Em um cenário de efervescência política na Argentina, o presidente Javier Milei foi flagrado em um vídeo que exibia um tom notavelmente descontraído nos Estados Unidos. O episódio, ocorrido na quinta-feira, 19 de outubro, mostra Milei canta ‘Burning Love’, clássico de Elvis Presley, acompanhado de risadas e em aparente comunhão com Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, e Gianni Infantino, presidente da Fifa.
A cena peculiar teve lugar nos Estados Unidos, onde o chefe de Estado argentino participava de um encontro para a formação inicial do Conselho da Paz, uma iniciativa promovida por Donald Trump. Ao mesmo tempo em que o líder argentino demonstrava tal leveza internacional, seu país era palco de uma expressiva greve geral, convocada em repúdio ao seu pacote de reformas trabalhistas que tramitava no Congresso Nacional. A música de Elvis ressoava pelo ambiente do evento organizado por Trump, quando Milei, ao lado de Orbán, agarrou o microfone para mimetizar o lendário artista, com gestos aprovados por Infantino, marcando um contraste agudo com a realidade argentina.
Milei canta ‘Burning Love’ e greve agita Argentina
A participação do presidente argentino nos Estados Unidos extrapolava o momento musical. Além da reunião no Conselho da Paz, que alinhava diversos líderes internacionais sob a égide do ex-presidente americano, Milei foi recebido em Washington por Donald Trump, que em discurso não poupou elogios ao líder sul-americano. Complementando sua agenda internacional, a agência de notícias AFP veiculou que Milei manifestou a disponibilidade da Argentina para enviar tropas à Faixa de Gaza, caso fosse necessária sua contribuição em um eventual processo de paz na região, um sinal de seu posicionamento na arena diplomática global.
Paralisação em Buenos Aires e o Debate da Reforma
Simultaneamente, o território argentino era dominado por uma onda de paralisações e protestos. A maior organização sindical do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), foi a principal articuladora da greve geral. Este movimento massivo buscou expressar a insatisfação e resistência da classe trabalhadora contra as propostas de reforma trabalhista enviadas pelo governo de Javier Milei ao parlamento.
Jorge Sola, um dos influentes líderes da CGT, celebrou o impacto da mobilização, ressaltando o volume de adesões. “Haverá muitos que discordarão, mas o apoio é impressionante, muito significativo”, declarou Sola em entrevista à Rádio con Vos. Ele enfatizou que o nível de participação atingiu patamares nunca antes presenciados durante o período de gestão do atual governo, consolidando a greve como um marco de oposição. A greve geral na Argentina representou uma das maiores manifestações de descontentamento popular contra as diretrizes econômicas e sociais propostas pela administração de Milei.
A respeito da legislação contestada, a Câmara dos Deputados da Argentina iniciou a deliberação do projeto de reforma trabalhista, logo na quinta-feira, 19 de outubro. Importa ressaltar que o texto da proposta já havia obtido a aprovação do Senado na semana precedente, indicando o avanço das medidas no Congresso. O governo argentino projeta que o pacote legislativo seja submetido a votação no plenário da Câmara em 25 de fevereiro, com a ambição de que seja totalmente aprovado até 1º de março. Essa data é estrategicamente relevante, pois coincide com a abertura oficial do período de sessões ordinárias do Legislativo, ocasião em que o próprio presidente Milei faz o discurso de abertura, demonstrando o empenho em consolidar suas pautas políticas. As reformas visam uma ampla reestruturação do mercado de trabalho, o que tem gerado tensões significativas entre sindicatos, trabalhadores e o setor empresarial, em um país com histórico complexo de políticas econômicas, como se pode observar em análises sobre a economia argentina em portais de notícias especializados.

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Alertas Governamentais e Conflitos Recentes
A resposta do governo Milei à mobilização sindical foi contundente, manifestada por meio do Ministério da Segurança, que divulgou um comunicado atípico. Foi recomendado aos veículos de imprensa que adotassem “medidas de segurança” e advertido sobre situações de “risco” em relação aos protestos esperados para os dias seguintes. “Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se (à imprensa) evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação. Diante de atos de violência, nossas forças agirão”, declarou a pasta, indicando uma postura rígida frente às manifestações.
Essas advertências não surgiam sem precedentes. Na quarta-feira anterior, milhares de indivíduos já haviam protestado nas imediações do Congresso, no período em que a matéria era pautada no Senado. Tais manifestações evoluíram para confrontos diretos com as forças policiais, culminando na detenção de aproximadamente 30 pessoas. Este episódio prévio já prenunciava o clima de polarização e o potencial de tensões sociais que viriam a caracterizar a greve geral. O embate entre manifestantes e autoridades de segurança reflete a profunda divergência de visões sobre as propostas de governo, especialmente no que tange a legislação trabalhista, que é um ponto sensível para grande parte da população.
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Em suma, a quinta-feira (19) foi um dia emblemático, revelando o notável contraste entre a presença relaxada do presidente Javier Milei nos Estados Unidos, onde Milei canta ‘Burning Love’ ao lado de figuras internacionais, e a tensa realidade de uma Argentina paralisada por uma greve geral de grandes proporções. Este panorama sublinha a forte oposição enfrentada pelo governo em sua busca por reformas econômicas e trabalhistas. Para aprofundar seu conhecimento sobre o cenário político na América do Sul e os desafios enfrentados por seus líderes, continue navegando em nossa seção de Política e acompanhe as análises mais recentes.
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