O Maranhão registrou 1.182 casos de pessoas desaparecidas em 2025, abrangendo todas as faixas etárias. Esses números foram compilados a partir de informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), fornecidas pela Secretaria de Segurança Pública estadual ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A taxa de desaparecimentos no estado alcançou 16,84 ocorrências para cada 100 mil habitantes, o que coloca o Maranhão na 15ª posição do ranking nacional de pessoas cujo paradeiro é desconhecido. O fenômeno dos desaparecimentos representa um desafio significativo para as autoridades de segurança pública e para a sociedade em geral, impactando diretamente centenas de famílias anualmente.
Maranhão Registra 1.182 Casos de Pessoas Desaparecidas em 2025
A Lei nº 13.812/2019, que estabelece a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, define juridicamente uma “pessoa desaparecida” como “todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento”. Essa legislação fundamenta as ações estatais e serve de guia para a abordagem de cada caso, garantindo a uniformidade e o foco na busca e localização.
No Maranhão, o Programa Desaparecidos é uma das principais ferramentas implementadas através do Disque-Denúncia, oferecendo múltiplos canais para a comunicação e apoio nas buscas. Qualquer cidadão pode informar sobre um desaparecimento, relatar a localização de uma pessoa ou fornecer detalhes que auxiliem as investigações através dos telefones 181 e 0800-313-5800 (para o interior do estado). Além disso, um serviço de WhatsApp está disponível no número (98) 99224-8660. As informações recebidas por estes canais são integradas ao banco de dados do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS). É essencial que, antes de contatar os canais de denúncia, o desaparecimento tenha sido oficialmente registrado em uma delegacia para formalizar a ocorrência e dar início aos trâmites policiais.
O Cenário Nacional de Desaparecimentos em 2025
Em todo o Brasil, o ano de 2025 registrou um total de 84.760 casos de pessoas desaparecidas, englobando todas as idades. Este número representa o maior volume de registros desde 2015, quando a série histórica do painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas do Sinesp foi iniciada, superando inclusive os índices verificados antes da eclosão da pandemia de Covid-19. A taxa nacional de pessoas desaparecidas, considerando os registros consolidados ao longo do ano, foi de 39 casos a cada 100 mil habitantes.
A concentração dos desaparecimentos é mais acentuada no estado de São Paulo, que em 2025 contabilizou 20.564 ocorrências. Isso equivale a aproximadamente 24% do total nacional, tornando-o o estado com a maior quantidade absoluta de casos. Por outro lado, quando a análise é feita em proporção ao tamanho da população, Roraima se destaca como a unidade federativa com a maior taxa, registrando cerca de 80 desaparecimentos por 100 mil habitantes, um indicador que ressalta as disparidades regionais e os desafios específicos de cada localidade. Para mais dados e informações sobre políticas de busca por desaparecidos, é possível consultar o portal do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Ranking de Desaparecimentos por Unidade Federativa em 2025
A incidência de desaparecimentos varia significativamente entre os estados brasileiros, refletindo a diversidade de fatores sociais e demográficos. A seguir, detalhamos o panorama nacional dos registros e as respectivas taxas por 100 mil habitantes em 2025:
- São Paulo: 20.546 casos (44,59 desaparecimentos por 100 mil habitantes)
- Minas Gerais: 9.139 casos (42,72 por 100 mil habitantes)
- Rio Grande do Sul: 7.611 casos (67,75 por 100 mil habitantes)
- Paraná: 6.455 casos (54,29 por 100 mil habitantes)
- Rio de Janeiro: 6.331 casos (36,76 por 100 mil habitantes)
- Santa Catarina: 4.317 casos (52,73 por 100 mil habitantes)
- Bahia: 3.929 casos (26,42 por 100 mil habitantes)
- Goiás: 3.631 casos (48,91 por 100 mil habitantes)
- Pernambuco: 2.745 casos (28,71 por 100 mil habitantes)
- Ceará: 2.578 casos (27,81 por 100 mil habitantes)
- Espírito Santo: 2.421 casos (58,66 por 100 mil habitantes)
- Distrito Federal: 2.235 casos (74,58 por 100 mil habitantes)
- Mato Grosso: 2.112 casos (54,24 por 100 mil habitantes)
- Pará: 1.238 casos (14,21 por 100 mil habitantes)
- Maranhão: 1.182 casos (16,84 por 100 mil habitantes)
- Rondônia: 1.018 casos (58,11 por 100 mil habitantes)
- Amazonas: 982 casos (22,72 por 100 mil habitantes)
- Paraíba: 929 casos (22,31 por 100 mil habitantes)
- Rio Grande do Norte: 775 casos (22,43 por 100 mil habitantes)
- Piauí: 744 casos (21,98 por 100 mil habitantes)
- Alagoas: 729 casos (22,63 por 100 mil habitantes)
- Sergipe: 728 casos (31,66 por 100 mil habitantes)
- Tocantins: 609 casos (38,38 por 100 mil habitantes)
- Roraima: 577 casos (78,1 por 100 mil habitantes)
- Acre: 413 casos (46,7 por 100 mil habitantes)
- Amapá: 408 casos (50,59 por 100 mil habitantes)
- Mato Grosso do Sul: 378 casos (12,92 por 100 mil habitantes)
Conforme observado, o Maranhão, apesar do número considerável de desaparecimentos, apresenta uma taxa por habitante abaixo de várias outras unidades federativas, mas ainda demandando atenção contínua e recursos dedicados.
O Desafio do Desaparecimento de Crianças e Adolescentes
No que concerne ao desaparecimento de crianças e adolescentes, o Brasil registrou 23.919 casos em 2025. Esse total equivale a uma média de 66 menores de 18 anos desaparecendo diariamente, marcando uma elevação de 8% em comparação com 2024, quando a média diária foi de 60 desaparecimentos nesta mesma faixa etária. A análise demográfica dos casos de 2025 indica que aproximadamente 61% (14.658 pessoas) eram do sexo feminino, enquanto 38% (9.159) eram do sexo masculino. Em 102 casos, o sexo do desaparecido não foi informado nas ocorrências.

Imagem: irmãos desaparecidos entram na via g1.globo.com
Entre as unidades da federação, as maiores taxas de desaparecimentos de crianças e adolescentes por 100 mil habitantes foram constatadas em Roraima (com 40 desaparecimentos), seguido pelo Rio Grande do Sul (28) e Amapá (24). Em contraste, o Maranhão registrou uma taxa de 0,9 crianças e adolescentes desaparecidos por 100 mil habitantes no último ano, um dado que demonstra a necessidade de estratégias direcionadas para a proteção da infância e adolescência em todas as regiões.
Caso Ágatha Isabelly e Allan Michael: Buscas Persistem no Maranhão
No início de 2024, um dos casos que mais comoveu o país foi o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4. As crianças sumiram em 4 de janeiro no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, Maranhão. Em 28 de janeiro, as buscas completaram 25 dias sem qualquer indício ou vestígio de seu paradeiro, mobilizando esforços substanciais de equipes de busca e investigação. Uma força-tarefa foi prontamente instituída, realizando operações de varredura em áreas de mata e na outra margem do Rio Mearim, onde cães farejadores chegaram a detectar cheiros compatíveis com o das crianças.
Mesmo após detalhadas buscas por terra, água e ar, que utilizaram tecnologia avançada para inspeção, as equipes não encontraram novas pistas. Diante da persistente ausência de vestígios, a força-tarefa de campo teve sua atuação gradualmente reduzida, permitindo que a investigação policial fosse intensificada, buscando outras linhas de apuração para elucidar o caso dos irmãos desaparecidos no Maranhão.
O Papel do Alerta Amber no Apoio à Busca de Crianças Desaparecidas
O Alerta Amber tem se mostrado uma ferramenta essencial no apoio a situações consideradas de risco de desaparecimento de crianças e adolescentes. Conforme Iara Buono Sennes, coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, o sistema, implementado em 2023 pelo Ministério da Justiça em parceria com a Meta (responsável por plataformas como Facebook e Instagram), emite alertas emergenciais. Essa iniciativa possibilita a divulgação de informações e imagens das crianças desaparecidas em um raio de até 200 quilômetros do local do último paradeiro conhecido, alcançando rapidamente um grande número de pessoas e ampliando as chances de localização. É uma resposta estratégica para casos que demandam celeridade e visibilidade na busca.
O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, que participa da força-tarefa, declarou que todas as hipóteses são analisadas e nenhuma linha de investigação é descartada, especialmente pela ausência de evidências conclusivas. Contudo, a principal teoria trabalhada pela investigação é que os meninos teriam se perdido na região de mata densa próxima ao local do desaparecimento em Bacabal, Maranhão.
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Em síntese, os dados de 2025 sublinham a persistência do problema das pessoas desaparecidas, um cenário que afeta o Maranhão e se replica em todo o território nacional. A complexidade dessas situações demanda a continuidade de esforços integrados entre forças de segurança, órgãos públicos e a colaboração da sociedade. Programas como o Disque-Denúncia e ferramentas como o Alerta Amber são fundamentais para intensificar as buscas e amparar as famílias afetadas. Para mais análises sobre este e outros temas importantes de interesse público e político, convidamos você a continuar explorando as reportagens em nossa editoria de Cidades e outras matérias do Hora de Começar.
Crédito da imagem: Foto: Divulgação/SSP-MA

