Sarampo: Caso em bebê de SP reforça alerta vacinal no Brasil

Saúde

O sarampo, uma enfermidade infecciosa altamente contagiosa, provocou um novo sinal de alerta para as autoridades de saúde no Brasil. A recente confirmação de um caso em um bebê de seis meses na cidade de São Paulo intensifica o debate sobre a criticidade de manter níveis elevados de cobertura vacinal, que funcionam como uma defesa primordial, sobretudo para indivíduos que ainda não estão aptos a serem imunizados.

O protocolo de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece a administração da primeira dose da vacina tríplice viral – que confere proteção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola – somente a partir dos doze meses de idade. Posteriormente, aos quinze meses, recomenda-se uma dose da vacina tetra viral, que reforça a imunidade contra essas três doenças e amplia a proteção, incluindo a catapora. Dessa forma, devido à sua idade, a criança diagnosticada com sarampo ainda não se enquadrava nos critérios para receber a imunização.

De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), uma ampla cobertura vacinal é fundamental para criar um “escudo de proteção” ao redor de bebês e de outras parcelas da população que não puderam ser imunizadas. Este efeito protetivo coletivo, conhecido como imunidade de rebanho, é indispensável para frear a circulação viral em grupos mais vulneráveis. O sarampo é uma doença de alta transmissibilidade, tornando a vacinação em massa a estratégia mais eficaz contra sua propagação.

Sarampo: Caso em bebê de SP reforça alerta vacinal no Brasil

A vacina contra o sarampo possui uma eficácia notável, não apenas prevenindo o desenvolvimento da doença no indivíduo, mas também inibindo a infecção e a subsequente transmissão do vírus. Kfouri explica: “A vacina tem essa capacidade, que a gente chama de esterilizante. Além de prevenir que a pessoa contraia a doença, ela também evita que essa pessoa seja um portador e transmissor do vírus”, salientando o papel crucial da imunização na contenção de possíveis surtos e na interrupção da cadeia de contágio.

O bebê diagnosticado em São Paulo havia realizado uma viagem com sua família à Bolívia em janeiro, país que enfrenta um surto de sarampo desde o ano anterior. Casos importados, como este, demonstram a urgência de elevadas taxas de imunização, não só para proteger a população local, mas também para impedir que tais ocorrências se tornem o ponto de partida para surtos internos no Brasil.

Renato Kfouri também adverte sobre a natureza do sarampo: “O sarampo é uma doença de altíssima transmissibilidade, especialmente entre os não vacinados. A imunização em altas taxas é o que funciona como barreira na circulação do vírus. Mas se isso não acontecer, não é nem necessário que alguém viaje e contraia o vírus lá fora. Basta ficar aqui, com tanta gente vindo de outros países onde há surto, que o risco é o mesmo”, pontua o especialista, alertando que a mera presença de pessoas não vacinadas, combinada ao trânsito de viajantes de regiões com surto, já representa um perigo considerável para a saúde pública.

Dados referentes ao último ano indicam que 92,5% dos recém-nascidos receberam a primeira dose da vacina. Contudo, a taxa de crianças que completaram o esquema vacinal dentro da idade correta foi de apenas 77,9%. Essa lacuna na finalização do esquema demonstra uma vulnerabilidade que precisa ser abordada para fortalecer a barreira de proteção contra o sarampo e outras doenças preveníveis por vacinação.

A imunização oferece proteção duradoura, mas não é exclusiva para os bebês. Crianças e adultos que não possuem comprovante de vacinação devem procurar a regularização de suas doses. Para pessoas entre 5 e 29 anos de idade, são recomendadas duas doses, com intervalo mínimo de um mês entre elas. Já para a faixa etária de 30 a 59 anos, uma única dose é suficiente para garantir a proteção. A vacina é contraindicada para gestantes e para indivíduos com comprometimento imunológico.

O caso confirmado na bebê paulista representa o primeiro registro de sarampo no Brasil em 2024. No ano anterior, foram documentadas 38 infecções, sendo a maioria delas classificadas como casos importados, ou seja, adquiridos em viagens a outros países. A vigilância epidemiológica contínua e a manutenção de altos índices de vacinação são cruciais para impedir a reintrodução e disseminação sustentada da doença.

Sarampo: Caso em bebê de SP reforça alerta vacinal no Brasil - Imagem do artigo original

Imagem: Sbim via agenciabrasil.ebc.com.br

Apesar desses desafios pontuais, o Brasil mantém seu status de área livre do sarampo, certificado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) em 2024, visto que não há transmissão sustentada da doença em seu território. Contudo, é um título que exige vigilância constante, uma vez que o país já havia alcançado a mesma certificação em 2016 e a perdeu em 2019, após o surgimento de surtos iniciados por casos importados.

A situação do sarampo no continente americano merece atenção redobrada. No ano passado, 14 países das Américas registraram 14.891 casos da doença, resultando em 29 óbitos. O cenário de 2024 é igualmente preocupante, com 7.145 infecções confirmadas somente até o dia 5 de março – quase metade do total de casos do ano anterior em apenas dois meses. México, Estados Unidos e Guatemala são as nações mais impactadas atualmente.

Kfouri sublinha que a vasta maioria dos casos ocorre em indivíduos não vacinados, principalmente crianças menores de um ano de idade. Ele enfatiza que o sarampo não é uma doença inofensiva da infância, como muitos podem pensar. As complicações podem ser graves: “Nos surtos, em geral, para cada 1 mil casos da doença, a gente costuma ter um óbito, mas estamos registrando uma proporção muito maior. No ano passado, foram quase 15 mil casos nas Américas, com quase 30 óbitos. As complicações mais comuns são pneumonia ou quadros neurológicos, como encefalite”, esclarece o vice-presidente da Sbim, destacando os riscos à vida.

Os principais sinais e sintomas da doença incluem o aparecimento de manchas vermelhas pela pele, febre alta, tosse persistente, coriza, irritação ocular e mal-estar geral. Além dos sintomas agudos, Renato Kfouri adverte para um efeito secundário potencialmente perigoso: a supressão do sistema imunológico. “Durante três a seis meses após a infecção pelo sarampo, o nosso sistema de defesa não funciona corretamente, e a gente fica mais vulnerável a ter outras doenças oportunistas infecciosas, que também podem ser graves”, conclui, ressaltando que o sarampo compromete as defesas do organismo, abrindo portas para outras complicações de saúde.

Confira também: Imoveis em Rio das Ostras

Este recente caso de sarampo em São Paulo é um lembrete contundente da vigilância necessária e da importância da adesão em massa ao calendário vacinal. Manter as carteiras de vacinação atualizadas é um ato de responsabilidade individual e coletiva, crucial para proteger os mais vulneráveis e prevenir o retorno de doenças já controladas no país. Para mais notícias e análises sobre importantes questões de saúde pública e muito mais, continue navegando em nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

Deixe um comentário