O depoimento na CPMI do INSS, que acontecia no dia 23 de fevereiro de 2026, precisou ser abruptamente interrompido após a empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos sofrer um mal-estar durante sua participação. A interrupção ocorreu em um momento crítico, enquanto o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), realizava questionamentos incisivos sobre a ligação da depoente com fraudes envolvendo benefícios previdenciários.
Após o incidente, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), tomou a decisão de suspender os trabalhos. A medida visava garantir o atendimento médico adequado à empresária, que prontamente recebeu assistência da equipe de saúde presente no Senado Federal. Conforme relatado, Ingrid Santos deixou a sessão antes que sua oitiva pudesse ser concluída, devido ao quadro de saúde que se apresentou.
Empresária passa mal e encerra depoimento na CPMI do INSS
A presença de Ingrid Santos na CPMI do INSS era de grande expectativa. Ela foi convocada para depor na ausência de Daniel Vorcaro, o proprietário do Banco Master, que havia informado sua impossibilidade de comparecer à comissão. Ingrid é casada e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, figura central nas investigações. Ambos estão diretamente vinculados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma entidade que tem sido alvo de denúncias por supostamente ter sido beneficiada por mais de R$ 100 milhões, oriundos de descontos considerados ilegais em benefícios de segurados da Previdência Social. As investigações buscam esclarecer a amplitude e os responsáveis por essa movimentação financeira.
Cícero Marcelino de Souza Santos é apontado pelos investigadores como o principal operador e assessor direto de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer. Este último também se encontra sob investigação ativa da CPMI do INSS. De acordo com as apurações da comissão, uma parte considerável dos recursos supostamente desviados era movimentada através de contas de empresas nas quais Ingrid Santos figurava como sócia. Essa informação adicionou uma camada de complexidade às investigações, colocando a empresária no centro das atenções da comissão.
O relator da CPMI, Alfredo Gaspar, destacou a gravidade da situação após a retomada dos trabalhos. Ele fez um apelo por justiça, salientando que, além dos valores repassados às contas das empresas, a própria Ingrid Santos teria recebido pessoalmente mais de R$ 13 milhões. “Depoente recebeu, além do repassado nas contas da empresa, mais de R$ 13 milhões, infelizmente dinheiro dos aposentados e pensionistas do Brasil. Lágrimas, a gente nunca pode duvidar da sinceridade, mas o crime praticado também foi muito grave. O nosso objetivo é de que todos, independente de quem seja, respondam por esse prejuízo bilionário”, declarou Gaspar, enfatizando o vasto impacto financeiro sobre os aposentados e pensionistas.
Direito ao Silêncio e Questionamentos à Empresária
A situação jurídica da empresária durante seu depoimento já apresentava particularidades antes mesmo do início. Por uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), Ingrid Santos obteve um habeas corpus que a concedia o direito de permanecer em silêncio ao longo da oitiva, evitando responder a perguntas que pudessem incriminá-la. Apesar dessa prerrogativa legal, a comissão direcionou perguntas essenciais à empresária. Entre os questionamentos, estava a natureza das atividades de seu marido, Cícero, e se ela detinha conhecimento sobre o envolvimento das empresas de que era sócia no controverso esquema de descontos indevidos realizados em benefícios do INSS. Essa linha de investigação visava estabelecer a extensão de sua participação e ciência sobre as fraudes financeiras que estão no centro das averiguações da CPMI.
Confrontada com as perguntas do relator, Ingrid Santos manteve a posição de desconhecimento. Em sua declaração, ela afirmou que não tinha ciência dos detalhes operacionais e que sua atuação não envolvia a gestão das empresas. Segundo a própria empresária, a responsabilidade pela administração e todos os aspectos relacionados às companhias era exclusiva de seu marido, Cícero Santos. Sua narrativa de surpresa foi evidente ao comentar a chegada da Polícia Federal em sua residência, mencionando o constrangimento para sua família e filhos. “Em relação a empresas, transferências, eu não vou conseguir responder nada para vocês, porque quem geria tudo isso, como ele falou aqui para todos vocês, era o meu esposo, Cícero. Inclusive, ele até traiu a minha confiança quando eu vi a Polícia Federal batendo na minha porta, acordando meus filhos e constrangendo a minha família”, expressou ela. A fala foi seguida pela sua manifestação de que nunca imaginou vivenciar tal situação, antes de ser acometida pelo mal-estar.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O Caso Daniel Vorcaro e a Prorrogação dos Trabalhos
Antes mesmo do início do depoimento de Ingrid Santos, a CPMI já enfrentava outros desafios processuais, um deles envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, informou que pretende recorrer de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça havia concedido um habeas corpus a Vorcaro, desobrigando-o de comparecer à comissão para prestar esclarecimentos. O depoimento de Daniel Vorcaro estava agendado para a mesma segunda-feira, dia 23 de fevereiro de 2026, porém o salvo-conduto do STF impediu sua presença. Daniel Vorcaro, que se encontra em prisão domiciliar, foi convocado para explicar irregularidades relacionadas a empréstimos consignados, que causaram prejuízos significativos a aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS. O Banco Master, antigo proprietário de Vorcaro, mantinha um acordo de cooperação técnica com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para a oferta de crédito consignado, o que o colocou sob o escrutínio da CPMI. Para compreender melhor a finalidade e o funcionamento de uma CPMI, pode-se consultar o portal do Senado Federal sobre a legislação e o funcionamento desses colegiados, que são cruciais para a investigação parlamentar de irregularidades.
Adicionalmente, Viana revelou que solicitou a prorrogação dos trabalhos da comissão por, no mínimo, 60 dias. O pedido formal de extensão foi protocolado na Casa e aguarda a deliberação do presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), mas até o momento, não houve uma resposta definitiva. Diante da falta de retorno sobre o pleito de prorrogação, o senador Carlos Viana manifestou a possibilidade de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a continuidade das investigações. A CPMI do INSS iniciou seus trabalhos em 20 de agosto, e a necessidade de mais tempo reflete a complexidade e a abrangência das denúncias que estão sendo apuradas pela comissão.
A sequência dos eventos na CPMI do INSS demonstra a complexidade das investigações sobre fraudes em benefícios previdenciários e as dificuldades enfrentadas pelo colegiado. O depoimento de Ingrid Santos e o caso Daniel Vorcaro evidenciam a necessidade de um escrutínio rigoroso sobre os esquemas que lesam os segurados do país. O prosseguimento dos trabalhos da CPMI é crucial para desvendar essas redes e garantir que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados, assegurando a integridade do sistema previdenciário e protegendo os mais vulneráveis. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos lendo nossa editoria para análises aprofundadas sobre esses e outros temas importantes. Você pode encontrar mais informações sobre outras notícias da política brasileira em nosso site.
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Os desafios enfrentados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, desde as questões de saúde de uma depoente até os impasses judiciais com outras figuras chave, ilustram a persistência na busca pela verdade e pela responsabilização de indivíduos e entidades envolvidas em supostas irregularidades que afetaram diretamente aposentados e pensionistas. Este caso reitera a importância do jornalismo investigativo e da cobertura contínua para manter a sociedade informada sobre os rumos da justiça e da política no Brasil. Continue acompanhando nossa editoria de Política para estar sempre a par dos desdobramentos e de análises relevantes.
Crédito da imagem: Agência Brasil/EBC

