O Ibovespa hoje registrou um dia de grande otimismo no mercado financeiro brasileiro, superando a barreira dos 186 mil pontos e estabelecendo um novo recorde histórico. O principal índice da bolsa de valores paulista, que na véspera já havia alcançado seu maior patamar de fechamento com alta de 1,52% a 184.691,05 pontos, ampliou o rali nesta quinta-feira (29), demonstrando a confiança dos investidores no cenário econômico.
Acompanhando o bom desempenho da bolsa, o dólar comercial experimentou uma desvalorização frente ao real, cotado a R$ 5,19, e os juros futuros apresentaram recuo ao longo de toda a curva, indicando expectativas de cortes na taxa básica de juros, a Selic, a partir de março. Esse movimento contraria o cenário do dia anterior, quando o dólar comercial havia fechado estável, e se alinha com a recente sinalização do Banco Central sobre a possibilidade de iniciar um ciclo de flexibilização monetária. Os mercados nacionais e internacionais digerem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 15%, porém com indicação de cortes futuros.
Ibovespa Crava Novo Recorde Histórico de 186 Mil Pontos
Abertura do pregão desta quinta-feira já dava sinais de um dia positivo. O Ibovespa iniciou preliminarmente com alta de 0,04%, atingindo 184.766,36 pontos, enquanto o Índice de Small Caps (SMLL) subiu 0,05%, a 2.595,76 pontos. Rapidamente, o principal índice intensificou seus ganhos, alcançando 186,1 mil pontos, o que configura seu novo topo histórico. Esse desempenho reflete um ambiente de compra e valorização significativa para diversas ações.
Destaques do Mercado de Ações e Empresas
Grandes nomes do mercado financeiro impulsionaram a valorização do índice. As ações dos principais bancos brasileiros começaram o dia no azul: BBAS3 registrou +1,50%, BBDC4 com +0,83%, ITUB4 com +1,12% e SANB11 com +0,51%. Além dos bancos, a Embraer (EMBJ3) adicionou 0,61% ao seu valor, atingindo R$ 100,39, e a B3 (B3SA3) abriu o pregão com alta de 1,51%, cotada a R$ 16,76. A Vale (VALE3) também contribuiu para a alta, começando o dia com 1,26% de valorização, negociada a R$ 88,07, beneficiada pela alta nas cotações do minério de ferro. A Axia Energia (AXIA3 e AXIA6) também operava com ganhos na manhã. Empresas como Lavvi (LAVV3) anunciaram a aprovação da distribuição de R$ 200 milhões em dividendos até 31 de dezembro, e a PetroReconcavo (RECR3) reestruturou sua diretoria, com Raphael Pereira Scudino Borges assumindo a Vice-Presidência de Pessoas e Suporte Operacional a partir de março de 2026. Em contrapartida, a Raízen (RAIZ4) informou uma redução de 23% na moagem de cana no trimestre e uma queda de quase 17% na produção de açúcar, para 1,5 milhão de toneladas.
Cenário Macroeconômico Brasileiro
No front macroeconômico, dados divulgados durante a manhã contribuíram para o sentimento positivo. O Governo Federal, que compreende Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, reportou um superávit primário de R$ 22,107 bilhões em dezembro, embora o saldo negativo total acumulado em 2025 fosse de R$ 61,691 bilhões. No entanto, o Tesouro Nacional destacou que, ao excluir despesas extraordinárias não contabilizadas na meta fiscal, como precatórios e indenizações de aposentados, o déficit anual cai para R$ 13,008 bilhões, ou 0,1% do PIB. Esse resultado, após as deduções, garante o cumprimento da meta fiscal de déficit zero para o ano, que possui uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. A respeito dos gastos com Previdência, pela primeira vez, o gasto anual ultrapassou R$ 1 trilhão em 2025, representando uma despesa adicional de R$ 87 bilhões em relação a 2024, elevando o rombo a R$ 317,1 bilhões. Adicionalmente, o Banco Central divulgou que o estoque total de crédito no Brasil cresceu 1,8% em dezembro, com a inadimplência no segmento de recursos livres em 5,4% e o spread bancário em 33,6 pontos percentuais. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou 0,41% em janeiro, invertendo a queda de 0,01% registrada em dezembro, acumulando alta de 0,41% no ano. A confiança nos setores econômicos também avançou, com o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) subindo 3,0 pontos em janeiro para 91,3 pontos, e o Índice de Confiança de Serviços (ICS) avançando 0,6 ponto para 90,9 pontos, o maior nível desde maio de 2025.
Declarações do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad
O dia também foi marcado por diversas declarações do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante uma entrevista ao portal Metrópoles. Haddad enfatizou que a gestão atual herdou uma situação fiscal difícil do governo anterior e que os esforços se concentram em “consertar com chave de fenda para baixar a dívida”, creditando ao ex-presidente Lula a construção da reserva cambial que impede o Brasil de estar “quebrado”. Ele reiterou a favor de organizar a questão dos supersalários e expressou seu apreço pelo Ministério da Fazenda. O ministro afirmou que os resultados do governo incluem a menor inflação em quatro anos e uma “pequena revolução na parte tributária”, atribuindo a redução de 70% do déficit ao corte de benefícios tributários. Sobre sua saída do cargo, Haddad indicou que “devo sair no mês de fevereiro, com certeza”, e confirmou que se colocou à disposição para participar da campanha, mas não como candidato. Haddad também abordou a questão da criminalidade organizada, afirmando que “se o Estado se organiza, ele vence o crime organizado”, e criticou os “devedores contumazes”, alegando que sua gestão “colocou o dedo na ferida” deles. Em relação ao caso do banco Master, o ministro descreveu-o como “a maior fraude bancária deste país”, observando que, inicialmente, parecia “um negócio mal feito, não havia indício de crime”, mas que a investigação começou com a Receita Federal e que a gestão tem agido com técnica para resolver o problema. Ele expressou confiança no ministro Fachin no STF e criticou Daniel Vorcaro, do banco Master, como “maior financiador de Bolsonaro e do Tarcísio”. Paralelamente, o Banco Central abriu uma investigação interna sobre o caso Master, resultando na renúncia de chefes do Departamento de Supervisão Bancária, enquanto no Banco de Brasília (BRB), Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende renunciaram aos seus cargos no conselho de administração.

Imagem: infomoney.com.br
Tensão Geopolítica e Mercados Globais
No cenário internacional, as tensões geopolíticas entre os EUA e o Irã continuam a impactar os mercados de commodities e ativos de risco. O ouro ultrapassou a marca de US$ 5.500, impulsionado pelas ameaças do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irã. Esse aumento das tensões também fez com que os preços do petróleo subissem pelo terceiro dia consecutivo. Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia adotaram novas sanções contra o Irã em resposta à repressão de protestos e ao apoio do país à Rússia, avaliando incluir a Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas do bloco. Nos mercados asiáticos, a maioria das bolsas encerrou o dia com ganhos, com Xangai, Nikkei, Hang Seng e Nifty 50 em alta, enquanto o ASX 200 registrou leve queda. Os mercados europeus, como o STOXX 600, CAC 40, e FTSE MIB, operavam em alta, à exceção do DAX da Alemanha que registrou -1,15%, com os investidores avaliando uma série de balanços corporativos. Nos Estados Unidos, os índices futuros operavam com leves altas, aguardando os resultados trimestrais da Apple, após balanços positivos da Meta e da Tesla e queda da Microsoft no after-market de ontem. A projeção de manutenção dos juros nos EUA para março estava em 86% pela CME/FedWatch, refletindo a postura cautelosa do Federal Reserve.
O mercado de combustíveis no Brasil também chamou atenção, com a Abicom reportando que os preços da gasolina ainda estão acima da paridade internacional, apesar da diminuição de preços anunciada pela Petrobras (PETR3;PETR4) três dias antes. O diesel A S10, por sua vez, registrou uma defasagem negativa de 15%, enquanto a gasolina A uma defasagem positiva de 3%.
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