Dólar à vista sobe por aversão a risco e ajuste técnico

Economia

O dólar à vista registrou uma valorização na sessão da última sexta-feira, em um cenário marcado pela intensa aversão a riscos no mercado global. Este movimento impactou fortemente a moeda brasileira, que se destacou entre as divisas emergentes mais atingidas. Operadores de mercado indicaram que, além da percepção de risco generalizada, um ajuste técnico impulsionado pela recente valorização do real e a iminência de feriados, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, também contribuiu para a alta observada na cotação.

Ao término das negociações, o dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 5,2293, refletindo uma alta de 0,57%. Durante a sessão, a moeda americana exibiu flutuações, alcançando a mínima de R$ 5,2040 e a máxima de R$ 5,2490. No mesmo período, o euro comercial também apresentou valorização, avançando 0,52% para R$ 6,2044. A performance do real brasileiro foi particularmente notória, posicionando-se como a terceira pior entre as 33 moedas mais líquidas frente ao dólar, superando apenas o peso chileno e o shekel israelense em desempenho negativo.

Dólar à vista sobe por aversão a risco e ajuste técnico

Desde as primeiras horas do pregão, o dólar à vista já demonstrava uma tendência de apreciação no mercado doméstico. Essa dinâmica ganhou força considerável no momento da abertura dos mercados acionários em Wall Street. A leitura dos *traders* locais foi unânime: a valorização da moeda estrangeira no Brasil era um reflexo direto da “contaminação” pelo sentimento de aversão a risco que predominava nos mercados internacionais. A busca por ativos de segurança tende a fortalecer moedas consideradas mais robustas em detrimento de divisas de economias emergentes, como o real.

Análise de Especialistas Sobre o Cenário Cambial

A percepção de mercado foi corroborada por análises de especialistas. Francesco Pesole, renomado estrategista de moedas do banco ING, divulgou uma nota apontando para a subvalorização do dólar, o que sugere uma inclinação ascendente nos riscos para a moeda americana nos próximos dias. No entanto, o estrategista ressaltou que a trajetória de preços ao longo da semana indicou uma tendência consistente de vendas nas elevações do dólar. Ele expressou ceticismo quanto a uma recuperação substancial da moeda americana no curto prazo, dada a movimentação observada no período.

Corroborando essa perspectiva, operadores locais expressaram a expectativa de que a valorização do dólar registrada na última sexta-feira poderia ser revertida já na semana seguinte, uma vez que o período de feriados prolongados no Brasil e nos Estados Unidos seria superado. Um broker de uma corretora, que preferiu manter o anonimato, explicou o fenômeno: “Houve muita venda de dólar nos últimos meses. Perto do feriado, há um componente mais psicológico, uma busca por reduzir a exposição, de ‘tirar o pé’ mesmo. Contudo, a tendência fundamental indica que o dólar deve continuar em um patamar mais fraco.” Essa fala sublinha a influência do sentimento e da psicologia dos investidores em períodos específicos do calendário financeiro.

Para uma visão mais aprofundada sobre as dinâmicas globais de moeda e política monetária, fontes como o Banco Central do Brasil frequentemente disponibilizam relatórios e análises que podem esclarecer os mecanismos por trás de tais movimentações de mercado, permitindo que o público e os investidores compreendam melhor o cenário.

Influência da Política Americana e Eleições de Meio de Mandato

O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, trouxe à discussão um fator externo crucial para o comportamento do dólar: a incerteza persistente em torno da política americana. Velloni argumenta que, enquanto essa insegurança persistir em relação às tomadas de decisão nos Estados Unidos, o dólar deverá manter um viés de queda. “Estamos testemunhando uma notável busca por diversificação de risco, o que tem direcionado fluxos financeiros significativos para mercados emergentes”, explica o economista, destacando a procura por alternativas frente à volatilidade da economia estadunidense.

No entanto, Fabrizio Velloni ressalta que essa dinâmica pode sofrer uma alteração significativa com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Em particular, a possibilidade de o ex-presidente Donald Trump perder parte de sua base de apoio no Congresso poderia catalisar uma mudança. Segundo Velloni, “se ele perder a maioria no Congresso, embora não deva se tornar menos intempestivo, suas ações seriam mais filtradas, o que consequentemente reduziria seu poder. Isso geraria um reflexo direto no mercado e poderia significar um dólar voltando a ganhar força”, finaliza. Esta análise enfatiza a intrínseca conexão entre a política interna das maiores economias e os rumos dos mercados globais de câmbio, influenciando diretamente o dólar à vista e a economia de outros países.

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Em suma, a recente valorização do dólar à vista foi um resultado complexo de fatores, incluindo aversão ao risco internacional, ajustes técnicos pontuais e expectativas ligadas aos feriados. A compreensão desses elementos, bem como das projeções de analistas sobre a política monetária e eventos eleitorais globais, é fundamental para investidores e para a leitura do panorama econômico geral. Continue acompanhando nossas notícias e análises para se manter atualizado sobre as tendências do mercado financeiro e de economia.

Crédito da imagem: Divulgação.

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