Venda CBA: Chinalco e Rio Tinto Adquirem Controle por R$ 4,69 Bilhões

Economia

A venda da CBA (CBAV3), empresa brasileira de alumínio, pela Votorantim para uma joint venture composta pela Chinalco (67%) e Rio Tinto (33%) por R$ 4,69 bilhões (US$ 904 milhões), marca um capítulo importante na dinâmica global do mercado de bauxita. A transação, que valeu R$ 10,50 por ação, equivale a um prêmio modesto de apenas 1,5% sobre o valor de fechamento anterior. Este desfecho alinha-se às expectativas do mercado que já precificava a CBA com um prêmio de M&A, visto que suas ações acumularam valorização de 45% no último mês e 100% ao longo do ano precedente.

Na manhã da última sexta-feira (30), às 10h28 (horário de Brasília), as ações da CBAV3 registraram uma queda de 1,26%, sendo negociadas a R$ 10,36. Analistas do UBS BB estimam o valor total da firma (Enterprise Value – EV) da operação em aproximadamente R$ 10 bilhões (US$ 1,95 bilhão), considerando a dívida líquida projetada para o terceiro trimestre de 2025, no montante de R$ 3,3 bilhões. Tal avaliação está em consonância com análises prévias do mercado financeiro. Com a cotação do alumínio a US$ 3.200 por tonelada, projeta-se que a CBA gere cerca de R$ 2 bilhões em EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2026, resultando em um múltiplo de aproximadamente 5 vezes EV/EBITDA, considerado um patamar justo para o setor.

Venda CBA: Chinalco e Rio Tinto Adquirem Controle por R$ 4,69 Bilhões

O processo de governança corporativa da CBA assegura direitos de tag along aos acionistas minoritários, uma prerrogativa que sugere a provável deslistagem da companhia da bolsa brasileira em um futuro próximo, período inferior a cinco anos após sua Oferta Pública Inicial (IPO). A análise da XP Investimentos ratifica uma perspectiva já positiva sobre os papéis da CBA, sublinhando que esta aquisição converge com a estratégia de longo prazo da China em garantir acesso contínuo e diversificado à bauxita, matéria-prima essencial para a produção de alumínio.

Austrália e Guiné mantêm-se como os polos centrais de fornecimento global de bauxita. Nesse contexto, a compra da CBA representa uma oportunidade estratégica para a China não apenas diversificar suas fontes de suprimento, mas também fortalecer o controle de sua cadeia de valor “upstream” no cenário das commodities globais. Para a Chalco, a aquisição é uma forma de aprofundar seu acesso a reservas de bauxita de alta qualidade e conferir maior resiliência à sua cadeia de suprimentos, englobando ativos estratégicos do portfólio da CBA, como o Projeto Rodon.

Do ponto de vista da Votorantim, o desinvestimento da sua participação majoritária na CBA demonstra a continuidade de uma estratégia de reequilíbrio de portfólio. O conglomerado tem promovido uma redução progressiva de sua exposição a commodities de natureza cíclica, ao mesmo tempo em que direciona investimentos para os setores de infraestrutura e utilidades, com destaque para suas empresas Motiva e Auren. Desta forma, a alienação da CBA é compatível com uma guinada em direção a empreendimentos mais estáveis e que oferecem retornos regulados, conforme percepção dos analistas de mercado.

Ainda na avaliação da XP Investimentos, os compradores da CBA poderão, após a conclusão do acordo inicial, efetuar uma oferta obrigatória para adquirir os 31,4% restantes de free float, a fatia de ações livremente negociáveis no mercado. Essa ação implicaria um valor total de ações de R$ 6,8 bilhões e um múltiplo EV/EBITDA implícito para 2026 estimado entre 5,5 e 6,0 vezes. A estrutura operacional brasileira resultante dessa aquisição deverá se configurar como uma joint venture, onde a Chalco deterá 67% de participação e a Rio Tinto os 33% restantes.

A Genial Investimentos complementa as análises, ressaltando a relevância da operação como a maior do setor de alumínio no Brasil em anos recentes. Este movimento ocorre em um cenário no qual a CBA apresenta um nível de alavancagem próximo de três vezes seu EBITDA e restrições de capex (investimentos) para fomentar projetos de expansão, como é o caso do mencionado Projeto Rondon. A aquisição, portanto, posiciona a Chinalco na América Latina com um ativo verticalizado e acesso estratégico à bauxita, enquanto a Votorantim avança em seu plano de rebalanceamento de carteira, focando em menor exposição a commodities e maior concentração em infraestrutura e serviços públicos. A dinâmica das aquisições e vendas de empresas do setor mineral é acompanhada de perto por órgãos como o Ministério de Minas e Energia do Brasil, que detalha políticas para o setor em seu portal oficial.

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A transação que culmina na venda da CBA para Chinalco e Rio Tinto reconfigura o panorama da indústria brasileira de alumínio, consolidando a entrada de atores globais relevantes e alterando a estratégia de um dos maiores conglomerados do Brasil. O mercado de bauxita continua sendo palco de movimentos estratégicos em busca de segurança de suprimento e diversificação de ativos. Para aprofundar seu conhecimento sobre o mercado e suas nuances, acompanhe as últimas análises e notícias de economia em nossa editoria.

Crédito da imagem: Canva

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