A MadeiraMadeira, consolidado ecossistema focado em produtos e serviços para o lar, surpreendeu o mercado ao anunciar resultados financeiros robustos em 2025, superando as expectativas de crescimento e delineando um ambicioso plano de expansão para os próximos anos. Enquanto o segmento de fabricação de móveis predominantemente de madeira enfrentava uma contração de 7,8% no último período analisado, a companhia registrou um notável aumento de 21% em sua receita bruta, e o seu EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) demonstrou um salto expressivo de 208% na comparação com 2024, evidenciando uma fase de maturidade financeira.
A resiliência da companhia, que opera como um dos maiores players do varejo online de produtos para o lar, destaca-se em um cenário desafiador para a indústria moveleira. A performance atípica da MadeiraMadeira é um indicativo claro de sua capacidade de adaptação e de sua estratégia de negócio bem-sucedida, que permite não apenas a contenção de custos em momentos de crise, mas também o reinvestimento estratégico para assegurar sua trajetória ascendente no mercado brasileiro.
MadeiraMadeira Cresce 21% e Ebitda Salta 208% Apesar do Setor
Com a melhoria progressiva dos indicadores econômicos do país, a MadeiraMadeira reassumiu suas metas históricas de crescimento e projeta uma taxa de expansão anual que varia entre 20% e 30% pelos próximos cinco anos. O panorama macroeconômico atual, marcado pela desaceleração da inflação, a diminuição da taxa de desemprego e o incremento da renda disponível — especialmente favorecido pela isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil —, cria um ambiente propício e abre novas e significativas oportunidades para o consumo, o que beneficia diretamente o planejamento de expansão da MadeiraMadeira.
Daniel Scandian, cofundador e CEO da empresa, concedeu entrevista ao InfoMoney, onde detalhou a razão por trás do notável descolamento dos resultados da MadeiraMadeira em relação ao restante do setor. Ele enfatizou o sucesso do modelo de negócio “asset light”, que prioriza a integração com mais de 700 fornecedores em vez de arcar com os elevados custos e complexidades de grandes estoques próprios. Aproximadamente 80% do portfólio da companhia possui disponibilidade imediata (entrega D+1), e mais da metade desse volume é dedicado exclusivamente à MadeiraMadeira dentro das instalações das indústrias parceiras. Esta abordagem, segundo Scandian, possibilita mitigar os impactos de crises econômicas e direcionar de forma mais eficiente o capital para investimentos cruciais em logística, tecnologia, expansão da área comercial e aprimoramento de serviços.
Estratégia Asset Light e Dominância Online: Pilares do Crescimento da MadeiraMadeira
Atualmente, a MadeiraMadeira detém uma fatia expressiva de quase 30% de todo o mercado online de móveis no Brasil, com o canal digital representando impressionantes 90% de suas vendas totais. Os resultados alcançados em 2025 consolidam a robusta recuperação da empresa após os fortes desafios macroeconômicos enfrentados recentemente. Daniel Scandian relembrou o período inicial da pandemia, quando houve uma interrupção temporária do mercado, mas logo seguida por um pico de demanda online. “Em 2020 foi o ano que mais ganhamos market share, crescemos 120%”, recordou o CEO, destacando o comportamento dos consumidores que passaram a comprar uma variedade maior de produtos online durante o isolamento.
Dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ilustram a oscilação vivida pelo mercado. Após retrações observadas em 2019 e 2020, o segmento de móveis de madeira demonstrou uma expansão de 12,7% no acumulado de janeiro de 2020 a janeiro de 2021. Contudo, este cenário favorável rapidamente se alterou. Uma “ressaca” no consumo, atribuída à antecipação de compras por parte das famílias durante a pandemia, juntamente com elevados níveis de estoque na indústria, uma inflação acumulada superior a 20% nos últimos quatro anos e elevadas taxas de juros, foram fatores determinantes para a desaceleração do mercado. Scandian classificou 2022 e 2023 como “o momento mais difícil”, com a empresa registrando os piores índices de crescimento de sua história, entre 5% e 8%, período que evidenciou a complexidade do cenário para todo o setor.
Malha Logística Otimizada: Foco na Sustentação da Expansão da MadeiraMadeira
Para assegurar a sustentabilidade do ritmo de expansão atual e futuro, a MadeiraMadeira tem direcionado seus esforços para o aprimoramento e fortalecimento de sua malha logística de entregas. A companhia tem uma capacidade impressionante de movimentar cerca de 30 mil toneladas de móveis por mês, volume equivalente a mais de 40 mil guarda-roupas, conforme ressaltado por Daniel Scandian. A BulkyLog, operadora logística interna estabelecida pela empresa em 2019, tornou-se um diferencial competitivo crucial, alcançando uma taxa de pontualidade de 94,9% nas entregas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, desempenho que supera significativamente o índice médio de 81,1% do mercado.
Diante do volume de operações projetado para os próximos anos, a empresa expandiu sua área logística em 40%, com a meta de atingir 150 mil metros quadrados de área de cross-docking até 2026. Este ambicioso plano logístico contempla também a abertura de sete novos centros de distribuição até o final de 2026, com uma forte prioridade estratégica para a Região Nordeste do Brasil. Salvador, na Bahia, foi recentemente selecionada como o primeiro hub central para abastecer os demais estados nordestinos, o que representa um movimento estratégico fundamental para otimizar a cadeia de suprimentos, reduzir custos operacionais e diminuir os prazos de entrega para os clientes da região.
Ampliação para o Varejo Físico e Serviços Pós-Venda
Embora o ambiente online seja incontestavelmente a grande fortaleza da MadeiraMadeira, a companhia reconhece a persistente dominância do varejo físico no faturamento geral do setor. Ciente dessa realidade, a empresa pretende ampliar estrategicamente a abertura de lojas físicas, denominadas “guide shops”. Estas unidades funcionarão como vitrines interativas, concebidas para aprimorar a experiência de compra em um modelo omnichannel, integrando de forma coesa os canais online e offline e oferecendo maior conveniência e opções aos consumidores.
Uma iniciativa relevante para 2026 será a inauguração, em março, da primeira unidade focada especificamente em projetos de móveis modulares e na promoção de marcas próprias, como a “Madeira Originals”, que já demonstra um crescimento de 25% na receita. A aposta da MadeiraMadeira nos móveis modulares é uma resposta direta a uma dupla demanda crescente dos consumidores: preço competitivo e tempo de entrega reduzido. O mobiliário modular oferecido pela empresa pode custar cerca de um terço do valor de uma marcenaria planejada convencional. Em São Paulo, por exemplo, o prazo de entrega da companhia para estes produtos varia de 10 a 15 dias úteis, um terço do tempo geralmente exigido pelo mercado tradicional, que pode levar de 45 a 120 dias para entregar móveis sob medida.
Essa solução inovadora tem se mostrado extremamente bem-sucedida, especialmente em apartamentos compactos como studios e lofts, atraindo inclusive investidores do mercado imobiliário que buscam otimização e agilidade em seus empreendimentos. Além disso, o ecossistema da marca continua a se expandir para além da venda, abrangendo o importante setor de serviços pós-venda. A unidade dedicada a serviços para o lar, que inclui montagem, desmontagem, impermeabilização e limpeza, registrou um expressivo aumento de 29% em sua receita bruta anual. A projeção para 2026 é realizar um total de 320 mil prestações de serviços, o que representaria um notável salto de 53% em volume, reforçando o compromisso da MadeiraMadeira em oferecer uma solução completa para seus clientes.
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À beira de completar 17 anos de existência, a MadeiraMadeira reflete sobre o cenário de tempestades superadas, que, segundo Daniel Scandian, deixou a fundação da empresa mais sólida e resiliente. O CEO avalia que a companhia atingiu a “fase adulta”, tornando-se uma empresa madura, dotada de processos bem definidos, gestão eficiente e uma cultura organizacional robusta. Segundo ele, a empresa vive um claro ponto de inflexão, onde alcançou uma lucratividade consistente sem, contudo, perder o fôlego e a capacidade de inovação que caracterizam as startups. Para acompanhar de perto as futuras novidades e o desempenho financeiro de empresas inovadoras no Brasil, explore nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Divulgação / Gabriel Reis
