, expressou abertamente seus sinceros elogios à equipe pedagógica e de apoio da Emei, ao mesmo tempo em que dirigiu severas críticas tanto à produtora envolvida quanto à administração municipal que concedeu a autorização. “Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração”, desabafou Lins. Sua fala ressaltou o sentimento de traição e desapontamento generalizado com a decisão de autorizar uma empresa com histórico tão controverso a utilizar uma instituição de ensino pública, que deveria zelar pelos interesses dos alunos e da comunidade.

O Outro Lado: O Esclarecimento da Spcine

A Spcine, órgão municipal encarregado pelo fomento e desenvolvimento da indústria audiovisual na capital paulista, manifestou-se oficialmente a respeito do incidente. Em nota pública, a Spcine informou que o pedido para a gravação foi devidamente recebido e que, após uma rigorosa análise técnica conduzida pela SP Film Commission — departamento que tem como atribuição recepcionar, processar e encaminhar todas as solicitações de filmagem —, a autorização foi concedida seguindo os trâmites e procedimentos padrão estabelecidos. “O procedimento é padrão e foi o mesmo adotado em todas as outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade até o momento em 2026. Somente no ano passado, foram autorizadas mais de mil gravações”, detalhou o órgão em seu comunicado, buscando contextualizar a situação como parte de uma rotina administrativa corriqueira. A Spcine, no entanto, frisou um ponto crucial de suas atribuições e responsabilidades: a verificação de aspectos legais complexos, como o uso adequado de imagem de pessoas e a participação de menores de idade nas produções, é de responsabilidade exclusiva dos próprios produtores, isentando a Spcine de tais checagens e reforçando a autonomia das produtoras nestes aspectos legais específicos.

Em uma tentativa de obter uma manifestação oficial ou esclarecimento por parte da produtora envolvida na controvérsia, a Agência Brasil tentou entrar em contato diretamente com a Brasil Paralelo. No entanto, até o momento da publicação desta reportagem e finalização da apuração, a produtora não havia emitido qualquer resposta ou declaração sobre as acusações e o protesto em São Paulo.

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Em suma, o **ato que critica o uso de escola pública em filme** de teor ideológico em São Paulo ressalta a importância vital de debater, fiscalizar e, sobretudo, proteger a integridade da educação brasileira, assim como o imenso legado de **Paulo Freire**. O protesto é um lembrete contundente diante de produções audiovisuais que, segundo as denúncias, buscam deturpar seus princípios fundamentais. Fique por dentro de outras análises aprofundadas e notícias relevantes sobre este e outros temas cruciais em nossa editoria de Política e continue acompanhando os desdobramentos desses debates que são essenciais para a sociedade contemporânea.

Crédito da imagem: EBC
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