Um caso brutal de feminicídio em Campos Altos chocou a comunidade do Alto Paranaíba após Priscila Beatriz Teixeira, de 38 anos, ser morta com quinze facadas por Matheus Vinícius de Souza, de 18 anos, por negar um beijo. O crime, ocorrido na noite de 23 de fevereiro, resultou na indiciação de Matheus por feminicídio e importunação sexual, com agravamento da pena devido à presença do filho da vítima, de apenas 8 anos, que presenciou a barbárie.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil concluíram o inquérito e revelaram os detalhes chocantes por trás do assassinato. O incidente ocorreu durante uma negociação para a compra de um aparelho celular. Matheus teria tentado beijar Priscila, que prontamente recusou o avanço, desencadeando a fúria que culminaria no assassinato da mulher.
Feminicídio Campos Altos: Mulher é morta ao negar beijo
O delegado Jeferson Leal, responsável pelo caso, destacou que a recusa ao beijo foi o estopim para a violência. “O fato de ela negar o beijo o fez se sentir rejeitado”, explicou o delegado. “Portanto, incorreu na prática do crime de feminicídio com aumento de pena e, ainda, importunação sexual.” No Brasil, o feminicídio é classificado como uma modalidade de homicídio qualificado, prevendo penas que variam de 12 a 30 anos de prisão. Em situações agravantes, como a ocorrência na presença de familiares ou contra gestantes, a pena pode ser aumentada, conforme estipulado na Lei nº 13.104, de 2015. A importunação sexual, caracterizada pela prática de ato libidinoso sem consentimento, pode resultar em 1 a 5 anos de reclusão.
Ainda não há informações sobre a defesa de Matheus Vinícius de Souza, pois o advogado que o acompanhou inicialmente, Leonardo Guimarães Passos, solicitou seu desligamento do processo e preferiu não comentar sobre o inquérito. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou, em nota oficial, que está analisando o inquérito policial para definir as medidas legais cabíveis diante da gravidade do ocorrido.
A Premeditação do Crime em Campos Altos
A investigação da Polícia Civil revelou indícios de que a morte de Priscila Beatriz Teixeira pode ter sido planejada por Matheus. Segundo o delegado Jeferson Leal, o fato de o agressor ter ido até a residência da vítima portando um canivete sugere uma intenção prévia. “Há suspeitas que tenha sido premeditado porque ele foi ao local já portando o canivete. A gente acredita que ele já tenha também lançado investidas amorosas para ela”, ponderou o delegado em seu depoimento.
Essa linha de investigação é reforçada pelo relato de Mariana Assis, prima de Priscila. Ela informou que câmeras de monitoramento da região capturaram imagens de Matheus vigiando a casa da vítima nos dias que antecederam o crime. Mariana expressou sua revolta: “É muito triste o que aconteceu, são três crianças órfãs. Ele provavelmente a conhecia, aqui é uma cidade pequena. Fico revoltada, só por sermos mulheres somos perseguidas e mortas. No domingo, câmeras filmaram ele olhando a casa, também acredito que tenha planejado.” A percepção de premeditação intensifica a tristeza e indignação dos familiares e da comunidade.
O Impacto e a Lembrança de Priscila Beatriz Teixeira
A brutalidade do crime em Campos Altos silenciou uma vida marcada por alegria e dedicação. Horas antes de ser assassinada, na manhã de 23 de fevereiro, Priscila Beatriz fez uma última postagem em uma rede social, clamando por proteção. A mensagem dizia: “Deus, abra o que for porta, fecha o que for armadilha.” Seu irmão, que preferiu não se identificar, compartilhou o texto e a descreveu como uma mulher de bondade inata, incapaz de perceber o mal nas pessoas. “Tinha muitos sonhos que foram levados embora. Oramos a Deus por justiça e que as leis neste país sejam mais rígidas”, desabafou, refletindo o sentimento de toda a família.
Priscila era reconhecida por sua atuação como cozinheira em um projeto municipal e será eternamente lembrada por amigos e familiares como uma mãe exemplar e uma pessoa de espírito alegre. Ela deixa três filhos, de 5, 8 e 13 anos. O filho do meio, com apenas 8 anos, foi a testemunha ocular da violência, um trauma que marcará sua vida para sempre. Os meninos estão agora sob a responsabilidade dos pais biológicos. “Éramos seis irmãos, cinco homens e a Priscila. Minha irmã foi uma mulher guerreira, trabalhou desde pequena nas lavouras de café, e agora estava fazendo comida para as crianças”, emocionou-se seu irmão.

Imagem: g1.globo.com
Amigos também expressaram sua dor e as memórias que carregam. Matheus Bueno, primo da vítima, descreveu-a como uma “menina de ouro, de uma simplicidade maravilhosa”. Samara Braz, amiga de Priscila, destacou que guardará a imagem dela se despedindo sempre com um sorriso no rosto. “Eu vou lembrar do sorrisão dela”, compartilhou, visivelmente abalada. Priscila era, para muitos, um farol de positividade, cujos sonhos foram abruptamente interrompidos.
Detalhamento do Crime, Fuga e Captura do Suspeito
Câmeras de monitoramento instaladas no bairro Camposaltinhos, onde Priscila Beatriz Teixeira morava, registraram a chegada de Matheus Vinícius de Souza à residência da vítima na fatídica noite de 23 de fevereiro. As imagens mostram o suspeito vestindo calça jeans, botas amarelas, jaqueta escura e um boné preto. Segundo a investigação, ele se aproximou da vítima no portão de casa sob o pretexto de negociar um aparelho celular. Durante a conversa, tentou forçar um beijo, e ao ser recusado, iniciou o ataque brutal.
À Polícia Civil, Matheus alegou que, no momento da recusa de Priscila, teve um “branco” e desferiu os múltiplos golpes de canivete. Samara Braz, uma amiga próxima, revelou que apenas dois dos filhos de Priscila estavam em casa; o mais velho estava com o pai e o caçula dormia. O menino de 8 anos, que presenciou o crime, correu pela rua em busca de ajuda e foi socorrido por um vizinho, que prontamente acionou a ambulância. Priscila foi levada ainda consciente ao Hospital Municipal de Campos Altos, mas, devido à gravidade das quinze facadas, não resistiu aos ferimentos e faleceu na unidade de saúde.
Após o crime, Matheus empreendeu fuga, pulando muros de diversas casas no bairro Camposaltinhos antes de acessar outra rua. Uma testemunha ocular reconheceu-o invadindo sua propriedade durante a fuga. Além disso, o filho da vítima, de 8 anos, forneceu à polícia uma descrição das características físicas e vestimentas do agressor que eram compatíveis com as imagens das câmeras de segurança. A Polícia Militar (PM), que já estava mobilizada, recebeu informações cruciais sobre um homem tentando contratar um táxi com urgência para a cidade de Medeiros, no Centro-Oeste de Minas Gerais, e alegando ter cometido “um fato grave”. Com base no nome e em um perfil de aplicativo de mensagens, os militares identificaram o provável endereço de Matheus. Ele foi encontrado e preso, e roupas sujas de barro e molhadas, consistentes com as câmeras de fuga, foram apreendidas. Questionado, ele confessou o crime e reconheceu o canivete de cabo azul, encontrado na casa da vítima, como a arma utilizada. Matheus Vinícius de Souza, que não possuía antecedentes criminais, foi submetido a exame de corpo de delito, ouvido e, posteriormente, encaminhado ao Presídio Regional de Araxá, onde permanece à disposição da justiça para responder por feminicídio e importunação sexual.
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O trágico episódio em Campos Altos ressalta a urgência de debater e combater a violência contra a mulher. A conduta de Matheus Vinícius de Souza culminou na perda irreparável de Priscila Beatriz Teixeira, e a conclusão do inquérito reforça a necessidade de punições rigorosas para esses crimes. Para mais notícias e análises aprofundadas sobre segurança urbana e outros temas relevantes em suas comunidades, explore nossa cobertura completa na categoria Cidades.
Crédito da imagem: Polícia Civil/Divulgação
