O mercado global de commodities observou uma notável turbulência recentemente, impactando diretamente o setor energético. Em particular, as ações de petróleo na B3 registraram movimentos de alta, ainda que modestos, em resposta à eclosão de um conflito no Oriente Médio. Após ataques reportados envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, os contratos futuros da commodity experimentaram um significativo salto em seus valores. No fechamento da semana, o petróleo tipo WTI (West Texas Intermediate) registrou uma valorização de 35%, enquanto o Brent subiu 27%, consolidando ambos os referenciais acima da marca dos US$ 90 por barril.
A situação geopolítica no Oriente Médio, com suas crescentes tensões, mantém o Estreito de Ormuz como um ponto focal crucial para o fluxo de petróleo. Este canal de navegação vital é um fator decisivo para o mercado internacional, e a persistência de soluções diplomáticas distantes alimenta a especulação de uma contínua elevação nos preços, com o valor simbólico de US$ 100 por barril tornando-se uma possibilidade cada vez mais concreta no horizonte dos investidores e analistas.
Ações de Petróleo na B3: Potencial com Brent Acima de US$ 90
Apesar da robusta valorização do petróleo nos mercados internacionais, o desempenho das principais companhias petroleiras listadas na B3 na primeira semana de março mostrou uma alta mais contida. Ações como as da PRIO (PRIO3) avançaram 3,68%, a Brava (BRAV3) subiu 2,92%, e a Petrobras registrou ganhos de 2,39% para PETR3 e 2,38% para PETR4. A PetroRecôncavo (RECV3) também acompanhou o movimento, com uma elevação de 1,10%, posicionando todas essas companhias com valorizações que variaram entre 1% e 4% no período.
Essa disparada nos preços globais do petróleo reacendeu importantes discussões sobre o impacto do volátil cenário internacional nas empresas do setor de energia na Bolsa de Valores brasileira. Diante dessa perspectiva, o Bradesco BBI, um renomado banco de investimento, conduziu uma análise aprofundada. O objetivo do estudo foi testar diferentes curvas de preços para a commodity e avaliar as assimetrias intrínsecas a cada ativo, a fim de identificar quais ações estão mais suscetíveis e expostas às flutuações e turbulências do mercado do petróleo. Essa pesquisa detalhada oferece insights valiosos para investidores que buscam entender o comportamento do setor em um contexto de incertezas.
Análise do Bradesco BBI e Simulações de Preços
O estudo do Bradesco BBI simulou três possíveis trajetórias distintas para a curva de preços do petróleo, fornecendo um panorama abrangente sobre o futuro da commodity e seus reflexos no mercado acionário brasileiro. A primeira trajetória, denominada “Curva de Preço em Tempo de Paz”, foi estabelecida a partir do piso observado em dezembro de 2025, quando o barril de Brent atingiu US$ 59. Este cenário projeta uma estabilidade de preços em torno de US$ 60 no período de 12 meses, sugerindo um ambiente de normalização e menor estresse geopolítico. Historicamente, períodos de maior estabilidade geopolítica tendem a reduzir os prêmios de risco, levando a preços mais moderados.
A segunda simulação, referida como “Curva Corrente”, incorpora explicitamente o atual prêmio geopolítico que incide sobre o mercado de petróleo. Este cenário mais contemporâneo e influenciado pelos eventos recentes aponta para um preço médio do barril de Brent em US$ 73 no ano de 2026. A projeção, no entanto, prevê um recuo gradual, com os preços se aproximando de US$ 65 em 2027, indicando uma acomodação das tensões ao longo do tempo, mas ainda acima dos patamares de “tempo de paz” devido a riscos latentes. O valor de referência do Brent é amplamente acompanhado, como destacado por agências de notícias econômicas globais, dada sua relevância no cenário energético mundial.
Finalmente, a terceira e mais impactante simulação é a “Curva de Choque Geopolítico de 2022”. Este cenário replica o comportamento errático e volátil da curva de preços do petróleo observado em março de 2022, imediatamente após a invasão da Ucrânia. Naquela ocasião, as elevadas incertezas e interrupções na cadeia de suprimentos impulsionaram as projeções de Brent para patamares superiores a US$ 100 por barril nos 12 meses seguintes. Subsequentemente, o cenário de choque previu US$ 91 no segundo ano e US$ 82 no terceiro, com os preços de longo prazo convergindo para algo em torno de US$ 70 por barril, ilustrando a capacidade de eventos geopolíticos extremos de redefinir as expectativas de mercado a curto e médio prazo.
Assimetrias e Potencial de Valorização nas Petroleiras
Mesmo sob um cenário de preços de petróleo moderados, a equipe do Bradesco BBI ressalta que as empresas do setor de óleo e gás continuam a apresentar assimetrias positivas em seus resultados. De acordo com as estimativas do banco, os preços-alvo médios para as ações das petroleiras analisadas sofreriam uma queda de apenas 9% no cenário de “normalidade”. No entanto, na “Curva Corrente” – que considera o prêmio geopolítico atual – esses mesmos preços-alvo poderiam crescer cerca de 7%. Em um cenário de “choque geopolítico” mais severo, o potencial de avanço para os preços-alvo é ainda mais significativo, chegando a impressionantes 50%, demonstrando a sensibilidade positiva do setor a crises energéticas.

Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
Entre as diversas companhias analisadas, a Brava (BRAV3) foi identificada como aquela com maior potencial de alta, especialmente quando consideradas as trajetórias alternativas de preços de petróleo. O relatório do Bradesco BBI aponta que o desempenho recente da ação BRAV3 ainda não reflete de forma completa o nível atual da curva futura da commodity. Essa defasagem sugere um considerável espaço para valorização adicional caso os preços do petróleo se mantenham consistentemente acima das projeções já embutidas nos contratos de longo prazo, indicando um desalinhamento que pode ser capitalizado por investidores atentos.
Por outro lado, empresas que possuem uma sensibilidade marginal menor às flutuações do preço do petróleo, como a PRIO (PRIO3), tendem a capturar variações percentuais mais contidas. A PRIO, caracterizada por um perfil de geração de caixa mais curto, está menos exposta a impactos de longo prazo das curvas de preço da commodity. Já no caso da Petrobras (PETR4), a assimetria e o potencial de valorização são intrinsecamente vinculados à sua política de repasse dos preços de combustíveis. Os cálculos elaborados pelo BBI indicam que o dividend yield projetado para a Petrobras em 2026 poderia apresentar uma variação substancial, oscilando entre 6% e 12,5%. Essa amplitude depende diretamente tanto da curva de preços do petróleo em vigor quanto do grau e da velocidade com que a empresa opta por repassar esses valores para o mercado doméstico de combustíveis.
As projeções e cenários apresentados pelo Bradesco BBI oferecem uma visão estratégica para quem acompanha o mercado de energia e as movimentações dos preços do petróleo e suas empresas listadas na B3. A capacidade de cada companhia de navegar por diferentes ambientes de preço e as decisões corporativas sobre repasses e investimentos continuarão sendo elementos cruciais para a valorização de suas ações, especialmente em um cenário global marcado por incertezas e potenciais picos de preços da principal commodity energética.
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A análise do Bradesco BBI demonstra a complexidade do mercado de petróleo e a importância de considerar múltiplos cenários ao avaliar as ações das petroleiras na B3. Fique por dentro das últimas notícias e análises do setor em nossa editoria de Economia. Continue acompanhando o blog para não perder nenhuma atualização e aprofundar seu conhecimento sobre o mercado financeiro e as projeções que moldam o futuro de seus investimentos.
(Imagem: Ágora)