A ação da Brava (BRAV3), empresa do setor petrolífero, encerrou a sessão de negociação da última sexta-feira, dia 16, com uma significativa desvalorização. Mesmo após o anúncio de uma substancial aquisição, que desafiou as expectativas de boa parte do mercado financeiro em uma semana de mudanças na gestão da companhia, o papel da Brava experimentou uma forte baixa de 5,05%, sendo cotado a R$ 17,10 ao final do dia. Este movimento de mercado inesperado, onde a ação abriu em alta, mas inverteu a tendência ao longo do dia, gerou debates e análises entre investidores e especialistas.
A petroleira divulgou a aquisição de uma participação de 50% nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte. Esta participação era anteriormente detida pela Petronas. A transação envolveu um valor total de US$ 450 milhões, com sua estrutura de pagamento detalhada em fases. Um montante de US$ 50 milhões foi pago no momento da assinatura do acordo. Adicionalmente, US$ 350 milhões serão devidos no fechamento da operação, os quais estarão sujeitos a ajustes com base na data efetiva da transação, fixada para 1º de julho de 2025. Complementando, duas parcelas adicionais de US$ 25 milhões cada estão programadas para serem quitadas em até 12 e 24 meses após a conclusão da transação.
Ação Brava (BRAV3) Cai 5% Após Aquisição de US$ 450 Mi
É importante destacar que a conclusão desta aquisição permanece vinculada à aprovação de órgãos reguladores no Brasil. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por questões antitruste, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), agência reguladora do setor de petróleo e gás, precisam validar a operação. Além disso, a Petrobras, que já opera nos campos envolvidos, possui direitos de preferência sobre o ativo, o que pode influenciar o desfecho final da transação. Para entender mais sobre a atuação do órgão regulador em fusões e aquisições, consulte informações no site do Cade.
Análise do Mercado Sobre a Aquisição da Brava (BRAV3)
Diversas casas de análise e bancos de investimento se manifestaram sobre o anúncio da Brava. Na percepção da XP Investimentos, embora o comunicado tenha sido totalmente inesperado, ele se mostra positivo para a companhia. A corretora ressaltou que tanto a equipe de análise quanto o mercado em geral estavam focados em possíveis desinvestimentos da Brava, o que tornou uma aquisição uma grande surpresa no atual cenário. Contudo, a XP acredita que o negócio está alinhado com a saúde financeira da Brava. Esta visão é justificada pela expectativa de uma redução no valor final da transação devido a ajustes de preço e à estrutura de pagamento diluída. Ademais, sob a perspectiva da dívida líquida em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), a operação provavelmente contribuirá para a diminuição da alavancagem da empresa, o que é um ponto favorável.
Os campos de Tartaruga Verde e Espadarte, que são objeto da aquisição, estão estrategicamente situados na Bacia de Campos. Suas operações foram iniciadas em 2018. O petróleo extraído desses campos é caracterizado por ser leve, com 27 API, diferenciando-se da atual composição produtiva da Brava, que se concentra majoritariamente em petróleo pesado. Atualmente, a unidade operacional conta com um total de 14 poços produtores ativos, sendo 11 localizados em Tartaruga Verde e 3 em Espadarte. Em 2025, o ativo alcançou uma produção média de 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia (kboed), com a participação correspondente à Brava sendo de 27,8 kboed.
Perspectiva do Goldman Sachs e Bradesco BBI
Em contraste, o Goldman Sachs observou que já havia notícias circulando há alguns meses indicando a possibilidade da Brava adquirir a participação da Petronas nos referidos ativos. Entretanto, em discussões recentes com investidores, a expectativa do mercado estava voltada para a divulgação de mais detalhes sobre a estratégia de desinvestimentos da Brava, especialmente após as recentes mudanças na sua gestão e conforme sinalizado pelo noticiário. Desse modo, o anúncio de uma aquisição pode ter sido uma surpresa para alguns participantes do mercado. A avaliação preliminar do Goldman Sachs sugere um múltiplo implícito de EV (valor da firma) / Ebitda em torno de 2 vezes, que é consideravelmente inferior à média do setor, que negocia a aproximadamente 3 vezes o Ebitda esperado para 2026 para empresas brasileiras de exploração e produção (E&Ps), mesmo considerando o atual contexto de declínio de produção. Apesar de uma aquisição poder elevar a dívida líquida, o múltiplo baixo aponta que essa transação não deverá comprometer a estratégia de desalavancagem da Brava.
Com uma perspectiva bastante alinhada, o Bradesco BBI considerou que a aquisição, de fato, trouxe surpresa ao mercado. Tal surpresa é justificada pelo nível atual de alavancagem da Brava e por um possível consenso de que a companhia estaria mais inclinada a vender ativos do que a comprar neste momento. Mesmo assim, o banco demonstra aprovação à operação e elenca cinco pontos positivos principais. Primeiro, o valuation atrativo do negócio. Segundo, a aquisição é percebida como alinhada à estratégia de desalavancagem da empresa. Terceiro, o “DNA” da nova gestão, considerada mais ousada e operando em um mercado de compradores. Quarto, a operação permite uma maior diversificação da base de ativos da Brava. Por fim, o quinto ponto ressalta que a gestão da empresa demonstrou diligência ao realizar operações de hedge (proteção) para o ano de 2026.
Detalhando o segundo ponto, o Bradesco BBI projeta que a operação poderá elevar o CFPS (fluxo de caixa por ação) da Brava em R$ 1,80 por ação em 2027, considerando um cenário com preço do petróleo a US$ 60 o barril. Embora a relação dívida líquida/Ebitda para o final de 2026 deva permanecer relativamente estável, em cerca de 1,8 a 2,0 vezes (tanto antes quanto após a operação), para o final de 2027, a alavancagem pós-transação está estimada para cair para 1,0 a 1,2 vez. Isso representa uma melhora significativa em relação aos 1,5 a 1,7 vez projetados antes da aquisição, assumindo o petróleo a US$ 63 o barril em 2026 e US$ 65 o barril em 2027.
Em relação ao terceiro ponto positivo, a oferta é vista como um reflexo do caráter arrojado da nova administração, que não se deixa paralisar pela condição atual do balanço. No cenário atual, que apresenta um viés mais negativo para os preços do petróleo, o banco avalia que o mercado está entrando em uma fase mais favorável aos compradores, o que gera boas oportunidades. O Bradesco BBI reitera que a desalavancagem é um dos objetivos primordiais da Brava, e a trajetória histórica demonstra que aquisições bem executadas, feitas no momento certo, podem acelerar esse processo através do crescimento do CFPS.

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A transação também contribui para a diversificação do portfólio da Brava, reforçando sua imagem de alocadora de ativos dentro do setor de Óleo e Gás (O&G), e promovendo associações com operadores de qualidade. Atualmente, a companhia possui uma alta concentração de sua produção no ativo de Atlanta, que representa cerca de um terço do total. Com a concretização desta nova aquisição, a participação de Atlanta no portfólio deve ser reduzida para aproximadamente um quarto, o que diminui a dependência de um único ativo, como destaca o banco.
Por fim, sobre o quinto ponto, o Bradesco BBI realça que a administração se antecipou ao cenário e intensificou a atividade de hedge para 2026, com cerca de 75% da produção do primeiro semestre de 2026 protegida a um preço aproximado de US$ 63 por barril. Essa estratégia proativa mitiga as preocupações de que a companhia pudesse enfrentar estresse no balanço para honrar o pagamento da aquisição, caso os preços do petróleo sofressem quedas ainda maiores.
Visão do Morgan Stanley e Recomendações dos Analistas
O Morgan Stanley, por sua vez, analisou a transação da Brava, reconhecendo que o acordo foi fechado a um preço considerado atraente, e vislumbra o potencial para que esses ativos se transformem em posições operacionais de longo prazo. No entanto, o banco expressou ressalvas quanto ao momento da aquisição, que parece desfavorável dado o cenário de preços do petróleo previsto para 2026, que se apresenta desafiador. Para o Morgan Stanley, a aquisição seria mais convincente e teria um impacto mais positivo se viesse acompanhada da venda de outros ativos. Essa ação aliviaria a pressão sobre o balanço financeiro da empresa e reforçaria a disciplina de capital da Brava, elementos cruciais para a estabilidade da companhia.
Em relação às recomendações de investimento, o Morgan Stanley mantém uma recomendação de overweight para as ações da Brava (exposição acima da média do mercado), com um preço-alvo estabelecido em R$ 25. O Bradesco BBI segue com a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), e seu preço-alvo é de R$ 24. Em contrapartida, o Goldman Sachs, com uma visão mais cautelosa, mantém sua recomendação de venda para a Brava (BRAV3), com um preço-alvo fixado em R$ 15,80.
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Em resumo, a recente aquisição de ativos pela Brava (BRAV3) gerou reações mistas no mercado. Apesar de ser vista como estratégica e atrativa por algumas casas de investimento, o timing e o impacto imediato na alavancagem levantaram preocupações em outros setores, refletindo-se na queda acentuada das ações. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos do mercado de capitais e análises econômicas acompanhando a seção de Economia do nosso blog.
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