O Prêmio Nobel, uma das maiores honrarias do mundo, possui uma natureza singular que o vincula inseparavelmente ao seu ganhador. No entanto, embora o reconhecimento e a glória sejam eternos para o laureado, a medalha física associada à premiação pode, de fato, ser doada ou negociada. Essa é a diretriz oficial reafirmada pelo Comitê Norueguês do Nobel na última sexta-feira, dia 16.
A declaração do Comitê veio à tona após uma série de eventos recentes que colocaram em pauta o destino físico das distinções. Na quinta-feira anterior, dia 15, a proeminente líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi noticiada por entregar sua medalha a Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos. Trump expressou sua gratidão, e uma fotografia divulgada pelo governo americano mostrou-o exibindo uma moldura dourada contendo a referida medalha. Segundo um oficial da Casa Branca, a intenção de Trump era manter o item em sua posse.
Prêmio Nobel: Honra inseparável do ganhador, medalha pode ser doada
De acordo com informações veiculadas, além da medalha, o prêmio concedido a María Corina também envolvia um diploma e uma quantia significativa de 11 milhões de coroas suecas, equivalentes a aproximadamente US$ 1,19 milhão. No cerne do esclarecimento emitido pelo Comitê Norueguês do Nobel, destaca-se que “Independentemente do que possa acontecer com a medalha, o diploma ou o prêmio em dinheiro, é e continua sendo do laureado original que é registrado na história como o destinatário do prêmio”. Essa posição solidifica a distinção entre a materialidade do prêmio e o caráter perene da honraria.
Os estatutos da Fundação Nobel são explícitos quanto à liberdade dos laureados sobre os itens físicos. O Comitê afirmou que “Não há restrições nos estatutos da Fundação Nobel sobre o que um laureado pode fazer com a medalha, o diploma ou o prêmio em dinheiro. Isso significa que o laureado é livre para manter, dar, vender ou doar esses itens”. Tal prerrogativa confere aos vencedores total autonomia para dispor dos bens que materializam a premiação, seja para fins pessoais, filantrópicos ou históricos.
A Diferença Fundamental entre Honra e Símbolo
É crucial entender a distinção pontuada pelo comitê composto por cinco membros. A medalha e o diploma funcionam como representações tangíveis, ou seja, são símbolos físicos que autenticam a recepção do prestigiado Prêmio Nobel por um indivíduo ou uma organização. Contudo, o “prêmio em si — a honra e o reconhecimento — permanece inseparavelmente ligado à pessoa ou organização designada como laureada pelo Comitê Norueguês do Nobel”. Essa frase sublinha que o verdadeiro valor do Prêmio Nobel reside na nomeação e no reconhecimento global, um legado que nenhum ato de doação ou venda pode dissociar do vencedor original.
Em sua declaração, o comitê deliberadamente não fez referência direta a Donald Trump ou María Corina Machado, mantendo uma postura imparcial. O órgão reiterou que sua política é não comentar publicamente sobre as declarações, decisões ou ações tomadas por um laureado após o anúncio formal da premiação. Essa abordagem reforça o foco do Comitê na concessão do Prêmio Nobel e nas diretrizes gerais, em vez de se envolver em particularidades subsequentes à premiação.
Casos Históricos de Medalhas Nobel Doadas e Vendidas
A prática de um laureado entregar ou comercializar sua medalha não é um fenômeno isolado. A história do Prêmio Nobel registra diversos exemplos em que as honrarias físicas tiveram destinos variados:
- Em 1943, Knut Hamsun, notável ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, protagonizou um episódio controverso ao doar sua medalha a Joseph Goebbels, então ministro da propaganda nazista.
- Mais recentemente, em 2022, Dmitry Muratov, laureado com o Prêmio Nobel da Paz, tomou a decisão de vender sua medalha. A transação rendeu impressionantes US$ 100 milhões, com o valor integralmente destinado ao fundo para a infância da ONU, o UNICEF. Essa iniciativa visava especificamente auxiliar as crianças ucranianas em situação de refúgio, destacando um uso humanitário da materialidade do prêmio. Para mais detalhes sobre as iniciativas globais da organização, é possível consultar o site da UNICEF, um recurso valioso sobre assistência humanitária.
- Já em 2024, a viúva de Kofi Annan, o falecido ex-secretário-geral da ONU e também agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 2001, optou por doar sua medalha e diploma. Ambos os itens foram entregues ao escritório das Nações Unidas em Genebra, garantindo sua preservação e exibição em um contexto de significado histórico e diplomático.
Esses precedentes ilustram a flexibilidade concedida aos ganhadores do Prêmio Nobel sobre os itens físicos do reconhecimento. Enquanto a honra inerente permanece indelével, a destinação dos objetos físicos representa uma escolha pessoal de cada laureado ou de seus herdeiros.
Para o público em geral e a comunidade global, a compreensão das normativas que regem o Prêmio Nobel reforça a sua essência como um símbolo de excelência e contribuição excepcional para a humanidade, indo além da posse de um objeto material.
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O Comitê Norueguês do Nobel reitera que, apesar da autonomia dos laureados sobre os elementos tangíveis, a distinção e o reconhecimento do Prêmio Nobel estão para sempre atrelados ao nome e ao feito do agraciado, sendo uma parte indelével da história. Para se aprofundar em notícias e análises sobre temas globais e grandes personalidades, convidamos você a explorar outras matérias em nossa editoria de Análises, onde buscamos decifrar os impactos e desdobramentos de acontecimentos relevantes no cenário mundial.
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