Confiança Industrial Recua 14 Meses: Juros Elevados Pesam

Economia

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) registrou um novo recuo em fevereiro de 2026, marcando o décimo quarto mês consecutivo com resultados abaixo da linha de 50 pontos. Divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o indicador caiu 0,3 ponto, passando de 48,5 para 48,2 pontos, evidenciando uma persistente falta de confiança no setor.

Essa sequência negativa posiciona a indústria brasileira em um cenário desafiador, onde a percepção dos empresários tem sido predominantemente pessimista ao longo de mais de um ano. A marca de 50 pontos serve como um divisor: valores acima indicam confiança, enquanto abaixo sinalizam falta de otimismo. Embora o índice tivesse apresentado uma ligeira alta de 0,5 ponto em janeiro, ensaiando uma aproximação do nível de neutralidade, o resultado de fevereiro confirmou a tendência de declínio.

Confiança Industrial Recua 14 Meses: Juros Elevados Pesam

A atual desaceleração no otimismo industrial sucede diretamente a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Este patamar elevado coloca o Brasil entre as nações com as maiores taxas de juros reais do mundo, cenário que, segundo a CNI, é o principal vetor do impacto negativo sobre as projeções empresariais e a capacidade de crédito. As políticas monetárias restritivas, ao encarecerem o financiamento para investimentos e consumo, contribuem para um ambiente de cautela e estagnação da atividade econômica em geral.

A Confederação Nacional da Indústria enfatiza que a conjuntura de juros em alta afeta a atividade industrial em múltiplas frentes. Em comunicado oficial, Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da entidade, detalha que o principal efeito é o encarecimento do crédito, tanto para as empresas que buscam expandir ou manter suas operações, quanto para os consumidores, o que culmina em uma diminuição da demanda. “Isso desacelera a atividade econômica”, pontuou Nocko, salientando a correlação direta entre a política monetária e o desempenho fabril.

Além dos custos diretos do crédito, a especialista da CNI destaca o impacto nas expectativas futuras. Em um ambiente de “política monetária mais apertada”, os industriais tendem a antecipar um enfraquecimento da economia nos meses subsequentes, o que, por sua vez, afeta suas projeções de demanda. Essa incerteza quanto ao futuro impulsiona uma postura de maior contenção e menos investimentos, retroalimentando o ciclo de pessimismo observado no Índice de Confiança do Empresário Industrial.

Análise dos Componentes do ICEI em Fevereiro

Os dois principais componentes que formam o ICEI apresentaram quedas em fevereiro, refletindo a deterioração tanto nas condições atuais percebidas quanto nas expectativas para o futuro. O Índice de Condições Atuais registrou um recuo de 0,2 ponto, alcançando 43,8 pontos. Esse dado indica que os empresários do setor industrial consideram que, em comparação com os últimos seis meses, tanto a economia brasileira de forma geral quanto seus próprios negócios se encontram em uma situação desfavorável.

A principal força motriz para essa piora na avaliação das condições atuais foi uma percepção mais negativa especificamente sobre a situação das próprias empresas. Apesar de ter sido registrada uma leve melhoria na avaliação do cenário econômico global, a situação interna das companhias industriais parece ter prevalecido no sentimento dos entrevistados, levando o subcomponente a um patamar que sugere descontentamento com o desempenho individual. Para mais detalhes sobre a metodologia do índice e seus resultados, pode-se consultar o site oficial da CNI sobre o ICEI.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

No que tange às projeções futuras, o Índice de Expectativas também apresentou uma queda, passando de 50,7 para 50,4 pontos. Embora esse subcomponente se mantenha acima da linha de 50 pontos – o que, em tese, ainda sugere perspectivas positivas para os próximos seis meses –, houve uma clara deterioração nas projeções relacionadas ao desempenho particular das empresas. Essa piora é notável, pois ocorreu mesmo com uma ligeira melhora nas expectativas dos industriais em relação à economia geral para o mesmo período. Esse cenário duplo sugere que, apesar de uma visão um pouco mais otimista para o panorama macroeconômico, as preocupações com o desempenho e a rentabilidade individual das empresas persistem e até se agravaram.

Metodologia da Pesquisa

A pesquisa que embasou o levantamento do Índice de Confiança do Empresário Industrial foi realizada pela CNI entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026. Foram entrevistadas 1.103 empresas em todo o território nacional. A amostra incluiu um espectro diversificado de portes empresariais: 454 companhias de pequeno porte, 400 de médio porte e 249 de grande porte, garantindo uma representatividade que abrange as diferentes realidades da indústria brasileira.

O acompanhamento contínuo desses indicadores é fundamental para entender a dinâmica da economia do país e os desafios enfrentados por um de seus setores mais estratégicos. A manutenção da Selic em níveis elevados, as discussões sobre política fiscal e o cenário global são elementos que continuam a influenciar as expectativas e a tomada de decisões no ambiente industrial.

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Em suma, a persistente queda na confiança da indústria, conforme revelado pela CNI, sublinha os impactos de longo prazo das taxas de juros elevadas e da política monetária restritiva no Brasil. Os empresários, embora observem pequenas melhorias em alguns aspectos do cenário geral, permanecem céticos quanto ao futuro de suas próprias operações e à disponibilidade de crédito. Para se aprofundar nas análises e acompanhar as últimas notícias sobre o mercado, visite nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino/Proibido reprodução

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