Os ADRs brasileiros apresentaram um desempenho de baixa nesta terça-feira de Carnaval (17 de fevereiro), operando em sentido contrário aos principais índices da bolsa de Nova York. Em um dia em que as bolsas brasileiras permaneceram fechadas devido ao feriado, as ações de grandes empresas do Brasil negociadas como recibos no exterior registraram quedas notáveis.
O índice Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que compila as vinte maiores companhias brasileiras listadas na B3 com recibos de depósito americanos negociados nos Estados Unidos, fechou com uma desvalorização de 1,04%, atingindo a marca de 25.091 pontos. Paralelamente, o EWZ, principal ETF brasileiro que replica o índice MSCI Brazil no mercado americano, também registrou perdas, recuando 0,84% e sendo negociado a US$ 37,74.
A maior pressão negativa veio dos recibos de ações da Vale (VALE3), que experimentaram uma acentuada queda de 4,14%, negociados a US$ 15,96, impactados pelo feriado prolongado na China, seu maior mercado. Da mesma forma, os ADRs da Petrobras (PBR, equivalente ao ON – PETR3; PETR4) também caíram cerca de 1%, em um cenário de desvalorização do preço do petróleo. Esta conjuntura de queda dos
ADRs brasileiros recuam com Vale em forte baixa no Carnaval
destacou a sensibilidade do mercado às notícias globais e regionais.
Abertura Positiva em Nova York
Em contraste com a performance dos ativos brasileiros, as bolsas de Nova York encerraram o pregão de terça-feira, 17 de fevereiro, com ganhos para seus principais índices. Impulsionadas por uma recuperação de importantes companhias de tecnologia e pela diminuição das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, o mercado americano mostrou resiliência, apesar das declarações cautelosas de dirigentes do Federal Reserve (Fed).
O Dow Jones avançou 0,07%, fechando aos 49.533,19 pontos, enquanto o S&P 500 registrou alta de 0,10%, alcançando 6.843,22 pontos. O índice Nasdaq, predominantemente tecnológico, subiu 0,14%, marcando 22.578,38 pontos. Setores como o imobiliário (+1,03%), financeiro (+0,99%) e de tecnologia (+0,49%) foram os maiores beneficiados, indicando uma recuperação generalizada em segmentos-chave da economia americana.
Destaques corporativos incluíram a Apple, que valorizou 3,17% após reportagem da Bloomberg revelar planos de acelerar lançamentos de produtos relacionados à inteligência artificial (IA), como colares, AirPods e óculos inteligentes. A Warner Bros. Discovery também obteve ganhos de 2,72% após anunciar a votação para a fusão com a Netflix (+1,20%) para março, enquanto reabria negociações com a Paramount (+4,94%). A Masimo disparou impressionantes 34,22% frente à possibilidade de aquisição pela Danaher.
Volatilidade e Temores do Mercado Global
No mercado de commodities, o petróleo Brent, após uma alta inicial, reverteu as tendências e fechou com perdas. Essa oscilação foi desencadeada por notícias de exercícios militares do Irã próximos ao Estreito de Ormuz, coincidindo com uma nova rodada de negociações nucleares indiretas com os Estados Unidos. Essas incertezas geopolíticas contribuem para a instabilidade dos preços da commodity. Uma análise aprofundada sobre as dinâmicas do mercado de petróleo, crucial para a compreensão das flutuações, pode ser encontrada em publicações renomadas como o Valor Econômico.
Paralelamente, cresce a ansiedade persistente sobre a lucratividade dos gastos com inteligência artificial, preocupações com a concorrência no setor e uma reavaliação dos investimentos mais populares, especialmente após a valorização significativa recente. Aneeka Gupta, diretora de pesquisa macroeconômica da WisdomTree, aponta para uma redução geral dos riscos nessas aplicações.

Imagem: infomoney.com.br
A mais recente pesquisa de gestores de fundos do Bank of America Corp. corrobora essa apreensão, revelando que um número recorde de investidores considera que as empresas estão superinvestindo em IA. Além disso, um quarto dos participantes identifica uma “bolha de IA” como o principal risco para os mercados, enquanto 30% enxergam o investimento em inteligência artificial por grandes empresas de tecnologia como a provável causa de uma futura crise de crédito.
Desempenho na Ásia e Feriados Locais
O mercado asiático também apresentou seu próprio conjunto de desafios. A Bolsa de Tóquio, no Japão, fechou em queda nesta terça-feira, estendendo as perdas do dia anterior. A baixa foi influenciada por dados de crescimento fracos no Japão, com o Produto Interno Bruto (PIB) do país expandindo apenas 0,1% no trimestre até dezembro, abaixo das expectativas de 0,4% dos analistas. Além disso, o receio quanto ao potencial impacto das ferramentas de inteligência artificial nos negócios e os custos associados a essa tecnologia contribuíram para o clima de cautela.
Ativos ligados ao setor industrial foram particularmente afetados, uma vez que as empresas continuaram a processar o impacto dos dados do PIB. A liquidez nos mercados asiáticos permaneceu reduzida devido a feriados na China continental, Hong Kong, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul, que se mantiveram fechados durante a terça-feira, diminuindo o volume de negociações e ampliando a volatilidade para mercados em funcionamento.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em resumo, a terça-feira de Carnaval testemunhou um contraste acentuado entre a performance dos ADRs brasileiros, que sofreram com quedas significativas impulsionadas principalmente pela Vale e Petrobras em função de feriados asiáticos e desvalorização do petróleo, e o otimismo nas bolsas de Nova York, alavancadas pela tecnologia. Ao mesmo tempo, mercados asiáticos lutaram com dados econômicos fracos e preocupações com a IA, em um cenário de liquidez reduzida devido a feriados regionais. Para acompanhar as últimas tendências e análises aprofundadas sobre economia e mercados, continue navegando em nossa editoria de Economia.
Crédito da Imagem: Divulgação

