Os estados do Rio de Janeiro e de Rondônia se destacaram como as únicas unidades federativas que indicaram não aderir à proposta de subsídio sobre o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) referente ao diesel importado. Esta iniciativa, apresentada pelo governo federal com o intuito de mitigar a alta nos preços dos combustíveis, recebeu adesão majoritária, conforme informações divulgadas nesta quinta-feira, 2 de novembro.
A informação foi compartilhada pelo vice-presidente da República e atual ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, em uma entrevista concedida a jornalistas. Alckmin detalhou que aproximadamente 90% dos estados brasileiros já sinalizaram sua concordância com a subvenção. Adicionalmente, ele mencionou que entre dois e três estados ainda se encontram em fase de avaliação da proposta, com expectativa de comunicar suas decisões até hoje ou, no mais tardar, amanhã, 3 de novembro.
Rio e Rondônia não reduzirão ICMS sobre o diesel
A decisão de Rio de Janeiro e Rondônia de manter a arrecadação integral do **ICMS sobre o diesel** importado contrasta com o movimento de grande parte do país. A medida de subvenção fiscal tem como pano de fundo a necessidade de estabilizar o mercado de combustíveis, particularmente diante das flutuações e pressões ascendentes nos valores de venda, impulsionadas significativamente pela intensificação dos conflitos no Oriente Médio, que impactam diretamente o preço internacional do petróleo e, consequentemente, dos derivados.
A Estrutura do Subsídio e seu Impacto Financeiro
A proposta de subsídio, caracterizada por ser temporária e de natureza excepcional, delineia um auxílio financeiro total de R$ 1,20 por litro de diesel importado. Este benefício está programado para ser aplicado durante um período de dois meses, buscando oferecer um alívio pontual aos consumidores e à cadeia produtiva. O Ministério da Fazenda calculou que o impacto fiscal global da medida se aproximará de R$ 3 bilhões, traduzindo-se em R$ 1,5 bilhão por mês durante a vigência do programa.
A distribuição dos custos relacionados a este subsídio foi estabelecida de maneira equitativa entre as esferas federal e estadual. De acordo com o planejamento, a União se responsabilizará por R$ 0,60 por litro subsidiado, enquanto as unidades da federação participantes, que aderirem à iniciativa, arcarão com os restantes R$ 0,60 por litro. Esta formatação buscou equilibrar o esforço fiscal, após uma prévia resistência dos governadores à proposta inicial de zerar o ICMS sobre a importação do combustível, o que demonstra uma flexibilização por parte da equipe econômica para angariar o apoio dos estados.
Outras Medidas Governamentais para o Combustível
A atual subvenção ao ICMS não é a única frente de atuação do governo federal para o setor de combustíveis. Ela se soma a uma série de outras ações anunciadas no último dia 12 de outubro. Entre estas medidas complementares, destacam-se a concessão de um subsídio de R$ 0,32 por litro destinado a produtores e importadores, e a implementação de cortes nas alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização de diesel.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Em termos de arrecadação, a zeragem das contribuições de PIS e Cofins sobre o diesel representa uma perda estimada de R$ 20 bilhões para o Tesouro Nacional. No que tange à nova subvenção específica para o diesel, esta deve gerar um impacto financeiro adicional de aproximadamente R$ 10 bilhões no caixa da União, elevando o esforço fiscal total do governo para controlar os preços. Essas estratégias coordenadas visam fornecer um arcabouço de suporte para os preços ao consumidor, minimizando as volatilidades externas.
Cenário Político: Alckmin e a Desincompatibilização
Geraldo Alckmin utilizou a ocasião para, além de abordar as questões relativas aos combustíveis, apresentar um balanço de sua gestão à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Este momento informativo também tem relevância política, dado que Alckmin anunciou sua intenção de disputar a reeleição para a Vice-Presidência da República em outubro próximo, compondo chapa com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A participação de Alckmin no pleito eleitoral exige que ele cumpra as normativas da legislação eleitoral, especialmente no que se refere à desincompatibilização. Para concorrer ao cargo de Vice-Presidente, Alckmin pode permanecer na sua cadeira de Vice-Presidência da República, mas é mandatório que se afaste de sua função ministerial no Poder Executivo. Tais movimentos reforçam o dinamismo político por trás das decisões econômicas de grande impacto nacional, como a política de **ICMS sobre o diesel** e os subsídios aos combustíveis. Para mais detalhes sobre as movimentações da política econômica federal, consulte o portal oficial do Ministério da Fazenda, que frequentemente publica comunicados sobre novas diretrizes e impactos fiscais.
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Em suma, a postura divergente de Rio de Janeiro e Rondônia frente ao subsídio do ICMS do diesel sublinha as complexidades federativas na gestão econômica. Enquanto o governo federal busca equilibrar a estabilidade dos preços dos combustíveis com a saúde fiscal, o desenrolar das adesões estaduais e a aplicação das diversas medidas serão cruciais para a inflação e a economia do país. Continue acompanhando nossa editoria de Economia para mais análises e atualizações sobre o impacto dessas decisões.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

