A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (11), operador financeiro ligado a Antônio Carlos Camilo Antunes, o conhecido “Careca do INSS”. Trata-se de Alexandre Moreira da Silva, um dos indivíduos que permaneciam foragidos no contexto da Operação Sem Desconto, inquérito que apura um esquema bilionário de desvios de recursos pertencentes ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A confirmação da prisão de Silva foi obtida por uma fonte com conhecimento direto sobre o caso e detalhes da investigação. Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, Alexandre Moreira da Silva desempenhava a função de um dos operadores financeiros diretamente vinculados a Antônio Carlos Camilo Antunes.
A equipe de reportagem buscou contato com Alexandre Moreira da Silva por meio dos números de telefone cadastrados em seu nome, mas as ligações não foram atendidas. Da mesma forma, tentativas de comunicação com a esposa de Silva e um advogado que o representa em outras disputas judiciais não resultaram em resposta até o momento. Tais tentativas visavam obter um posicionamento da defesa ou de seus representantes sobre a prisão e as acusações que pesam contra ele.
PF prende operador financeiro do ‘Careca do INSS’ por desvios
Conforme o avanço das investigações, Alexandre Moreira da Silva teve participação ativa na operacionalização de fraudes que envolviam a aplicação de descontos indevidos em benefícios previdenciários concedidos pelo INSS. Adicionalmente, o investigado teria fornecido auxílio na dissimulação e ocultação de vastos recursos financeiros, que foram obtidos de maneira ilícita por meio dessas operações. Sua atuação, conforme a apuração, teria sido fundamental para garantir a continuidade e a complexidade do esquema fraudulento. As autoridades federais mantinham Alexandre Moreira da Silva na condição de procurado desde o mês de dezembro do ano anterior, momento em que a Operação Sem Desconto se intensificou.
A prisão de Silva foi efetivada após um trabalho investigativo minucioso e exaustivo, que demandou intenso levantamento de informações e inteligência por parte dos policiais federais. “Policiais federais realizaram a prisão após minucioso trabalho de investigação e levantamentos que permitiram localizar o investigado”, declarou a corporação por meio de nota oficial, preferindo não citar nominalmente o suspeito no comunicado. Este esforço conjunto foi crucial para rastrear e capturar um dos últimos alvos da operação que ainda estava em fuga.
Após sua captura, Alexandre Moreira da Silva foi conduzido diretamente à unidade da Polícia Federal situada em São Paulo. No local, ele será submetido à audiência de custódia, um procedimento legal onde a legalidade e a necessidade da prisão são analisadas por um magistrado. A decretação da prisão preventiva do suposto operador financeiro foi formalizada por uma ordem expressa emitida pelo ministro André Mendonça, membro do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do ministro enfatiza a gravidade dos delitos atribuídos a Silva e a necessidade de sua detenção para o prosseguimento da justiça e para evitar a continuidade das atividades criminosas ou a fuga.
Um ponto central na atuação de Silva, revelado pelas investigações da Operação Sem Desconto, era sua posição como sócio-administrador da Credenzzo. Esta empresa era integralmente controlada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e atuava no mercado oferecendo um tipo de cartão de benefícios. Em contrapartida pela adesão a esse cartão, os beneficiários do INSS eram submetidos a descontos diretos em suas pensões previdenciárias. O mecanismo prático consistia no desconto automático da fatura do cartão diretamente sobre o salário, aposentadoria ou pensão do mês subsequente, instituindo uma modalidade de consignado muitas vezes questionável.
Ainda de acordo com a decisão emitida pelo ministro André Mendonça do STF, operações como as desenvolvidas pela Credenzzo apresentavam taxas “frequentemente superiores às do consignado tradicional”. Esse diferencial se acentuava de forma significativa quando os usuários optavam por realizar saques de seus créditos. O despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal também aponta que a investigação em curso indicou o uso sistemático dos lucros gerados pela Credenzzo para a ocultação de valores oriundos diretamente das fraudes praticadas contra o INSS. Além disso, há fortes indícios de possíveis delitos cometidos contra o sistema financeiro nacional. As autoridades tentaram contatar a Credenzzo por meio dos endereços de e-mail listados em seu website, mas não obtiveram qualquer tipo de resposta por parte da empresa. Vale ressaltar que a Credenzzo foi formalmente liquidada no mês de dezembro do ano passado, encerrando suas atividades.

Imagem: Gustavo Minas via valor.globo.com
A Operação Sem Desconto representa uma força-tarefa da Polícia Federal (PF), conduzida em parceria estratégica com a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação aprofunda-se em um esquema complexo e generalizado de fraudes que envolvem a aplicação de descontos associativos considerados indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O alcance dessa operação não se limita a indivíduos externos, atingindo membros do Ministério da Previdência Social e figuras proeminentes do Senado Federal, evidenciando a capilaridade da rede criminosa. Para mais informações sobre a atuação da CGU em combate à corrupção, consulte o site oficial da Controladoria-Geral da União.
O foco das autoridades está em um vasto esquema que, estima-se, descontou aproximadamente R$ 6,3 bilhões dos beneficiários do INSS entre os anos de 2019 e 2024. O modus operandi central da fraude consistia na aplicação de descontos associativos que não haviam sido autorizados expressamente pelos aposentados e pensionistas em suas respectivas aposentadorias e pensões. Esse modelo de desconto associativo, que deveria permitir deduções diretas nos benefícios previdenciários mediante a livre e consciente autorização dos beneficiários, transformou-se em alvo de manipulação intensa. Ao longo dos últimos anos, diversas entidades, muitas delas de fachada e criadas especificamente para esse fim, exploraram brechas e fragilidades no sistema para implementar esses descontos de forma indevida, causando prejuízos financeiros significativos a milhares de segurados.
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A prisão de Alexandre Moreira da Silva é mais um passo fundamental na desarticulação da Operação Sem Desconto, que expõe uma teia de fraudes financeiras com ramificações significativas. Continuaremos a acompanhar os desdobramentos desta complexa investigação que afeta a segurança e a integridade do sistema previdenciário brasileiro. Mantenha-se informado sobre este e outros temas relevantes de impacto social e político acessando nossa editoria de Política para as últimas análises e notícias.
Sede da Polícia Federal (PF) em Brasília Foto: Gustavo Minas/Bloomberg
