Ibovespa Hoje: Bolsa oscila, dólar recua e ações reagem

Economia

O Ibovespa hoje demonstrou forte volatilidade ao longo desta sexta-feira (6), refletindo um cenário misto no mercado doméstico e as incertezas globais, especialmente em relação ao setor de inteligência artificial. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira manteve-se próximo da marca de 182 mil pontos, embora tenha registrado diversas viradas entre ganhos e perdas no decorrer do pregão. Ao final do dia, a bolsa fechou com uma alta de 0,23% ontem, atingindo 182.127,25 pontos, mas a sessão atual seguiu sem um viés definido.

No cenário das negociações, o dólar comercial experimentou um dia de queda expressiva, enquanto os juros futuros apresentaram movimentos divergentes, em linha com a instabilidade percebida. Empresas de grande peso no índice tiveram performances notáveis: as ações do Itaú Unibanco (ITUB4) ampliaram suas altas, um desdobramento direto de um balanço considerado positivo, enquanto as do Bradesco (BBDC4) recuaram significativamente após a divulgação de suas projeções.

Ibovespa Hoje: Bolsa oscila, dólar recua e ações reagem

O mercado de capitais no Brasil reflete não apenas o comportamento individual das empresas, mas também uma série de dados macroeconômicos e o sentimento dos investidores em relação à economia. Durante o dia, o Ibovespa alcançou picos como 182.914,47 pontos, mas também tocou mínimas, oscilando constantemente. A mineradora Vale (VALE3) e a Petrobras (PETR4) também contribuíram para a movimentação do índice, com recuos pontuais que, contudo, não apagaram uma semana predominantemente positiva para a Vale. O volume negociado na B3 foi considerável, destacando a intensa participação dos investidores, com BBDC4 figurando como a ação mais negociada do dia, mesmo com suas baixas.

A taxa de câmbio registrou um recuo notável para o dólar comercial. A moeda americana, que havia fechado em R$ 5,254 ontem, apresentou forte desvalorização ao longo desta sexta-feira, renovando mínimas para R$ 5,208 e terminando o dia com queda de 0,85%. O Banco Central divulgou a PTAX de fechamento com a compra a R$ 5,2335 e venda a R$ 5,2341. Em relação aos juros futuros, observou-se um panorama de baixas em grande parte da curva de DIs, indicando expectativas de cortes na Selic ou manutenção em patamares estáveis por mais tempo, impactando o custo do capital produtivo.

Desempenho Corporativo em Destaque

O setor bancário chamou a atenção, com o Itaú Unibanco (ITUB4) ampliando ganhos e atingindo uma máxima do dia a R$ 46,60, valorizando 2,37%. Esse movimento seguiu um balanço positivo do quarto trimestre de 2025. Em contrapartida, o Bradesco (BBDC4) enfrentou quedas significativas, desvalorizando até 4,44% e chegando a R$ 20,21. Apesar de um bom balanço no 4T25 e alta do Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), a projeção conservadora para 2026 apresentada pelo banco gerou questionamentos e impactou negativamente o valor das ações.

Outras companhias de peso também registraram movimentações importantes:

  • **Vale (VALE3)**: Oscilou entre ganhos e perdas, renovando mínimas a -1,30% (R$ 85,33), embora mantivesse um saldo semanal positivo. A empresa anunciou novos pedidos de bloqueios judiciais em Minas Gerais, totalizando mais de R$ 2 bilhões, após extravasamentos em suas unidades de Fábrica e Viga.
  • **Petrobras (PETR3; PETR4)**: As ações da estatal também operaram em terreno misto, com leves ganhos e perdas alternando-se ao longo do pregão. A Petrobras anunciou o recebimento de R$ 1,65 bilhão por earnout dos blocos de Sépia e Atapu e a compra de 42,5% de participação em um bloco offshore na Namíbia.
  • **B3 (B3SA3)**: Destaque positivo, com uma ampla alta de 4,67%, cotada a R$ 17,02, e liderando a lista das maiores altas do dia.
  • **Azul (AZUL53)**: Experimentou uma forte baixa, recuando 31,10% para R$ 8,11, com as ações entrando em leilão por diversas vezes durante o dia.

O desempenho individual das empresas ilustra a sensibilidade do mercado às notícias setoriais e aos resultados divulgados.

Panorama Macroeconômico e Expectativas Nacionais

O Ministério da Fazenda revisou suas projeções macroeconômicas, ajustando a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 de 2,4% para 2,3%. A previsão para a inflação ao consumidor (IPCA) também foi ligeiramente elevada, passando de 3,5% para 3,6%. Tais projeções são cruciais para o planejamento econômico e a tomada de decisões no setor privado. Para mais informações sobre as projeções fiscais do governo, é possível consultar diretamente as publicações do Ministério da Fazenda.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda alertou sobre a pressão fiscal gerada pelos benefícios sociais, projetando que gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) podem saltar de R$ 127 bilhões em 2025 para R$ 300 bilhões em 2035. Os gastos com a Previdência Social, por sua vez, são estimados para crescer de R$ 1 trilhão em 2025 para R$ 3,4 trilhões em 2035. Segundo o secretário Guilherme Mello, a estabilização da dívida pública dependerá também da política monetária do Banco Central.

Outros indicadores econômicos brasileiros trouxeram informações adicionais. A caderneta de poupança registrou o maior volume de saques em um ano, totalizando R$ 23,512 bilhões em janeiro. O endividamento das famílias atingiu 79,5% em janeiro, igualando o recorde de outubro de 2025, segundo dados da CNC. No setor automotivo, a Anfavea reportou que a produção e venda de veículos recuaram em janeiro em relação a dezembro e janeiro de 2025, impactada por uma base de comparação elevada no ano anterior e pela queda das exportações, especialmente para a Argentina. Por outro lado, os preços globais de alimentos caíram pelo quinto mês consecutivo em janeiro, conforme a FAO.

Cenário Global e o Impacto da Inteligência Artificial

As bolsas de Nova York registraram perdas amplas na véspera e tentavam se recuperar nesta sexta-feira, ainda pressionadas pelo temor em relação aos altos investimentos em Inteligência Artificial (IA) e o custo associado a essa corrida tecnológica. Grandes empresas como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft planejam investir cerca de US$ 650 bilhões na área, levantando preocupações sobre retornos sustentáveis. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq demonstraram essa volatilidade. As bolsas da Europa operaram de forma mista, enquanto os mercados asiáticos fecharam predominantemente em queda.

No mercado de criptoativos, o Bitcoin registrou forte correção, com uma queda acentuada seguida por uma recuperação acima dos US$ 68 mil. Especialistas como Ricardo Dantas, CEO da Foxbit, classificam tais correções como naturais no mercado cíclico das criptomoedas, impulsionadas por realização de lucros, liquidações técnicas e um ambiente global mais cauteloso, com dólar mais forte e incertezas sobre a política de juros nos EUA.

Bancos centrais globais também foram palco de importantes discussões. Membros do Banco Central Europeu (BCE), como Gabriel Makhlouf e Martins Kazaks, expressaram preocupação com o risco de uma inflação excessivamente baixa na Zona do Euro, com possibilidade de desvalorização do euro e sua potencial resposta de política monetária. Nos Estados Unidos, a presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, descreveu as perspectivas como “precárias” em meio a uma inflação ainda acima da meta de 2% e um mercado de trabalho que, embora estável, pode mudar rapidamente.

Outros Acontecimentos do Dia

Diversas outras notícias pontuaram o dia. A China reforçou sua repressão a moedas digitais, proibindo a emissão não autorizada de stablecoins atreladas ao iuan. O Brasil sinalizou uma possível abertura para negociações de um acordo comercial parcial entre Mercosul e China. A União Europeia propôs seu 20º pacote de sanções à Rússia, com foco em petróleo, bancos e comércio.

Empresas como Multiplan (MULT3) apresentaram resultados do 4T25 considerados satisfatórios, com expectativa de desalavancagem e maior retorno aos acionistas. Vivara apontou um ambiente mais desafiador na América Latina. O lucro do Banco ABC aumentou 13,4% no quarto trimestre de 2025. O Índice de BDRs (BDRX) e o Índice Small Caps (SMLL) também registraram suas próprias dinâmicas no mercado.

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Em suma, a sessão do mercado financeiro foi marcada por intensa movimentação e a divulgação de diversos dados econômicos, tanto no cenário nacional quanto internacional, influenciando o Ibovespa hoje e demais ativos. Desde o desempenho individual de grandes empresas até as projeções fiscais do governo e as tensões globais relacionadas à tecnologia, o dia evidenciou a complexidade e a interconexão do mundo dos investimentos. Para continuar a acompanhar as últimas notícias sobre economia e investimentos, explore nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Ivan Abreu/InfoMoney

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