Gilson Machado, ex-ministro do Turismo no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, oficializou sua desfiliação do Partido Liberal (PL) nesta quarta-feira, 21 de fevereiro. A decisão foi anunciada publicamente e o ex-ministro reiterou sua intenção de concorrer a uma cadeira no Senado por Pernambuco nas próximas eleições, embora o partido pelo qual ele disputará o pleito ainda não tenha sido divulgado. Machado justificou sua saída do PL através de uma carta compartilhada nas redes sociais, apontando a ausência de suporte da direção estadual como o principal motivo para a desfiliação.
A manobra política de Gilson Machado ocorre em um cenário de embate interno no PL de Pernambuco. Conforme apurado por veículos de imprensa, incluindo o Estadão, uma intensa disputa entre o atual presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira, e o próprio Gilson Machado permeava a definição do candidato ao Senado pelo partido. Com a efetiva saída de Machado da legenda, o caminho fica mais claro para que Anderson Ferreira seja formalmente confirmado como o representante do Partido Liberal na corrida eleitoral para o Senado pelo estado nordestino.
Gilson Machado Deixa o PL em Disputa por Vaga no Senado
Na comunicação oficial que circulou nas plataformas digitais, Machado expressou que, apesar de continuar sendo o nome respaldado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a disputa senatorial em Pernambuco, sua candidatura não contava com o aval e a preferência da liderança partidária em nível estadual. Esse desalinhamento estratégico com a direção do partido levou à sua decisão de buscar outro caminho político. Ele também informou que, em razão de restrições de deslocamento que o impedem de sair de Recife (PE), não conseguiu comunicar sua decisão pessoalmente a Bolsonaro. No entanto, o ex-ministro assegurou ter compartilhado o movimento com Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, e Renato Bolsonaro, irmão do ex-chefe de Estado.
Investigações e Medidas Cautelares da Polícia Federal
A trajetória de Gilson Machado não foi isenta de episódios de destaque no cenário judicial. Em junho do ano passado, ele foi detido pela Polícia Federal (PF) em Recife. A ação foi parte de uma investigação que, conforme indicaram a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), apurava a tentativa do ex-ministro de viabilizar um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. A suspeita era de que o objetivo seria facilitar a saída de Mauro Cid do território brasileiro. Na ocasião da detenção, Gilson Machado negou categoricamente as acusações apresentadas contra ele.
No mesmo dia de sua prisão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou um pedido de soltura para Gilson Machado. A decisão do magistrado foi fundamentada na avaliação de que, com as diligências já realizadas pela Polícia Federal, a manutenção da prisão preventiva não era mais essencial para o prosseguimento das investigações. Dessa forma, a prisão foi substituída por um conjunto de medidas cautelares alternativas. Estas incluíram o cancelamento de seu passaporte, a proibição expressa de deixar o País e a restrição de comunicação com outros indivíduos que estão sob investigação no mesmo inquérito, impedindo qualquer forma de contato.
O episódio, amplamente repercutido na imprensa nacional, trouxe à tona discussões sobre as ações da PF e o papel das altas esferas do Judiciário em casos envolvendo figuras públicas. Para mais detalhes sobre as atribuições da força policial, visite o site oficial da Polícia Federal, uma instituição fundamental para a segurança pública e a investigação de crimes no Brasil.
Aliança Bolsonarista e Histórico Político
Apesar da mudança de legenda, Gilson Machado reafirmou em sua carta que permanece “alinhado ao bolsonarismo”, garantindo que a troca de partido não representa uma alteração em seus princípios e lealdades políticas. “Sigo fiel aos meus ideais e valores. Sempre leal ao presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro”, declarou, evidenciando seu compromisso contínuo com a base ideológica à qual se associou.

Imagem: infomoney.com.br
A proximidade de Gilson Machado com Jair Bolsonaro é um fato consolidado desde 2018. Sua trajetória no governo bolsonarista inclui a atuação como secretário do Ministério do Meio Ambiente. Posteriormente, em maio de 2019, Machado foi indicado para presidir a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), permanecendo à frente da estatal por mais de um ano. Em dezembro de 2020, houve um remanejamento, e ele assumiu a pasta do Ministério do Turismo, cargo que ocupou até o final da gestão.
Fora do âmbito político-administrativo, Gilson Machado também ganhou notoriedade por sua paixão pela música. Como sanfoneiro, o ex-ministro é conhecido por aparecer tocando o instrumento em diversas lives promovidas por Bolsonaro durante a pandemia de covid-19. Sua carreira musical inclui gravações com nomes reconhecidos da música brasileira, como Zé Ramalho, e sua atuação na banda Brucelose persiste até hoje. Curiosamente, Machado é conhecido por ter compartilhado seus conhecimentos de sanfona com o próprio Jair Bolsonaro, ensinando o instrumento ao ex-presidente.
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A desfiliação de Gilson Machado do PL e sua reafirmação do projeto político em Pernambuco demonstram a fluidez e as constantes reconfigurações do cenário político brasileiro, especialmente em anos pré-eleitorais. Sua busca por uma vaga no Senado promete movimentar o debate estadual e federal, mantendo sua figura no centro das atenções. Para aprofundar-se em outras notícias relevantes do cenário político nacional e local, continue navegando por nossa editoria de Política e mantenha-se sempre informado.
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