TRE-RJ marca recontagem de votos após cassação de Bacellar

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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) agendou para a próxima terça-feira, 31 de março, às 15h, uma sessão de grande importância que definirá a **recontagem de votos** para o cargo de deputado estadual nas eleições gerais de 2022. Esta iniciativa, anunciada pelo presidente da corte, Claudio de Mello Tavares, repercute significativamente no cenário político fluminense.

O procedimento judicial surge como um desdobramento direto de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que culminou na cassação do mandato do deputado estadual Rodrigo Bacellar, que anteriormente presidiu a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

A expectativa em torno da decisão do Tribunal Superior Eleitoral é alta, e a

TRE-RJ marca recontagem de votos após cassação de Bacellar

será fundamental para reorganizar o panorama legislativo fluminense, especialmente a sua composição interna.

Com a efetivação da cassação de Bacellar, a impressionante marca de 97.822 votos que ele recebeu serão invalidados. Essa substancial anulação provocará uma reconfiguração na composição da Alerj, uma vez que a distribuição de cadeiras entre as diferentes legendas e federações políticas sofrerá alterações em decorrência da nova totalização.

Rodrigo Bacellar foi destituído de seu cargo em razão do uso inadequado de recursos da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do RJ (Ceperj), que foram direcionados com fins eleitorais. No mesmo dia em que essa deliberação foi tomada, o TSE também declarou a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro e de Gabriel Rodrigues Lopes, então presidente da Ceperj, reforçando a seriedade das infrações.

Em um evento relacionado, mas anterior à recontagem, a desembargadora Suely Lopes Magalhães, que atua como presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, anulou a eleição ocorrida na Alerj para a presidência da Casa. Essa votação, que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) na última quinta-feira (26), foi considerada inválida por sua decisão.

A justificativa da magistrada baseou-se no entendimento de que o processo eleitoral interno da Alerj somente poderia ter sido iniciado após a retotalização oficial dos votos pelo TRE. Conforme a explicação da desembargadora Suely Magalhães, essa nova contagem é um passo indispensável para a correta definição do colégio eleitoral apto a participar da escolha do novo presidente da Casa.

A avaliação da presidente em exercício apontou que a Mesa Diretora da Alerj havia acatado parcialmente a deliberação do TSE, considerando apenas a vacância do cargo de presidente após a cassação de Bacellar. No entanto, ela frisou que o processo eleitoral deflagrado pela Mesa Diretora, sem o cumprimento integral da decisão do TSE, não apenas comprometia a eleição do novo presidente da Alerj, mas também a definição do político que assumiria interinamente o governo estadual, um cenário provocado pela renúncia de Cláudio Castro.

Contexto da Sucessão Política no Rio de Janeiro

Desde maio de 2025, o estado do Rio de Janeiro estava sem vice-governador. Naquela época, Thiago Pampolha renunciou ao posto para assumir uma cadeira como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), aprovação que havia passado pela própria Alerj. Essa manobra política colocou Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, como o primeiro na linha de sucessão do Executivo estadual.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Contudo, a situação de Bacellar mudaria drasticamente em 3 de dezembro de 2025, quando foi detido no âmbito da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A investigação apurava a suposta conexão de políticos com o Comando Vermelho (CV), uma das principais organizações criminosas do Rio de Janeiro. Em razão das implicações, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o seu afastamento da presidência da Alerj, mesmo após ser libertado da prisão.

Diante do cenário, a Alerj passou a ser presidida, em caráter interino, pelo deputado Guilherme Delaroli (PL). No entanto, sua interinidade impedia-o de ocupar um lugar na linha sucessória ao governo do estado.

Em um desdobramento recente, na última segunda-feira (23), Cláudio Castro renunciou ao cargo de governador, sinalizando sua intenção de disputar uma vaga no Senado na eleição de outubro. A renúncia era percebida também como uma estratégia para tentar escapar de uma eventual declaração de inelegibilidade, visto que Castro enfrentava um julgamento no TSE por suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha de reeleição em 2022. Os desdobramentos de casos como esse demonstram a importância da fiscalização da Justiça Eleitoral brasileira.

O julgamento no TSE, contudo, teve um desfecho desfavorável para Castro, com a corte eleitoral confirmando a sua cassação como governador e declarando sua inelegibilidade até o ano de 2030. Na mesma decisão, o tribunal também cassou e tornou inelegível Rodrigo Bacellar, que havia sido secretário de governo na administração de Castro.

A decisão do TSE foi além e determinou que a Alerj deveria conduzir eleições indiretas para o governo do estado. Desde a renúncia de Cláudio Castro, o comando do Executivo do Rio de Janeiro está sob a liderança interina do presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Ricardo Couto de Castro.

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A recontagem de votos pelo TRE-RJ representa um marco na intrincada trama política e jurídica do Rio de Janeiro, com reflexos diretos na governabilidade e na representação legislativa. Para se manter atualizado sobre estes e outros acontecimentos do cenário político, continue acompanhando a editoria de Política em nosso blog, onde desvendamos as notícias mais relevantes.

Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

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