As contas de Eduardo Bolsonaro e Heloísa Bolsonaro foram bloqueadas por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pelo ex-deputado federal (PL-SP) em suas plataformas digitais nesta terça-feira, 24. Segundo Bolsonaro, a medida alcançou tanto suas próprias finanças quanto as de sua esposa.
Em sua publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro explicitou que o objetivo, na sua avaliação, é provocar um “asfixiamento financeiro” à sua família. Ele argumentou que o bloqueio compromete diretamente o sustento de seus filhos, que possuem apenas cinco e dois anos de idade, reforçando o impacto direto das ações judiciais na vida familiar.
Moraes Bloqueia Contas de Eduardo Bolsonaro e Esposa
A recente manifestação do ex-deputado ocorreu um dia após a autorização, concedida pelo ministro Moraes na segunda-feira, 23, à Polícia Federal. Tal autorização permitiu a utilização de provas de um inquérito criminal conduzido contra Eduardo Bolsonaro em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Este processo pode, em última instância, culminar na sua demissão do cargo de escrivão da corporação, acentuando a pressão sobre sua carreira pública.
A decisão de Moraes que endossou o compartilhamento das evidências considerou a medida “razoável, adequada e pertinente” para o andamento do PAD. Essa determinação intensifica o cenário jurídico que envolve Eduardo Bolsonaro, já marcado por diversos inquéritos e procedimentos em diferentes esferas da justiça e administração pública.
A Situação Funcional e Pessoal de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro encontra-se em autoexílio nos Estados Unidos há aproximadamente um ano. No âmbito administrativo, sua trajetória profissional na Polícia Federal tem sido objeto de análise rigorosa. Conforme detalhado pelo Estadão, seu mandato como deputado federal foi cassado em dezembro de 2025 pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, devido a um número excessivo de faltas às sessões parlamentares.
Em janeiro do ano atual, a Polícia Federal expediu uma ordem para que ele retornasse imediatamente às suas funções como escrivão, lotado em Angra dos Reis (RJ). Contudo, a ausência de apresentação levou à abertura de um PAD pela Corregedoria Regional da PF no Rio de Janeiro por “indícios de abandono de cargo”, resultando em seu afastamento preventivo em fevereiro. Subsequentemente, em 16 de março, um edital de citação foi publicado no Diário Oficial da União, concedendo a Eduardo Bolsonaro um prazo de 15 dias para apresentar sua defesa administrativa.
Críticas e Acusações de Perseguição Política
Em sua publicação, o ex-parlamentar dirigiu-se ao ministro Moraes utilizando a alcunha “D. Pedro III”, numa crítica velada ao que ele percebe como um excesso de poder. Ele enfatizou que não está recebendo salário como escrivão da PF, mencionando o valor aproximado de R$ 20 mil, o que, segundo ele, agrava a situação financeira de sua família frente ao bloqueio das contas.
Adicionalmente, Eduardo Bolsonaro trouxe à tona informações sobre contratos supostamente milionários atribuídos à mulher do ministro Moraes, citando valores de R$ 129 milhões em um acordo com a empresa Master. Ele calculou que um escrivão da PF levaria mais de 537 anos de trabalho para acumular uma cifra equivalente, levantando questionamentos sobre a conduta e os recursos envolvidos no Judiciário.

Imagem: infomoney.com.br
O temor de uma eventual condenação por improbidade administrativa, que o tornaria inelegível por um período de oito anos, foi expressa por Bolsonaro. Ele traçou um paralelo com o caso da ex-presidente Dilma Rousseff, que, apesar de sofrer um processo de impeachment, não foi privada de seus direitos políticos. “Se eu fosse condenado por improbidade administrativa, ao contrário do que ocorreu com Dilma Rousseff, ficaria inelegível por 8 anos. Portanto, a intenção é evidente: retirar-me da vida política”, declarou o ex-deputado, reforçando sua convicção de uma perseguição política.
Histórico de Bloqueios e Imbróglios Judiciais
Esta não é a primeira vez que as contas de Eduardo Bolsonaro são objeto de bloqueio. Em julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes já havia determinado o bloqueio de bens, contas bancárias e chaves Pix do político. Aquela medida ocorreu no âmbito de um inquérito que investiga a suposta articulação de sanções do governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Naquela ocasião, Heloísa Bolsonaro também reportou o bloqueio de suas contas bancárias. No entanto, não foi esclarecido se a postagem feita nesta terça-feira se refere à mesma ordem judicial de 2025 ou a uma nova decisão recente.
Atualmente, Eduardo Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal pelo crime de coação no curso do processo. A acusação formal aponta que ele teria atuado a partir dos Estados Unidos para exercer pressão sobre o Poder Judiciário brasileiro, pouco antes do julgamento da chamada “trama golpista”, processo em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado. A defesa de Eduardo Bolsonaro, por sua vez, argumenta que todas as suas ações estão protegidas pelo exercício da liberdade de expressão, pilar fundamental da democracia.
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A situação envolvendo Eduardo Bolsonaro e as decisões do STF continuam em aberto, com desdobramentos importantes que afetam tanto sua vida pessoal e financeira quanto seu futuro político. Para mais notícias e análises aprofundadas sobre política e os cenários jurídicos do país, continue acompanhando a editoria de Política em nosso blog, onde atualizamos constantemente os fatos mais relevantes.
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