São Luís: Passarela do Samba Celebra Tradição e Religiosidade

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A capital maranhense foi palco de duas noites de intensa celebração cultural com os desfiles na Passarela do Samba em São Luís. Milhares de pessoas compareceram à Passarela do Samba Chico Coimbra na sexta-feira (20) e no sábado (21), testemunhando um espetáculo que combinou tradição, criatividade e uma profunda conexão com as comunidades locais. As apresentações vibrantes dos blocos tradicionais e escolas de samba não apenas encantaram o público, mas também reforçaram a importância da cultura afro-maranhense e do protagonismo feminino na cidade.

A festa teve início na sexta-feira, com a energia contagiante dos grupos de tambor de crioula, incluindo Proteção Mirim, Alegria de São Benedito, Jardim São Benedito e Pindarezinho. Esses grupos, representantes autênticos da cultura popular do Maranhão, foram responsáveis por “aquecer” o público, introduzindo-o aos ritmos ancestrais afro-brasileiros que reverberam nas tradições da ilha. Em seguida, nove blocos do Grupo B ocuparam a avenida, demonstrando o vigor e a paixão das agremiações. Entre eles estavam Os Gigantes, Os Diplomáticos, Os Vingadores, Os Guardiões, Os Gaviões do Ritmo, Os Fanáticos, Alegria do Ritmo, Os Lobos e Os Magnatas Show. Cada grupo apresentou coreografias envolventes e fantasias elaboradas, transmitindo a alegria e a dedicação que mantêm esses blocos ativos durante todo o ano, refletindo o espírito vibrante do carnaval de São Luís.

Na mesma noite, a Passarela do Samba também recebeu cinco escolas de samba, cada uma com sua proposta artística única.

São Luís: Passarela do Samba Celebra Tradição e Religiosidade

A Mocidade Independente da Ilha marcou seu retorno à passarela após o desabamento do telhado de seu barracão, apresentando o enredo “O Beijo – Uma Expressão Humana Através do Tempo”, uma narrativa que explorou a universalidade e a diversidade do beijo ao longo da história humana. A Terrestre do Samba, sediada na Estiva, emocionou com “Oké Arô Oxóssi”, destacando a força dos orixás e a vitalidade dos terreiros, em um tributo à religiosidade de matriz africana. O Império Serrano trouxe um alerta ecológico com o enredo que abordava a preservação dos manguezais, elemento crucial para o ecossistema maranhense, com suas alas coloridas de vermelho intenso e carros alegóricos decorados com guarás. A Turma da Mangueira prestou uma merecida homenagem à professora e ativista Mundinha Araújo, guiando seu desfile com o tema “O Farol a nos Guiar, a Guerreira a nos Guardar”, exaltando a força feminina e a liderança. Encerrando a primeira noite de desfiles das escolas, a Favela do Samba apresentou o enredo “Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas”, celebrando as figuras femininas, desde divindades ancestrais até as guerreiras quebradeiras de coco babaçu, ressaltando a resistência e o empoderamento feminino.

O sábado (21) manteve o ritmo acelerado das festividades, com mais dez blocos tradicionais que continuaram a demonstração de talento e a exaltação da cultura maranhense. Com um alto nível técnico, eles desfilaram com percussionistas afiados, balizas impecáveis e alegorias que representavam o meticuloso trabalho realizado pelas comunidades ao longo do ano de 2025. A segunda noite na Passarela do Samba Chico Coimbra foi igualmente marcante para as escolas de samba, que trouxeram temas ainda mais diversificados e mensagens profundas ao público.

A Túnel do Sacavém, fundada em 1997, abriu os trabalhos com uma solene homenagem a Xangô, orixá da justiça e do trovão, permeando sua apresentação com a rica simbologia afro-brasileira. Na sequência, a Unidos de Fátima, do Bairro de Fátima, provocou comoção com um enredo dedicado aos Lençóis Maranhenses, uma das mais espetaculares paisagens naturais do mundo, ressaltando a beleza e a importância do patrimônio ecológico local. A agremiação Marambaia, também do Bairro de Fátima, explorou a evolução da comunicação humana com seu samba-enredo “A Arte da Comunicação: dos tempos dos primórdios à interatividade virtual”. Seus integrantes e carros alegóricos representaram desde as formas mais antigas de interação até as tecnologias digitais, uma abordagem que convida à reflexão sobre a conexão humana.

A Turma do Quinto fez a plateia cantar em uníssono com o tema “Na Turma do Quinto o Reggae é a Lei”, uma vibrante ode ao reggae, ritmo que se tornou um símbolo musical e cultural do Maranhão. O samba-enredo foi fruto do talento colaborativo de Josiel Costa, Jaílson Pereira, Carlos Boniek, Vicente Melo e Arthur Santos. Para fechar a série de desfiles do sábado e as apresentações das escolas de samba, a campeã Flor do Samba retornou com o grandioso enredo “Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas”, um eco do tema abordado pela Favela do Samba na noite anterior. Sua apresentação enalteceu divindades, figuras históricas e mulheres anônimas que, com suas trajetórias e legados, marcaram diversas gerações, reforçando o poder e a centralidade da figura feminina na sociedade e na cultura.

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Imagem: g1.globo.com

A infraestrutura da Passarela do Samba Chico Coimbra, com seus aproximadamente 200 metros de extensão, foi projetada para acolher o público e garantir o bom andamento dos festejos. Com capacidade para receber até 5 mil pessoas por noite, o espaço contou com arquibancadas cobertas, que ofereciam acesso gratuito, além de frisas e camarotes para aqueles que buscavam uma experiência mais exclusiva. A organização se preocupou em proporcionar conforto e segurança aos milhares de espectadores que lotaram o local nas duas noites de desfiles, mostrando o sucesso e a popularidade do evento na capital maranhense.

A programação carnavalesca na Passarela do Samba se estenderia ainda no domingo (22), com os aguardados desfiles dos blocos tradicionais do Grupo A, que tradicionalmente encerram as celebrações oficiais na passarela, prometendo mais momentos de euforia e a continuação de uma rica manifestação cultural em São Luís. Para se aprofundar na complexa e vibrante trama da cultura popular que nutre esses eventos e compreender a importância do Maranhão como um polo cultural, é possível consultar fontes como o portal oficial do Ministério da Cultura.

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Em suma, as noites de desfiles na Passarela do Samba em São Luís demonstraram a força inegável da cultura maranhense, unindo o talento de blocos tradicionais e a grandiosidade das escolas de samba. Eventos como este reforçam o legado e a inovação cultural que caracterizam a capital, oferecendo à população e aos visitantes uma experiência rica e memorável. Para se manter atualizado sobre outras notícias e análises relevantes da cena urbana e cultural brasileira, explore a nossa editoria de Cidades e acompanhe as últimas novidades.

Foto: Divulgação/Prefeitura de São Luís

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