Banco Pleno: Liquidação pelo BC e Vínculos com Master

Economia

O Banco Central (BC) formalizou a liquidação do Banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter, durante a Quarta-feira de Cinzas. A medida era aguardada por especialistas do mercado financeiro e representa o desfecho de ações regulatórias do BC que envolvem o antigo conglomerado do Banco Master. A decisão final recai sobre uma instituição que havia se desvinculado do Grupo Master em julho de 2023, período em que passou ao controle de Augusto Lima.

Augusto Lima, figura central neste cenário, já foi sócio de Daniel Vorcaro e enfrentou a prisão na operação “Compliance Zero”, trazendo grande repercussão para sua atuação no setor. A sua detenção, ocorrida em novembro do ano anterior, desencadeou uma pressão considerável sobre o Banco Pleno. Consequentemente, a instituição foi forçada a interromper suas operações de captação de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), o que intensificou as expectativas de uma intervenção ou liquidação.

Banco Pleno: Liquidação pelo BC e Vínculos com Master

Durante o processo de segregação do Grupo Master, o Banco Pleno absorveu o Credcesta, uma linha de negócio estratégica focada em cartões de crédito consignado. Esta operação de grande porte havia sido introduzida ao conglomerado por Augusto Lima, após ele adquirir o produto de uma rede pública de supermercados administrada pelo governo da Bahia. É importante destacar que, apesar de não ter retido as carteiras de clientes já ativas do Credcesta, Lima conseguiu incorporar todo o conhecimento técnico (“expertise”) associado à operação, incluindo a realocação de dezenas de colaboradores especializados e a manutenção de acordos e convênios firmados com diversos estados e prefeituras brasileiras.

A trajetória de Augusto Lima é notável e se estende por diversas áreas antes de sua imersão no setor financeiro. Conforme registro na biografia escrita pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) por ocasião de sua homenagem com a Comenda 2 de Julho, o empresário, atualmente com 46 anos, iniciou sua vida profissional de maneira humilde, comercializando velas. Posteriormente, ele investiu no vibrante segmento de blocos de carnaval, onde se dedicou à venda de abadás.

A virada para o mercado financeiro ocorreu de forma definitiva em 2018. Neste ano, o então governador da Bahia, Rui Costa, promoveu a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que era a proprietária da conhecida rede de supermercados “Cesta do Povo”. A parte do negócio relacionada especificamente à operação financeira, que englobava os cartões consignados do Credcesta, acabou sendo assumida por Augusto Lima, marcando sua entrada substancial no setor bancário e de crédito.

A influência de Lima se estende para além do âmbito empresarial, atingindo esferas políticas. Ele mantém um sólido círculo de relacionamento com a alta cúpula política na Bahia, demonstrando também significativa interlocução em Brasília. Um fato recente que ilustra suas conexões pessoais é o casamento, em janeiro de 2024, com Flávia Peres. A ex-ministra do governo Bolsonaro, também ex-deputada federal e ex-cônjuge do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, solidifica as pontes entre o empresário e o universo político nacional. Além disso, em 2023, Lima e Peres fundaram juntos a ONG Terra Firme, entidade presidida por Flávia Peres e dedicada ao combate à pobreza e às desigualdades sociais.

Antes da sua liquidação, o Banco Pleno apresentava um panorama financeiro específico. De acordo com dados levantados pelo sistema IFData do Banco Central, em setembro do ano passado, a instituição detinha um total de ativos que somava R$ 7,621 bilhões. Seu Patrimônio Líquido estava registrado em R$ 787,1 milhões. A sede do banco estava estabelecida em um dos mais importantes centros financeiros do país, a Faria Lima, em São Paulo. Além de Augusto Lima, a diretoria estatutária contava com Renata Leme Borges e Ronaldo Vieira Bento. A responsabilidade pela auditoria externa da instituição era da conceituada firma Grant Thornton. Para mais informações sobre a regulamentação do sistema financeiro nacional, consulte o site oficial do Banco Central do Brasil.

A decisão do Banco Central de liquidar o Banco Pleno era esperada e demonstra o compromisso regulatório com a estabilidade do sistema financeiro. O desdobramento deste caso, com seus diversos personagens e conexões, reflete a complexidade das interações entre o setor bancário e a esfera política brasileira.

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Foto: Reprodução

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