As autoridades da Polícia Federal teriam acessado registros de conversas no aparelho celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, indicando que o executivo se sentiu pressionado a realizar pagamentos significativos para o resort Tayayá. Este empreendimento possui vínculos com empresas associadas ao ministro Dias Toffoli, membro do Supremo Tribunal Federal (STF). A revelação, conforme detalhado por reportagem do jornal O Estado de S. Paulo no último sábado, destaca uma trama de interações financeiras sob escrutínio judicial.
De acordo com o levantamento jornalístico, os diálogos telefônicos demonstram que Vorcaro teria dado sua aprovação para uma série de transferências à companhia responsável pelo Tayayá, somando um montante de R$ 35 milhões. Essas comunicações constituiriam parte integrante da documentação entregue pela Polícia Federal ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, na semana que antecedeu a publicação da notícia. A partir da análise deste material, uma reunião foi convocada no Supremo, resultando na decisão de que Toffoli não mais conduziria o inquérito em questão, passando a relatoria para o ministro André Mendonça.
Daniel Vorcaro e Toffoli: PF revela mensagens de pagamentos a resort
A investigação policial, que culminou na apresentação dessas evidências ao Supremo, coloca em xeque a natureza dos relacionamentos financeiros entre as partes. Os pagamentos, aparentemente orquestrados através do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, revelam um fluxo monetário direcionado a um resort com laços societários reconhecidos pelo próprio ministro Dias Toffoli. Tais desdobramentos adicionam camadas de complexidade à apuração em curso, exigindo uma análise aprofundada da cronologia e da motivação por trás das transações mencionadas nas mensagens.
A Cronologia dos Diálogos e as Cobranças Registradas
A série de mensagens encontrada pela Polícia Federal no celular do controlador do Banco Master desenha um cenário de aparente urgência e insistência nas transações. Em maio de 2024, um diálogo entre Vorcaro e Zettel evidencia uma cobrança por parte do banqueiro. O teor, segundo a reportagem do O Estado de S. Paulo, incluiria uma pergunta direta de Vorcaro: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”. A réplica de Zettel sugeriria um adiamento da resolução: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim.” Essas interações indicam que a situação estava causando desconforto a Daniel Vorcaro.
Mais adiante, os registros revelam uma mensagem que a Polícia Federal interpretou como uma possível referência a R$ 15 milhões: “Tayaya – 15”. Em resposta, Vorcaro teria ordenado peremptoriamente: “Paga tudo hoje”. Esta frase sublinha uma pressa em efetuar o repasse financeiro, conforme a análise do conteúdo obtido pelas autoridades. A urgência dos pedidos levantaria questões sobre a natureza exata e a finalidade desses aportes direcionados ao empreendimento hoteleiro.
As comunicações não cessaram, e em agosto de 2024, Vorcaro retomaria o tema com Fabiano Zettel. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, questionou o empresário. Zettel teria assegurado que o montante fora encaminhado a um intermediário. A reação de Vorcaro foi imediata e preocupada, conforme as mensagens: “Cara, me deu um puta problema. Onde está a grana?”. A resposta do cunhado, segundo o conteúdo revelado, buscava tranquilizar Vorcaro: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele.” Essas mensagens parecem indicar uma tentativa de rastrear os pagamentos e entender o status da operação.
As Transações e os Valores Totais Apontados
Em um pedido subsequente, Vorcaro solicitou um levantamento completo das transferências realizadas. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”, pediu o banqueiro. A resposta de Zettel sumarizou os pagamentos em duas etapas distintas: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões.” O somatório desses valores atinge a marca de R$ 35 milhões, confirmando o montante total de repasses mencionados na notícia do O Estado de S. Paulo. Estes dados são considerados cruciais para a compreensão da extensão das relações financeiras investigadas e da dinâmica entre os envolvidos.
A empresa Maridt, ligada à família do ministro Dias Toffoli, possuía participação societária no Tayayá Resort até o ano de 2025. Este detalhe foi publicamente admitido pelo próprio ministro somente nesta semana, em pronunciamento feito após as informações do relatório da Polícia Federal. As conversas de celular foram enviadas para a análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), ampliando o alcance institucional da apuração sobre o caso.
Reações Oficiais e Negações Sobre o Caso
Diante das alegações e do material apreendido, o jornal O Estado de S. Paulo reportou que tanto o ministro Dias Toffoli quanto as defesas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel optaram por não se manifestar até o momento da publicação. Contudo, em uma nota divulgada logo após a entrega do relatório da Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal, o ministro Toffoli confirmou o recebimento de dividendos provenientes da empresa Maridt, a qual mantinha participação nos resorts. Apesar de reconhecer os laços com o empreendimento, Toffoli negou categoricamente ter recebido qualquer tipo de pagamento ou transferência financeira diretamente de Daniel Vorcaro.
A recusa do ministro em prosseguir na relatoria do inquérito e a designação de André Mendonça para a tarefa sublinham a gravidade e a sensibilidade do tema dentro da mais alta corte do país. A documentação sob a posse da Procuradoria-Geral da República e as implicações que dela podem surgir manterão o caso sob intensa atenção do público e da imprensa. Para entender melhor os trâmites legais e as responsabilidades de figuras públicas no sistema judicial, pode-se consultar informações institucionais em órgãos de alta credibilidade como o Supremo Tribunal Federal.
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Em suma, as revelações trazidas à tona pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, desenham um complexo panorama de supostas cobranças e transferências que somam R$ 35 milhões destinadas a um resort com participação societária ligada à família do ministro Dias Toffoli. O aprofundamento do inquérito, agora sob a condução do ministro André Mendonça, será fundamental para esclarecer a totalidade dos fatos e as implicações legais envolvidas. Para continuar acompanhando as principais notícias sobre política e economia no país, siga explorando nossa editoria e mantenha-se informado sobre os desdobramentos desses e outros casos relevantes.
Crédito da imagem: Foto: Adriano Machado/Reuters; Ana Paula Paiva/Valor